A capa do livro As 101 Trilhas de A MÚSICA NO CINEMA

JÁ NÃO SE FAZEM MAIS TRILHAS COMO ANTIGAMENTE


A capa do livro As 101 Trilhas de A MÚSICA NO CINEMA
A capa do livro As 101 Trilhas de A MÚSICA NO CINEMA

Artigo escrito e publicado originalmente em 2004, mas que está cada vez mais atual…

Houve uma vez num Verão, ou era uma vez na América, até mesmo era uma vez no Oeste, sei lá, era uma vez a música no cinema. De qualquer forma a conclusão que chego é que já não se faz mais música para o cinema como nos tempos da Era de Ouro, ou então nas décadas de sessenta e setenta. A partir dos anos oitenta a música parece que começou a ser superada por uma necessidade incessante de cumprir um papel cada vez mais marginal, o que a coloca nos dias de hoje, apenas e tão somente, como uma alegoria sem cor, sem brilho e muitas vezes até sem sentido com o que está sendo mostrado na tela.

Antigamente, os compositores eram mais insubmissos, mesmo pagando um preço caro dentro do  star system, como aconteceu com Bernard Herrmann, Jerry Fielding  e poucos outros. Nos dias de hoje a submissão dos compositores permite que a personalidade musical de cada um seja mandada às favas, pois a opinião do produtor é mais importante. Um exemplo disso pode ser dado através da trilha sonora rejeitada de Gabriel Yared para o filme Tróia, que foi considerada fora de moda. Em outras palavras, hoje ao invés de uma grande orquestra, o ideal é um sintetizador. Em lugar de uma melodia, apenas alguns acordes, de preferência dissonantes, mas se não der, não há problema, eles colocam uma canção – mesmo que essa não tenha nenhuma pertinência. Por falar em pertinência, alguém poderia justificar o aproveitamento da música de Roberto Carlos cantada por Ornela Vanoni para o filme Doze Homens e Outro Segredo? Eu sinceramente optaria por “Sapore Di Sale”, de Gino Paoli. Mas são essas incongruências que tem distanciado o cinema da boa música. Hoje até compositores célebres estão em processo de mediocrização o que é lamentável para a música no cinema.

A música tem participado cada vez menos do processo articulatório da construção das cenas, e tem sido relegada a um plano que só contribui para sua quase aniquilação. Sempre gostei de assoviar os temas marcantes da música no cinema. Faz muito tempo que não assovio um tema de filme recente. A rigor, acredito que o último tema que consigo lembrar é de Cinema Paradiso. Quem sabe não estamos caminhando para um processo de extermínio dos templos de cinema, e passaremos então a ver filmes somente em casa. Aliás, não é uma má idéia ver filmes em casa, pois não temos que enfrentar o desconforto de ter como trilha sonora alguém falando ao celular ou ruminando um pacote de pipoca. Estou cada vez mais convencido de que não se faz mais música para o cinema como antigamente.

Márcio Alvarenga

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5 opiniões sobre “JÁ NÃO SE FAZEM MAIS TRILHAS COMO ANTIGAMENTE”

  1. Puxa vida, Márcio, penso exatamente o mesmo!!
    Concordo com você em gênero, número e grau, assino embaixo de tudo o que você disse e reconheço em cartório!!!!

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  2. Pois é, amantes do Cinema, e eu escutando a trilha de Ben Hur enquanto lia este texto. Também concordo em tudo contigo, senhor Márcio Alvarenga. Boa parte do que poderia falar aqui já disse no In Memorian de Scoretrack para o senhor Wojciech Kilar.
    Creio que só resta perguntar: SE… se eu tivesse a fortuna para fazer “filmes a moda antiga”, certamente apareceriam infortúnios para que este não fosse realizado? é “parte do plano” estes estados lamentáveis?

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  3. Claro que a música de cinema está cada vez mais diferente, pra mim basta ouvir a trilha de A Ira de Khan e Oblivion pra constatar o quanto elas sao diferentes, mas não quer dizer que atualmente não tenha músicas boas. Acabei de assistir Europa Report e a trilha é linda e pra minha surpresa é do Bear Macgreary. As coisas mudam e nem sempre é pra pior….é simplesmente diferente, afinal, se a linguagem do cinema muda, porque a música não pode? claro que as vezes enche o saco essa moda do BAUMMMMM mas temos boa música no cinema.

