Resenha: BASTARDOS (Filme em Destaque)


BASTARDOS (Le Salauds, França, Alemanha, 2013)
Gênero: Suspense
Duração: 83 min.
Elenco:  Vincent LindonChiara Mastroianni, Christophe Miossec, Michel SuborLola Créton, Claire Tran, Elise Lhomeau
Trilha Sonora Original: Stuart Staples
RoteiroClaire Denis, Jean-Pol Fargeau
Direção: Claire Denis
Cotação***½

Vendido como “o verdadeiro filme punk do Festival de Cannes”, BASTARDOS (2013), de Claire Denis, é de fato um filme intenso, embora seja um tanto exagerada a propaganda. Os espectadores já acostumados com obras mais extremas nem vão achar assim tão pesado, já que a própria cinematografia francesa tem trazido cada vez mais obras dos gêneros horror e suspense que trafegam por caminhos que poucos cinemas ousaram. A própria Claire Denis já havia feito uma obra bastante sangrenta em DESEJO E OBSESSÃO (2001).

Em BASTARDOS, a diretora inclusive omite as cenas de violência gráfica, deixando-as mais na imaginação do espectador, através de elipses, ou mostrando só o final brusco de determinadas cenas. Tanto é que chega a ser desnecessária a cena final, até porque o que é ocorrido ali já havia sido muito bem captado pelo espectador mais esperto. Aliás, o espectador tem de estar bem atento ao ver BASTARDOS, pois não é um filme tão fácil em se tratando de thrillers. Mas isso faz parte de seu charme; torna-o diferente das produções de suspense hollywoodianas, que acabam por adotar modelos.

Em BASTARDOS, Vincent Lindon, que pôde ser visto este ano nos cinemas brasileiros no excelente UMA PRIMAVERA COM MINHA MÃE, de Stéphane Brizé, aqui desempenha um papel mais ativo. Ele é um capitão da marinha que larga tudo para resolver os problemas de sua irmã e sobrinha. O cunhado havia se suicidado, a irmã estava na pior financeiramente, a sobrinha havia sido violentada sexualmente. Não por acaso, o nome da sobrinha, vivida por Lola Créton, é Justine, célebre personagem criada pelo Marquês de Sade. Toda a trama é passada de maneira muito fragmentada, de modo que formam peças de um quebra-cabeças, que ainda inclui a personagem de Chiara Mastroianni, uma mulher casada com um velho magnata (Michel Subor), e que acaba por ter um caso com o personagem de Lindon.

A opção de Denis por uma estrutura fragmentada e cheia de elipses deixa o espectador ora confuso, ora instigado. Há também um uso da câmera e da música capaz de deixar muita gente com vertigem. A cena do acidente de carro, por exemplo, é perturbadora, assim como outras cenas envolvendo carros. Por outro lado, as cenas de intimidade dos personagens de Lindon e Mastroianni remontam a alguns filmes noir americanos. Porém, o sexo no filme nunca é mostrado como um elemento de prazer, mas como um aspecto incômodo de uma história sombria.

Independente de se gostar ou não de BASTARDOS, é um filme mais que bem-vindo, especialmente em um circuito tão carente de obras da diretora, sempre presente nos melhores festivais internacionais e que já garantiu seu nome entre os mais interessantes do cinema contemporâneo. No caso de BASTARDOS, trata-se de uma obra com uso de edição rápida, sem muitas tomadas longas, o que contribui para um trabalho tenso e de desfecho surpreendente.

Ailton Monteiro

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