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Resenha: GRAVIDADE (Filme em Destaque)


GRAVIDADE (Gravity, EUA, 2013)
Gênero: Ficção Científica
Duração: 91 min.
Elenco:  Sandra Bullock, George Clooney, Basher Savage, Eric Michels
Trilha Sonora Original: Steven Price
RoteiroAlfonso Cuarón, Jonás Cuarón, Rodrigo García
Direção: Alfonso Cuarón
Cotação****½

E eis que mais um filme de primeira grandeza chega ao nosso circuito para mexer com nossas listas de melhores de 2013. Que bom. E que alívio poder contar com o retorno de Alfonso Cuarón, que desde 2006, com FILHOS DA ESPERANÇA, que não lançava nenhum longa seu nos cinemas. Mas o longo parto de GRAVIDADE (2013) valeu a pena, pois o resultado é desses de deixar o espectador não apenas aflito e tenso durante toda a projeção, mas também maravilhado.

Para começar, o filme não mostra nenhuma prévia dos personagens de Sandra Bullock, que interpreta a Dra. Ryan Stone, uma engenheira em sua primeira missão no espaço, e de George Clooney, como o experiente e bem-humorado astronauta Matt Kowalsky. O filme entra de cara com os dois no espaço, tentando consertar algo em um satélite. A sensação de solidão naquela vastidão já começa presente desde o início.

E a tendência é piorar, já que destroços de outro satélite passam pela tripulação e causam resultados catastróficos na missão e na vida daqueles poucos personagens. Os rodopios que eles dão no espaço, à deriva, são também de impressionar e foram momentos muito difíceis para Sandra Bullock e George Clooney durante as gravações, em que eles usaram cabos para simular a falta de gravidade no espaço.

Uma coisa que foi enfatizada em 2001 – UMA ODISSEIA NO ESPAÇO, de Stanley Kubrick, foi que no espaço o som não se propaga. E por isso é tão importante a trilha sonora do inglês Steven Price, que fez um trabalho excepcional. Tanto que quando seu nome surge nos créditos finais, fica-se pensando: quem é este homem? Como compositor de trilhas, ele tem pouquíssimos trabalhos, sendo o mais conhecido deles o horror de baixo orçamento ATAQUE AO PRÉDIO, de Joe Cornish.

Seu trabalho em GRAVIDADE funciona nos momentos de impacto dos objetos em outros objetos como um substituto do som, que no espaço não se propaga. Mas não apenas isso: acentua a aflição, a solidão, o medo, a angústia, todos esses sentimentos tão carregados que os personagens, principalmente Ryan Stone, passam, ao longo do filme. Trata-se de uma trilha também grandiloquente no sentido de mostrar o quão insignificantes somos diante do universo.

Há também um interesse em trazer à tona uma reflexão sobre o sentido da vida, de como ela pode ser uma dádiva, e não um estorvo. Inicialmente, pelo menos, é um tanto assim que a personagem de Bullock vê a vida, devido a uma perda na família. Essa visão amarga da engenheira é fundamental para que haja um conflito existencial nos momentos finais do filme.

Algumas sequências são dignas de nota, como o momento que ela adentra uma câmara e se posta como um feto, que pode ser tanto uma maneira de elogiar a obra-prima de Kubrick, como de mostrar o quanto a personagem se sentia ali, no espaço, apesar de sozinha, distante das dores da vida na Terra, por mais que aquelas circunstâncias no espaço também não fossem tão favoráveis. Outro momento tocante é o das lágrimas sem gravidade, que se aproximam de nós com os ótimos efeitos em 3D.

Outro aspecto belo está na questão da religiosidade, que é tratada sem dogmas, mas buscando a transcendência. Comovente o momento em que a protagonista confessa que nunca rezou pois nunca a ensinaram, numa situação em que sente a necessidade de entrar em contato com o divino. Aparecem imagens icônicas de Jesus e Buda, em diferentes estações, em alguns desses momentos. E, claro, há as palavras finais da personagem, que saem do fundo de seu coração, mas que também funcionam como alento para nossos corações tão aflitos depois de tão doloroso percurso.

Ailton Monteiro

9 opiniões sobre “Resenha: GRAVIDADE (Filme em Destaque)”

  1. E com este trabalho incrível já comentado de forma grandiosa pelo nosso amigo Ailton, o diretor Alfonso Cuarón leva nada menos do que o GLOBO DE OURO de melhor DIRETOR para este filme que mostra sem dúvida de forma tensa as nossas limitações no espaço sideral.
    Não conhecia este compositor e sem dúvida alguma realizou uma trilha que funciona perfeitamente do começo ao fim neste longa bem como fora dele.
    Pra quem de fato curte trilhas e não fica preso ao passado, vale a pena curtir este trabalho de Steven Price nos padrões de Oblivion e Tron o Legado.
    Mesmo assim, pra mim, teve seu mérito de indicação ao Oscar de melhor trilha pelo fato de ter um filme concorrendo ao prêmio de melhor filme, sorte que nem Oblivion ou Tron tiveram, senão somente nós apreciadores de trilhas sonoras estaríamos apreciando seu trabalho.
    Quem sabe a sorte continue e ele ainda leve o Oscar de melhor trilha. Vamos aguardar.

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  2. E não é que ele levou o Oscar de melhor trilha sonora para Gravidade. Não deixa de ser divertido. Nenhuma matéria em sites especializados sobre este trabalho incrível…rs…rs…Talvez porque os sites especializados em trilhas sonoras dão preferência a música, e eu concordo plenamente.

    Mais uma vez comento que filmes com base eletrônica como Tron O Legado e Oblivion sequer são indicados, mesmo sendo trabalhos muito superiores, mas como os filmes em si não tiveram a sorte de concorrer a melhor filme ficam totalmente descartados. Tenho certeza que os votantes sequer perdem tempo para ouvir a trilha sonora em separado ou seja, escutam durante a projeção do filme e pronto.

    Lembro que o Globo de Ouro foi para All is Lost, talvez tenham acreditado que por não ter diálogos num filme de uma pessoa só, no caso Robert Redford imaginaram que teria uma maravilhosa trilha sonora e deram o prêmio máximo para Alex Ebert que levantou de sua cadeira com cara de sono e espantado e foi receber seu prêmio, inacreditável e claro voltanto ao tempo temos A Vida de Pi, com o indiano sozinho e perdido no mar e claro O ARTISTA que também levou seu Oscar de melhor trilha por ser um filme mudo.

    Alan Silvestri deve estar se perguntando porque não levou o Oscar por Náufrago, será que Tom Hanks falou demais com o saudoso Wilson ?

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