alan-silvestri

Perfil: ALAN SILVESTRI


alanDesde um início modesto em séries de TV e filmes de baixo orçamento, muita coisa aconteceu até que o compositor Alan Silvestri fosse indicado ao Oscar por seu trabalho em Forrest Gump (1994). Este filme foi o ponto alto da colaboração artística do compositor com o diretor Robert Zemeckis, que iniciou com Tudo por Uma Esmeralda (1984), uma comédia de aventuras tipo Indiana Jones que consolidou as carreiras do diretor e da novata Kathleen Turner, além de abrir novas possibilidades de trabalho no cinema para Silvestri. O próximo projeto de Zemeckis e Silvestri foi a popular comédia de FC De Volta Para O Futuro (1985), um grande sucesso que gerou mais duas sequências filmadas simultaneamente em 1989. O tema de abertura ainda é a composição mais conhecida do compositor. A trilogia encerra-se com De Volta Para O Futuro III (1990), na qual Marty McFly (Michael J. Fox) e “Doc” (Christopher Lloyd) retornam ao Velho Oeste e ao Monument Valley, palco de westerns memoráveis filmados por John Ford. A ambientação do filme permitiu ao compositor apresentar um leque mais variado, com músicas plenas de referências ao mais tradicional gênero cinematográfico americano, além de um belo tema dedicado ao romance entre Lloyd e a professora interpretada por Mary Steenburgen.

Zemeckis é um diretor tecnicamente ambicioso que aprecia incorporar efeitos especiais, fantasia e humor em seus filmes. Isto é mais do que aparente em Uma Cilada para Roger Rabbit (1988), um filme visualmente impressionante que combina perfeitamente atores e desenho animado. A trilha eclética de Silvestri evoca o gênero “noir” dos anos 40 e a música típica dos desenhos animados do período, acompanhando as peripécias de um personagem de “cartoon”, o coelho Roger Rabbit, que deve provar que é inocente de uma acusação de assassinato. Os efeitos visuais também possuem papel de destaque em A Morte lhe Cai Bem (1992), uma comédia de humor negro no qual Meryl Streep é uma atriz narcisista obcecada pela juventude, que passa a ser perseguida por uma ex-amiga (Goldie Hawn) quando ela rouba seu noivo (Bruce Willis). A situação complica-se com o surgimento de uma feiticeira (Isabella Rossellini), que criou uma poção que propicia a imortalidade.

O projeto seguinte de Zemeckis e Silvestri foi Forrest Gump, um filme que surpreendeu a todos tornando-se um dos maiores sucessos de bilheteria de todos os tempos e ganhador de vários Oscar, incluindo os de melhor filme e melhor diretor. A música doce e sentimental de Silvestri é sem dúvida o trabalho mais harmonioso de sua carreira. Do ponto de vista técnico, o compositor adota um espectro estilístico bem distinto para os filmes de ação. É o caso de Predador (1987), “cult” dirigido por John McTiernan que mostra o confronto entre uma equipe paramilitar liderada por Arnold Schwarzenegger, e um caçador alienígena nas selvas sul-americanas. A música de Silvestri é militar, percussiva e ritmicamente ativa, e raramente desenvolve o tema principal além de sua forma básica. Quase ininterrupta, constrói uma tensão que mantém-se até os créditos finais, e sem dúvida moldou um padrão que seria utilizado com eficiência e criatividade pelo compositor em filmes posteriores. Na seqüência Predador 2, dirigida em 1990 pelo mesmo Stephen Hopkins de A Sombra e A Escuridão e Perdidos no Espaço, O Filme, muitos dos temas do filme original retornam, com a adição de muita percussão latina para sublinhar o domínio de Los Angeles por gangues ultra-violentas.

Porém, muitos consideram O Segredo do Abismo (1989) como sua melhor trilha de filmes de ação ou FC. Conforme definido por seu diretor, o consagrado James Cameron, o filme é um “contato imediato submarino” tenso, cheio de suspense e, ao mesmo tempo, terno. A música, por sua vez, é interpretada por uma grande orquestra, adicionada de coral e instrumentos eletrônicos, e nos apresenta faixas que alternam belas melodias com suspense e ação em estado bruto. Deste estilo, digamos, “muscular”, ainda podemos destacar os scores de Ricochet (1991), Contagem Regressiva (1994, uma das mais elaboradas trilhas de Silvestri, O Juiz (1995) e Eraser – Queima de Arquivo (1996). Já para Contato (1997), novamente um filme de Zemeckis, o compositor optou por temas mais suaves e líricos, adequados às emoções vividas por Jodie Foster em sua jornada rumo ao seu encontro com inteligências extraterrestres.

whatliesOutro gênero no qual Silvestri destaca-se é na comédia. Podemos provar sua versatilidade com O Pai da Noiva (1991), a satírica Soapdish – Os Segredos de uma Novela (1991), cuja trilha é temperada com muito Mambo, e Riquinho (1994), no qual a música captura a essência do famoso personagem da Harvey Comics. Em 1995, Silvestri foi apresentado a um gênero até então novo para ele, o spaghetti-western, no filme-homenagem estrelado por Sharon Stone e dirigido por Sam Raimi, Rápida e Mortal. Mesmo buscando inspiração nas clássicas trilhas compostas pelo maestro Ennio Morricone, Silvestri soube reciclar o estilo e, ao mesmo tempo, manter sua identidade musical. Neste aspecto, ele prova que é possível a um compositor habilidoso, com um estilo imediatamente reconhecível, apresentar ao público trabalhos criativos e inovadores. Do mesmo modo, para o filme de suspense sobrenatural de Robert Zemeckis, What Lies Beneath (Revelação, 2000), Silvestri e sua música prestam uma bela homenagem a Bernard Herrmann. Para O Retorno da Múmia (2001), que marcou o retorno do compositor aos filmes repletos de ação e efeitos especiais, o compositor criou um dos seus trabalhos mais ambiciosos, um grande score romântico na tradição dos filmes épicos e de capa-e-espada de Hollywood.

Silvestri permanece em atividade compondo para vários gêneros e diretores, incluindo Zemeckis, sendo que as competentes trilhas de ação para os recentes filmes da Marvel Capitão América – O Primeiro Vingador e Os Vingadores preservam as qualidades que ainda fazem dele um dos compositores mais requisitados pela indústria do cinema americano.

Filmografia de Alan Silvestri, cortesia de Internet Movie Database.

Jorge Saldanha

Enhanced by Zemanta

70 opiniões sobre “Perfil: ALAN SILVESTRI”

  1. Alan Silvestri de fato é um compositor que sempre vale a pena conferir suas trilhas do começo ao fim. Pra quem não ouviu apenas uma breve dica daquelas que acredito ser imperdíveis na coleção de qualquer fã: Van Helsing, O Retorno da Múmia, Forrest Gump, Predador, Trilogia De Volta para o Futuro, Beowulf. Recentemente pela Intrada saiu a versão completa em 2Cds da trilha O Segredo do Abismo (The Abyss), também de ótima qualidade.
    Link abaixo (The Abyss)
    http://store.intrada.com/s.nl/it.A/id.8519/.f

    Curtir

  2. A maior obra prima do Alan, na minha opinião, é The Abyss. O tema para coral da faixa Bud on the Ledge é simplesmente magnífico.

    Curtir

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s