warriorMúsica composta e regida por Jerry Goldsmith
Selo:  Varese Sarabande
Catálogo: VSD 6038
Lançamento: 01/08/1999
Cotação: ****

O 13º Guerreiro, filme estrelado por Antonio Banderas, foi concluído antes de A Máscara do Zorro. Entretanto, desentendimentos entre o diretor John Mctiernan e o escritor/produtor Michael Crichton atrasaram o seu lançamento, ocorrido em 1999, em praticamente dois anos. Nesse período, Crichton assumiu totalmente o controle, dirigiu cenas adicionais e remontou por completo o filme (dizem, inclusive, que McTiernan queria que seu nome fosse retirado dos créditos, tamanhas as alterações feitas por Crichton). A polêmica, contudo, passou longe da partitura composta pelo falecido compositor Jerry Goldsmith, que foi convocado para suprir, com música admirável, as deficiências da produção.

O score de The 13th Warrior (à época não devidamente valorizado pela crítica) evoca trabalhos étnicos anteriores do compositor, como O Vento e o Leão e a Múmia, com um senso épico e de aventura adequado à história de um jovem embaixador árabe (Banderas) exilado que alia-se a guerreiros vikings, para combater terríveis inimigos chamados de “Os Devoradores de Mortos”. Jerry Goldsmith baseia sua partitura em três motivos, sendo que o primeiro que ouvimos é um lírico tema árabe, no estilo consagrado por Hollywood em filmes do gênero, com cordas, sopros e percussão (ou seja, o que Hollywood entende como é a música árabe: não muito fiel à original, mas eficaz).

Vem em seguida o motivo dedicado aos vikings, baseado em trompa/trumpete, com acompanhamento do coro masculino. Como ninguém sabe como era a música viking, o compositor dá aqui a sua interpretação de como ela seria, na maior parte refletindo o caráter guerreiro e explorador daquele povo nórdico. O último motivo é dedicado aos wendols, os devoradores de mortos. Este é primitivo, baseado em duas notas interpretadas por trombone ou trompa (similar ao do urso assassino de The Edge), e que nas cenas de confronto é acompanhado por tímpanos, fazendo freqüentes cruzamentos com o tema viking. No desenrolar do score, o tema árabe é sucedido pelo viking, que por sua vez dá lugar ao dos sinistros inimigos.

A música, assim, transporta progressivamente o espectador e ouvinte de uma cultura mais sofisticada até outras nas quais reina a barbárie. Goldsmith combinou perfeitamente todas as seções da orquestra (este é um trabalho exclusivamente acústico, sem a utilização de sintetizadores) com o coral masculino, de todos extraindo interpretações vigorosas. Ao final dos quase 55 minutos de música do CD da Varese, retornamos ao tema árabe, em uma conclusão mais do que satisfatória de uma jornada repleta de ameaça, lirismo e triunfo.  Apenas é de se lamentar a ausência, em um score deste gênero, de um tema romântico, mas a culpa disso não foi de Goldsmith: o filme, fora uma breve menção inicial às razões que levaram Ibn (Banderas) ao exílio, e o seu posterior curto interlúdio  com uma jovem viking, não contém uma história de amor.

Faixas:

1. Old Bagdag (02:01)
2. Exiled (03:41)
3. Semantics (02:38)
4. The Great Hall (05:20)
5. Eaters Of The Dead (03:32)
6. Viking Heads (01:29)
7. The Sword Maker (02:06)
8. The Horns Of Hell (03:25)
9. The Fire Dragon (04:53)
10. Honey (02:36)
11. The Cave Of Death (03:00)
12. Swing Across (01:49)
13. Mother Wendol’s Cave (04:12)
14. Underwater Escape (01:36)
15. Vahalla / Viking Victory (10:35)
16. A Useful Servant (01:18)

Duração: 54:11

Jorge Saldanha

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