blu_ceraHOUSE OF WAX
Produção: 1953
Duração: 90 min.
Direção: André de Toth
Elenco: Vincent Price, Frank Lovejoy, Phyllis Kirk, Carolyn Jones, Paul Picerni, Roy Roberts, Charles Bronson
Vídeo 2D: 1.37:1 (1080p/AVC MPEG-4)
Vídeo 3D: 1.37:1 (1080p/MVC MPEG-4)
Áudio: Inglês (DTS-HD Master Audio 2.0), Espanhol, Francês, Italiano, Alemão (Dolby Digital 1.0)
Legendas: Português, Inglês, Espanhol, Francês, Japonês, Alemão, Italiano
Região: A, B, C
Distribuidora: Warner
Discos: 1 (50GB)
Lançamento: 21/11/2013
Cotações: Som: ***½ Imagem 3D: **** Filme: ***½ Extras & Menus: ***½ Geral: ***½ 

SINOPSE
Henry Jarrod (Vincent Price) é um escultor que faz imagens magníficas para o seu museu de cera. Jarrod luta com seu sócio, Matthew Burke (Roy Roberts), quando este começa a incendiar o museu para receber US$ 25 mil do seguro. Jarrod tenta detê-lo em vão, sendo que logo o local todo se incendeia e é seguido por uma explosão, com Jarrod sendo considerado morto. Algum tempo depois, Matthew recebe o dinheiro do seguro e planeja viajar com Cathy Gray (Carolyn Jones), mas é morto por uma pessoa disforme, que simula o assassinato como se fosse suicídio. Cathy também é assassinada, e pouco tempo depois Jarrod reaparece, dizendo que escapou por milagre, e reabre o museu. Quando Sue Allen (Phyllis Kirk), colega de quarto de Cathy, vê a imagem de Joana D’Arc no museu e a considera muito familiar, começa a suspeitar que algo mórbido está acontecendo no local.

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COMENTÁRIOS
MUSEU DE CERA (1953), refilmagem de OS CRIMES DO MUSEU, que Michael Curtiz dirigiu em 1933, hoje é um pouco lembrado clássico do terror que ganha mais importância no contexto da filmografia do seu astro, o lendário Vincent Price. O que é uma injustiça, já que além de ter uma produção caprichada e a direção segura de André de Toth, que à época de seu lançamento conseguiu arrancar sustos genuínos das plateias, foi um dos primeiros longa-metragens de um grande estúdio, em cores, filmados em 3D. Com esse longa, um dos maiores sucessos de bilheteria de 1953, Price ganhou o estrelato e começou a se especializar no gênero pelo qual será eternamente lembrado. A estética do filme, em especial sua maquiagem, teve grande influência nos filmes do gênero que se seguiram, dos quais os da produtora inglesa Hammer são o maior exemplo.

Vistos sob a ótica contemporânea, os sustos e mistérios do filme parecerão simplórios e clichê, mas em sua época foi uma realização ousada, repleta de imagens perturbadoras realçadas pelo uso efetivo do 3D – aliás, superior à maioria das produções contemporâneas, que via de regra são convertidas na pós-produção. Falando em imagens “perturbadoras”, só havia assistido a MUSEU DE CERA há décadas na TV, e não me recordava da cena do can-can, bem valorizada pelo 3D… Detalhe: o diretor André de Toth, por ser cego de uma vista, era incapaz de ver os efeitos tridimensionais. Outra curiosidade sobre o filme é que um então quase desconhecido Charles Bronson interpretou o assistente de Jarrod, Igor, sendo que nos créditos ele é listado com seu nome original, Charles Buchinsky.

Este lançamento de MUSEU DE CERA chega para lembrar o quão mal representada está a filmografia de Vincent Price em Blu-ray, no Brasil. Nos EUA, ano passado foram lançados bons títulos com o ator, como A MOSCA DA CABEÇA BRANCA (1958) e um box trazendo o antológico O ABOMINÁVEL DR. PHIBES (1971) e alguns dos filmes de Roger Corman baseados na obra de Edgar Allan Poe, restaurados e remasterizados. Pertencentes a outras distribuidoras, esses lançamentos chegaram ao mercado norte-americano na mesma época que MUSEU DE CERA, mas como não possuem opções de legendas em português, tudo indica que não serão disponibilizados por aqui.

