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Perfil: ENNIO MORRICONE


enniomorriconeO maior dos compositores italianos de música de cinema nasceu em Roma, em 1928. Ainda pequeno, começou a estudar trompete e logo estava na famosa Academia de Música Santa Cecília estudando composição. Na década de 1950 passou a trabalhar em rádio e em arranjos de músicas para outros compositores de teatro e cinema. Nos anos sessenta, Morricone iniciou uma carreira imensamente produtiva no cinema europeu, tendo trabalhado com vários renomados diretores, entre eles Elio Petri, Gillo Pontecorvo, e mais tarde Henri Verneuil e Bernando Bertolucci.

Mas Ennio Morricone passou a se tornar conhecido no mundo todo por sua criativa linguagem musical presente nos faroestes italianos dirigidos por Sergio Leone para a trilogia Por um Punhado de Dólares (Per un Pugno di Dollari, 1964), Por uns Dólares a Mais (Per Qualche Dollaro in Più, 1965) e Três Homens em Conflito (Il Buono, il Brutto, il Cattivo, 1966), estrelados por Clint Eastwood. Este terceiro tem uma das músicas mais marcantes e características da história do cinema e se tornou um sucesso da música popular, independentemente do sucesso do filme. Morricone realmente inovou ao usar nessas trilhas elementos até então totalmente estranhos ao gênero, como gritos, assobios e guitarras. Suas pontuações bem humoradas e sincronizadas com ações dos personagens deram ao estilo faroeste um novo sentido, pois a música de certa maneira sugeria um tom mais crítico, mais sarcástico à narrativa dos faroestes.

Morricone é um dos compositores de trilhas sonoras mais prolíficos da história tendo composto até hoje música para mais de 400 filmes. Sua história no cinema europeu lhe rendeu dezenas de sucessos que cativam os mais fanáticos fãs de trilhas sonoras, como a marcha militar de A Batalha de Argel (La Battaglia di Algeri, 1965), os temas de Sacco e Vanzetti (1971) que contam com a participação da cantora Joan Baez, a bem humorada trilha de Meu Nome é Ninguém (Il mio Nome è Nessuno, 1973), e os lindíssimos temas emocionais de 1900 (Novecento, 1976), do diretor Bernardo Bertolucci. Mais tarde, em 1978, Morricone criou a trilha de Cinzas no Paraíso (Days of Heaven, 1978) do diretor Terrence Malick que, apesar de bastante curta e muito mal mixada no som do filme, é bastante inspirada e foi indicada ao Oscar. Em Era Uma Vez no Oeste (C´era una volta il West, 1968), as marcantes gaitas e suas guitarras típicas ajudaram a consagrar o seu estilo vulgarmente chamado de “Spaghetti Western” ou “Bang-bang à Italiana”, como se chamava no Brasil. Seus belíssimos temas com tempero italiano contribuíram para que este filme fosse considerado a obra maior do diretor Sergio Leone. Mais tarde em Era Uma Vez Na América (Once Upon a Time in America, 1984), Morricone volta à cena com um nostálgico e belíssimo tema principal, típico exemplo de sua sensibilidade e delicadeza na composição de melodias.

morricone4Outro trabalho memorável de Morricone é sua segunda trilha indicada ao Oscar para o filme A Missão (The Mission, 1986), estrelado por Robert de Niro, cujo tema principal para orquestra e coro é uma bela peça sinfônica de estilo peculiar e foi referência para várias outras trilhas, inclusive para um tema musical de uma campanha publicitária de marca de cartão de crédito, produzido pelo próprio Morricone. A utilização inteligente do contraste entre a música e a terrível cena final de A Missão merece destaque. A música conduz o estado emocional do espectador ao presenciar tal cena de uma maneira não convencional. A música não entra na batalha, ao contrário, ela parece levar o espectador a um estado de incredulidade e reflexão, engrandecendo a força emocional da cena. No ano seguinte veio mais um sucesso com o filme Os Intocáveis (The Untouchables, 1987), cujo conjunto parece ser uma pequena coletânea de temas característicos do estilo de Morricone, quase que compondo uma suíte das várias facetas do compositor para este belo filme de Brian de Palma.

