Perfil: JAMES HORNER (1953-2015)


horner2Indiscutivelmente, James Horner foi um dos compositores de cinema mais controvertidos da atualidade, sendo acusado de reaproveitar grandes porções de seus scores anteriores em novos trabalhos, além de inspirar-se, de forma nada discreta, no repertório clássico de compositores como Prokofief, Shostakovich e Copland. Horner nasceu em Los Angeles, EUA, no dia 14 de agosto de 1953, filho do famoso desenhista de produção Harry Horner. Precoce e com grande aptidão para a música, James começou a estudar piano com a idade de 5 anos, tendo nos anos 60 freqüentado a Academia Real de Música em Londres, Inglaterra. Após mudar-se para a Califórnia no início dos anos 70, ele formou-se na Universidade do Sul da Califórnia, para depois conquistar o Doutorado e o PhD em composição e teoria musical na UCLA.

Enquanto lecionava teoria musical na UCLA, já no final dos anos 70, Horner recebeu uma proposta do American Film Institute. O AFI ofereceu a ele a oportunidade de compor a partitura musical de seu filme de 1978, The Drought. Após ter enfrentado grandes problemas para conseguir uma exibição de seu concerto “Spectral Shimmers”, Horner apaixonou-se pela música de cinema, e compôs as trilhas de várias produções do AFI, antes de ser contratado pela New World Pictures, do famoso diretor de filmes “B” Roger Corman. No mundo de filmes baixo orçamento de Corman, para quem trabalhavam os ainda desconhecidos James Cameron, John Sayles e Gale Anne Hurd, o nome de Horner surgiu nos créditos de produções de ficção científica e horror de 1980, como Lady in Red, Humanoids from the Deep e Battle Beyond the Stars. Os filmes deixavam a desejar, mas as trilhas eram boas – e Hollywood as ouviu.

O primeiro grande trabalho de Horner foi para a Orion Pictures em 1981 — The Hand, do então diretor iniciante Oliver Stone. Seguiu-se Deadly Blessing (Polygram, 1981), e então mais um filme para a Orion, Wolfen (no qual Horner substituiu uma partitura rejeitada pelo estúdio, de Craig Safan). Apesar de inicialmente ser rotulado como um especialista no gênero sci-fi/horror, Horner também criou músicas originais para The Pursuit of D.B. Cooper (1981), o telefilme A Piano for Mrs. Cimino (1982), e 48 Hours (1982).

Em menos de seis anos, a insistência de Horner em criar trilhas eficientes para filmes menores, utilizando-se muitas vezes de orquestras pequenas que soavam como grandes filarmônicas, trouxe resultados: o compositor foi contratado para um filme de primeira linha — Star Trek II: The Wrath of Khan (1982). Graças a este trabalho, um dos melhores de toda a sua carreira, Horner finalmente entrara para o primeiro time. Em tempo recorde, ele era o compositor da hora, o que era mais requisitado. Aparentemente, um novo filme com música de James Horner surgia a cada semana. Mesmo em seu período mais prolífico (oito filmes em um ano), ele conseguia atrair atenção a cada novo trabalho. Horner ocasionalmente trocou seu estilo plenamente orquestral por obras mais intimistas, como Testament e Stone Boy. Apesar de acusado de transcrever outras partituras suas, obras clássicas e até mesmo trilhas de outros compositores, Horner buscou novas cores e sons para traduzir velhas situações: instrumentos irlandeses tradicionais em Heaven Help Us, marimbas para a aventura urbana de Schwarzenegger Commando (1985), o Boys Choir of Harlem nas melodias dramáticas de Glory (1989), e címbalos para Gorky Park (1983).

hornercelineHorner recebeu já havia recebido cinco indicações ao Oscar pelos filmes Field of Dreams (1989), Aliens (1986), An American Tail (1987), Apollo 13 e Braveheart (1995) quando finalmente, por sua trabalho música de Titanic (1997), recebeu o reconhecimento da Academia conquistando os Oscars de Melhor Trilha Sonora Original de Drama e Melhor Canção Original (“My Heart Will Go On”, em parceria com Will Jennings e interpretada por Celine Dion). Além destes prêmios maiores, Horner recebeu dois Grammys em 1987 pela canção “Somewhere Out There”, de An American Tail (um prêmio por Melhor Canção do Ano, outro por Melhor Canção em um Filme), e outro Grammy em 1990 por Glory. Sua contribuição para o filme de maior sucesso de todos os tempos, Titanic (1997), também lhe valeu dois Golden Globe Awards, um por melhor trilha original e outro por Melhor Canção.

Controvérsias à parte, a consagração de público e crítica de suas partituras, e a continuidade de trabalhos de qualidade como The Mask of Zorro, Mighty Joe Young, The Perfect StormEnemy at The Gates, Tróia e Avatar foram mais do que suficientes para fazer de James Horner um dos grandes nomes da música de cinema contemporâneos. Horner faleceu prematuramente aos 61 anos de idade, no dia 22 de junho de 2015, quando seu avião particular, por ele pilotado, caiu a 90 quilômetros ao norte de Santa Barbara, Califórnia.

Filmografia de James Horner, cortesia de Internet Movie Database

Jorge Saldanha

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113 opiniões sobre “Perfil: JAMES HORNER (1953-2015)”

  1. Gosto muito das trilhas do Horner: o trabalho dele em Aliens – O Resgate é fantástico e refletiu muito bem o clima de urgência do filme e dos bastidores dele (conta-se que ele teve um prazo desumano para concluir o trabalho).

    Mas o cara se repete muito…

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  2. Horner, indiscutivelmente, é um dos melhores compositores a surgir na década de 80. Ele possui obras belíssimas no currículo, como Lendas da Paixão, Coração Valente, O Homem Bicentenário, Uma Mente Brilhante, Círculo de Fogo, Casa de Areia e Névoa, O Novo Mundo, O Menino do Pijama Listrado, Avatar e até mesmo O Espetacular Homem-Aranha, cujo heroico tema principal é excelente. Ele não merece todas as críticas que recebe.

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