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SOBRE O BD
MUSEU DE CERA é um dos raros filmes pioneiros rodados em 3D que estão disponíveis em Blu-ray (no Brasil, além dele, me recordo apenas de DISQUE M PARA MATAR e O MONSTRO DA LAGOA NEGRA), e poderá surpreender quem está acostumado aos efeitos discretos dos filmes modernos. Restaurado e remasterizado em 4K a partir dos elementos originais, o sexagenário longa de André de Toth foi rodado em 35mm estereoscópico, processo então batizado pela Warner como “Natural Vision 3-D”, e foi assistido nos cinemas com óculos polarizados não muito diferentes dos usados hoje. Duas cópias do filme eram projetadas simultaneamente, o que exigia um intervalo (mantido no Blu-ray) para que o projecionista pudesse trocar os rolos de filme. Mas o trabalho compensou, com o filme ostentando um senso de profundidade tal que é possível identificar as diferenças de distância entre cada objeto visto na tela. O efeito pop-up é excelente, principalmente nas cenas do artista que diverte os visitantes do museu com raquetes e bolas de pingue-pongue, que voam em nossa direção. Já na citada cena do can-can, quando as dançarinas esticam suas pernas, elas se aproximam “perigosamente”  do espectador.

O Blu-ray de MUSEU DE CERA inclui as versões 2D e 3D do filme no mesmo só disco, em transferências 1080p AVC/MVC MPEG-4, que preservam a proporção original de tela 1.37:1 (a imagem, portanto, terá tarjas pretas nas laterais). Em ambas nota-se que, apesar da presença da granulação fílmica original (o que descarta o uso ostensivo de DNR na remasterização), o detalhamento da imagem é apenas razoável. Fator certamente oriundo não da transfer mas do material fonte, já que afinal de contas o longa, apesar do emprego de tecnologias então inovadoras, não foi um produto de primeira linha do estúdio. Percebi alguns ocasionais indícios da aplicação de edge-enhancement, mas para compensar as coisas temos cores firmes e bem saturadas, pretos fortes e ausência absoluta danos de película, ruídos e artefatos digitais. Na versão 3D, inexistem anomalias típicas como ghosting e aliasing. No geral, dadas as características da produção, temos aqui uma ótima restauração de catálogo.

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Além do pioneirismo visual, MUSEU DE CERA também inovou na parte do áudio, já que foi um dos primeiros filmes a introduzir o som estereofônico no cinema, o então chamado “WarnerPhonic”. A faixa em inglês DTS-HD MA 2.0 limita-se a reproduzir de forma fiel o sound design original, com o núcleo sonoro situando-se principalmente no centro da tela, porém com os outros dois canais sendo usados para sutilmente complementar a tridimensionalidade da imagem. Por exemplo, na cena do incêndio, os estalidos das chamas espalham-se por todo o palco sonoro frontal, assim como a trilha incidental de David Buttolph, reproduzida com clareza e boa fidelidade. Os diálogos também sempre soam claros e os graves, como seria de esperar, não impressionam mas são plenamente aceitáveis para um filme com mais de 60 anos. A Warner não incluiu uma dublagem em português, apenas faixas lossy Dolby 1.0 em espanhol, francês, italiano e alemão. Por outro lado, temos legendas nesses e outros idiomas, incluindo PT-BR. Os menus principal (estático) e pop-up estão apenas em inglês.

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EXTRAS
Apesar de não muito variados, os extras de MUSEU DE CERA são bem interessantes. Exceto pelos comentários em áudio, o material restante tem a opção de legendas em português (como os menus estão apenas em inglês, não alterei os títulos originais dos vídeos):

  • Comentários em Áudio – O filme pode ser acompanhado por informativos comentários dos historiadores do cinema David Del Valle e Constantine Nasr. Mas como não foram legendados, serão de interesse apenas para quem dominar o idioma bretão;
  • House of Wax: Unlike Anything You’ve Seen Before (HD, 48 min.) – Ótimo documentário que conta com depoimentos de diretores contemporâneos como Martin Scorsese, Joe Dante e Wes Craven, e o especialista em maquiagens Rick Baker. Os convidados comentam o clássico, sua influência e sua produção. Vemos cenas de arquivo com Vincent Price e André de Toth, e o especialista em 3D Eric Kurland fala sobre aspectos técnicos;
  • Mystery of the Wax Museum (SD, 77 min.) – Trata-se, simplesmente, da versão integral do filme original de 1933, estrelada por Lionel Atwill e Fay Wray (KING KONG). De lamentar, apenas, que não foi restaurada e nem está em alta definição;
  • Vintage Newsreel (SD, 2 min.) – Curto cine-jornal focado na estreia do filme;
  • Theatrical Trailer (SD, 2 min.) – O trailer original de cinema.

Jorge Saldanha

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