O comentado Cinema Paradiso (Nuovo Cinema Paradiso, 1989) leva uma das trilhas mais inspiradas da história do cinema, e marca o início da bem sucedida parceria entre o diretor Giuseppe Tornatore e Morricone. O premiadíssimo trabalho da trilha deste belo filme conduz o drama de maneira única. É difícil imaginar o que seria do filme sem essa música, sem esses temas. Um dos cues da trilha, o tema de amor de Cinema Paradiso, é composição do filho de Morricone, Andrea Morricone, ainda que em parceria com a melodia do pai. O envolvimento do compositor com o diretor ainda na fase de concepção do roteiro do filme garantiram uma sintonia dramática perfeita entre música e filme.

Além de Busca Frenética (Frantic, 1988), do diretor Roman Polanski, e Pecados de Guerra (Casualties of War, 1989), do diretor Brian de Palma, filmes de grande sucesso internacional, Morricone ganhou sua quarta indicação ao Oscar pela trilha de mais um filme de gângsters. Bugsy (1991), do diretor Barry Levinson. Mais tarde, para Roland Joffé, o mesmo diretor de A Missão, Morricone compôs a trilha de A Cidade da Esperança (City of Joy, 1992), e nos anos seguintes voltou a trabalhar mais intensamente em vários títulos italianos dos quais se destaca a maravilhosa música de A Lenda do Pianista do Mar (The Legend of 1900, 1999), outra feliz parceria com o diretor Giuseppe Tornatore, que embora não tenha recebido um elogio consensual da crítica pelo filme, tem com certeza, um trabalho muito elaborado de trilha sonora, descrito no capítulo seguinte.

Morricone recebeu sua quinta indicação ao Oscar pela trilha de Malena (2000), que marca a feliz continuidade de sua parceria com o diretor Giuseppe Tornatore, além de comemorar seu quadragésimo aniversário da carreira de composição para cinema. “Il Maestro”, apelido carinhoso pelo qual é conhecido pelos fãs, está em atividade na Europa trabalhando em projetos de televisão o cinema, dos quais se destaca a música do drama espanhol A Luz Prodigiosa (La Luz Prodigiosa, 2003). Nos últimos anos, sua música e seu nome ganharam ainda mais fama particularmente junto ao público mais jovem, com a utilização de seus temas nos filmes Kill Bill, do criativo diretor Quentin Tarantino, declarado fã de Morricone.

Morricone no Rio em 2007
Morricone no Rio em 2007

Desde o início de sua carreira, Morricone sempre fez questão de arranjar e orquestrar suas próprias composições, dispensando a parceria de orquestradores. Com a evolução das técnicas de orquestração e gravação, o compositor assumiu uma postura bastante crítica em relação aos novos talentos, chegando a afirmar que um compositor que não tem o conhecimento e a capacidade de orquestrar suas próprias composições não pode ser chamado de compositor. Polêmicas à parte, por sua valiosa e vasta obra musical para o cinema, Ennio Morricone com certeza já tem o seu lugar garantido no seleto time dos grandes mestres da trilha sonora.

Após suas cinco indicações sem conquistar nenhum prêmio, finalmente Ennio Morricone foi condecorado com um Oscar honorário no dia 25 de fevereiro de 2006. A Academia de Hollywood decidiu premiá-lo “por sua magnífica e multifacetada contribuição à arte da música de cinema”. Em 2007, além do Oscar honorário, Morricone causou furor no mundo da música de cinema, pois aceitou pela primeira vez o convite para apresentar um grande concerto nos Estados Unidos, realizado no início de fevereiro em Nova Iorque. O compositor nunca quis se mudar para Hollywood, ou tampouco aprender inglês. Como se isso não bastasse, Morricone abriu o MÚSICA EM CENA – 1º Encontro Internacional de Música de Cinema com um histórico concerto ocorrido dia 05 de maio de 2007, no Theatro Municipal do Rio de Janeiro.

Jorge Saldanha

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