Resenha: INVOCAÇÃO DO MAL (Filme em Destaque)


INVOCAÇÃO DO MAL (The Conjuring, EUA, 2013)
Gênero: Terror
Duração: 112 min.
Elenco: Vera FarmigaPatrick WilsonLili TaylorRon LivingstonShanley CaswellHayley McFarland
Trilha Sonora Original: Joseph Bishara
RoteiroCarey Hayes, Chad Hayes
DireçãoJames Wan
Cotação****½

James Wan está com tudo. Além de ter feito um sucesso incrível de bilheteria com este INVOCAÇÃO DO MAL (2013), no último fim de semana nos Estados Unidos conseguiu chegar ao topo do ranking com o novo SOBRENATURAL – CAPÍTULO 2 (2013). Ainda por cima, foi convidado a dirigir o sétimo filme da franquia VELOZES E FURIOSOS, previsto para estrear no próximo ano. Assim, teremos finalmente um cineasta de respeito comandando a cinessérie. Mas falemos deste que, por enquanto, detém o título de melhor filme de horror lançado nos cinemas em 2013, INVOCAÇÃO DO MAL.

Pode-se até dizer que não há tanta originalidade assim neste trabalho de Wan. Mas o que não dá para negar é a habilidade do diretor em construir uma obra ao mesmo tempo assustadora e cheia de qualidades fílmicas, com um domínio de câmera incrível, seja pelos ângulos inusitados, seja pelas elegantes movimentações. E quanto ao medo, este elemento tão querido quando se trata de filmes de horror, ele está presente principalmente na escuridão, nos momentos em que a personagem de Lili Taylor está no sótão e segue um barulho naquela casa recém-comprada e que só depois eles descobrem ter sido palco de uma grande tragédia, envolvendo bruxaria.

Aliás, interessante como o filme é tão cristão (católico). Principalmente em momentos em que a bruxaria está na moda e franquias de livros e filmes juvenis apoiam as práticas de feitiçaria. Até como uma forma de rebeldia perante uma Igreja que queimou na fogueira tantas bruxas, ou pessoas apenas suspeitas de bruxaria. INVOCAÇÃO DO MAL, nesse sentido, é assumidamente e explicitamente anti-bruxaria. Isso aparece, inclusive, nos créditos finais, que afirmam a existência de demônios e bruxas e insinuam a necessidade de ser cristão para se fortalecer.

Há quem vá achar isso até um pouco careta, mas alguns dos melhores filmes de horror de décadas atrás, especialmente os que lidam com exorcismo – e até mesmo os antigos filmes de vampiros –, tinham essa característica. Nesses filmes, a cruz representa mais do que um símbolo: é uma arma contra os espíritos malignos.

Na trama de INVOCAÇÃO DO MAL, os investigadores do sobrenatural vividos por Patrick Wilson e Vera Farmiga são convidados para ajudar uma família que está passando por situações extremamente perturbadoras em seu casarão. Antes da intervenção do casal de “caça-fantasmas”, porém, temos a oportunidade de acompanhar o medo em algumas das cenas mais arrepiantes do ano. Como na brincadeira de cabra-cega e das palmas.

Mais uma vez, o elemento infantil se faz presente nos filmes de horror para torná-los ainda mais assustadores, pois as crianças são tidas como mais capazes de enxergar os espíritos. Caso da garota mais nova da família só de meninas, que faz amizade com o garoto-fantasma, que pode ser visto no espelho de uma caixinha de música sinistra. Aliás, pra que coisa mais sinistra do que aquela boneca pavorosa do prólogo? E ela nem chega a ser o principal elemento assustador do filme.

Todas as sequências envolvendo as tentativas de captar a presença das entidades e logo depois o tenso exorcismo são provas do quanto INVOCAÇÃO DO MAL é um filme cheio de qualidades. O fato de se passar na década de 1970 e de ter uma direção de arte que capricha e nos leva para aquela época é outro aspecto que eleva o filme a um outro nível, já que nos coloca em um tempo em que o cinema de horror vivia um momento de ótimos frutos.

Além do mais, o filme de Wan não abusa de sustos baratos e manjados, preferindo a criação de uma atmosfera de horror crescente, em que a expectativa é um elemento muito mais poderoso do que as revelações explícitas dos espíritos diabólicos. Na maior parte das vezes, inclusive, o não ver é muito mais poderoso do que o ver. É uma velha lição que o produtor Val Lewton soube explorar muito bem na década de 1940 e que continua funcionando no século XXI.

Ailton Monteiro

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