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    1. Realmente Cesar, o cinema mudou, as trilhas mudaram, mas para nós apreciadores de trilhas sonoras podemos afirmar que como você mesmo disse tem muita coisa boa no mercado. Bear McCreary, por exemplo, é hoje o que foi Mike Post para as trilhas de seriados da tv dos anos 80. McCreary, fez o tema de Walking Dead, Eureka, o novo Galáctica, Defiance, e pra mim os melhores Da Vinci Demons e As Crônicas de Sarah Connor. Curto muito o tema e a trilha do seriado Continuum de Jeff Danna, e de outros compositores como da série Downtown Abbey, o famoso tema de Game of Thrones, isto só fazendo um breve levantamento de bons temas e trilhas no universo dos seriados da tv.

      Em termos de cinema, temos John Ottman fazendo sempre grandiosas trilhas sonoras como Jack O Caçador de Gigantes e deve arrebendar no novo X-Men, por sinal todos os X-Men tiveram trilhas fantásticas, mesmo não se mantendo o tema.

      John Williams deve vir com folego total no novo Star Wars, Michael Giacchino provou sua qualidade em filmes como Missão Impossível, Os Incríveis (homenagem total a John Barry e a saga James Bond), Star Trek (apesar de não ter o tema imortal de Goldsmith) é muito bom. Temos ainda Brian Tyler com Os Filhos de Duna e a expressiva trilha de Timeland (substituiu Goldsmith), além do excelente trabalho para Aliens x Predador 2 e suas trilhas mais recentes provando que tem presença forte.

      Enfim, concordo que os tempos são outros, mas há uma infinidade de trilhas e compositores de qualidade a se ouvir, mesmo Hans Zimmer, bastante criticado pelo seu estilo, fez trilhas memoráveis como Rain Man,Piratas do Caribe, Inception,a versão estendida de Sherlock Holmes é muito boa, o suspense aterrorizante THE RING. O Amor não Tira Férias e Espanglês funcionam perfeitamente até mesmo pra quem não viu estes filmes.

      Hoje temos uma vasta quantidade de trilhas disponíveis no mercado pra se ouvir e apreciar. Além de versões estendidas e completas de trilhas marcantes e algumas pela primeira vez como The Salamander do mestre Goldsmith,
      Em tempos passados eu assistia o filme que me interessava, prestava atenção na trilha e despertando interesse tentava adquiri-la, hoje tem tanta facilidade, graças a internet, a ter acesso a esse inesgotável mercado de trilhas sonoras que não me preocupo em ver determinado filme como: High Road to China e Condorman de John Barry, o já citado The Salamander, The Challenge e o rejeitado 2 Days in the Valley todos de Jerry Goldsmith, Já para os novos títulos, geralmente já ouvi as trilhas antes de ter acesso ao filme, isto porque na maioria das vezes, a trilha chegou antes de seu lançamento nos cinemas como Thor 2, Frozen, Hobbit 2 entre outros.

      Ben Hur, que o nosso amigo Rafael curte bastante, é um épico de 1959, mesmo assim teve em 2012 um super relançamento de sua trilha com nada menos do que 5 cds lançados pela Golden Age Classics, são aproximadamente 6 horas de música do saudoso Miklós Rózsa.

      Os tempos mudaram, hoje temos muito mais filmes, mini-séries, seriados, longas de grande duração, uma imensidão de games com qualidade musical impressionante como WarCraft, God of War, mesmo assim, estaremos discutindo porque os produtores não deixaram Zimmer colocar o tema de John Williams no novo Superman, discussões construtivas que engrandecem ainda mais o nosso conhecimento e admiração pelos compositores de trilhas sonoras.

      Portanto, concluo que sim, continuamos ouvindo trilhas tão boas como antigamente, temos muitos compositores de qualidade nos parabenizando com suas emoções.

      E para o nosso amigo, Márcio da Redação, tem muitas trilhas recentes pra vc. assoviar, muitas inclusive já citadas neste excelente site, é só dar uma espiada.

      Abraços.

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  4. “A musica ajuda a você a mudar de perspectiva, a ver as coisas de maneiras diferentes se você precisar”

    Walter Bishop

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