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Resenha: THE WOLVERINE – Marco Beltrami (Trilha Sonora)


the_wolverine_CDMúsica composta por Marco Beltrami
Selo: Sony Classical
Catálogo: 88883712542
Lançamento: 22/07/2013
Cotação: ***½

No mês de junho, o compositor Marco Beltrami havia chamado a atenção de crítica e público com seu score para Guerra Mundial Z que, misturando timbres eletrônicos com uma grande orquestra sinfônica, possuía temas de ação poderosos e dava toda a tensão necessária que o longa necessitava. Aproveitando essa renovada em sua carreira, Beltrami lança agora a trilha de Wolverine: Imortal (The Wolverine), a nova aventura do famoso anti-herói, dirigida por James Mangold, que já havia colaborado com o compositor antes.

Se Guerra Mundial Z era uma partitura mais tradicional, em Wolverine Beltrami, com a colaboração em algumas faixas de Buck Sanders, Brandon Roberts e Marcus Trumpp, preferiu fugir do lugar comum e produzir uma abordagem musical não convencional para o herói – assim como Mangold procurou fazer um filme diferente dos outros blockbusters de super-heróis, que abordasse de forma profunda a questão da imortalidade do X-Man. Porém, se eles conseguiram ou não, aí já é outra história. No caso do score, o compositor entrega uma verdadeira “salada” ao misturar percussão japonesa (aproveitando que o filme se passa neste país), guitarras, sintetizadores atmosféricos, flautas étnicas e gaitas que representam a solidão do herói; e orquestra, que executa principalmente dissonâncias. É uma escolha ousada, que ora funciona, ora não soa tão bem aos ouvidos.

O álbum inicia-se com “A Walk in the Woods”, que apresenta um dos temas principais da partitura. Este tema, composto por duas notas, é executado primeiramente pela gaita e depois pela seção de cordas da orquestra. A segunda faixa, “Threnody for Nagasaki”, possui acordes e dissonâncias repletas de tensão, dignas de um filme de terror, um gênero no qual Beltrami é experiente. Ela é seguida por “Euthanasia”, que traz de volta o tema de duas notas, a cargo da gaita e da orquestra, em meio a uma melodia repleta de suspense.

Já “Logan’s Run” é uma faixa de ação curiosa e atípica para Beltrami. A melodia é conduzida principalmente pela percussão étnica e sintetizada, com a entrada das cordas ao final, num trecho atmosférico e ameaçador. O resultado é interessante, especialmente para aqueles que acham que o compositor ficou refém de seu próprio estilo. A quinta faixa, “The Offer”, por sua vez, apresenta um outro tema para o herói: uma melodia melancólica executada pelos violinos e violas, e seguida por uma outra passagem triste e tensa a cargo dos violoncelos e baixos. É um bonito tema, que fará novas aparições ao longo do álbum

A sexta faixa, intitulada “Arriving at the Temple”, constrói um bom clima de suspense, que surge através da percussão, sintetizador e as cordas. Esse suspense é logo transmutado em ação em “Funeral Fight”, na qual a tensa melodia é conduzida principalmente pelos metais e percussão, com acompanhamento dos violinos. Lembra um pouco o trabalho de Beltrami em Guerra Mundial Z, embora sem a mesma energia explosiva daquele score.

O drama que o herói passa no filme é representado na bela “Two Handed”, que traz de volta o tema melancólico de Wolverine, interpretado em sua forma mais completa até então pela orquestra, com destaque para as cordas e as madeiras. Porém, o clima de ameaça retorna em “Bullet Train”, uma típica faixa de ação orquestral do compositor. Já “The Snare” e “Abduction”, na sequência, apresentam uma orquestração bastante bizarra, que mistura orquestra, sintetizadores, flautas étnicas e gaitas. A segunda, por sinal, apresenta um novo tema, que se propõe a ser dramático, mas que consegue soar apenas estranho, ainda mais com os arranjos utilizados.

Este tema faz nova aparição em “Trusting”, desta vez de forma mais atmosférica, porém igualmente ameaçadora, executado pela gaita e pelas cordas. A décima terceira faixa, intitulada “Ninja Quiet” (por sinal, o mesmo nome de outra faixa, da trilha de Guerra Mundial Z), lembra um score de filmes de terror, com o suspense, a cargo de cordas e sintetizador, aumentando gradualmente. Na sequência, “Kantana Surgery”, apresenta um clima de ameaça crescente, que desemboca numa passagem de ação, onde as cordas e a percussão são o destaque.

The Wolverine”, por sua vez, possui toda a orquestra executando um interessante crescendo dramático e heroico, até finalizar com uma passagem de suspense. A faixa seguinte, “The Hidden Fortress”, inicia com uma bizarra orquestração, que faz uma mistura de orquestra, sintetizador e gaita, numa estranha melodia que tende à grandiosidade. Em seguida, entra logo um trecho onde a percussão, a flauta étnica e os metais dão o clima de ameaça. O tema de “Abduction” aparece na sequência, com uma dramaticidade crescente, finalizando com uma passagem melancólica, a cargo das cordas, da gaita e dos sintetizadores.

As enérgicas melodias de ação, que fizeram a fama de Beltrami, são apresentadas nas “goldsmithianas” “Silver Samurai” e “Sword of Vengeance”, que trazem a orquestra em plena potência na execução dos fortes motivos do compositor. Ambas são seguidas por “Dreams”, uma faixa triste que resgata o tema apresentado em “A Walk in the Woods”, aqui executadas pelas cordas.

A belíssima e romântica “Goodbye Mariko” é a vigésima faixa, que traz as cordas executando um tema repleto de melancolia, dramaticidade e lirismo. O tema de Wolverine retorna na excelente “Where To?”, interpretado por toda a orquestra, sintetizador e violão. Nesta faixa, o tema aparece de forma dramática e elegíaca, porém igualmente heroica e otimista, dando um belo encerramento para o filme. Para finalizar o álbum, temos a atmosférica “Whole Step Haiku”, que traz de volta o tema de duas notas do herói, e “Yukio”, que possui um clima de suspense conduzido por flautas étnicas, sintetizador, percussão e cordas. São duas faixas interessantes, porém o álbum teria uma audição muito melhor se encerrasse em “Where To?”.

Beltrami, em seu score, traz uma grande variedade de influências (Jerry Goldsmith, Hans Zimmer, trilhas orientais como as de Tan Dun, etc.), numa partitura repleta de bons momentos, apesar de alguns momentos mais bizarros. Certamente, algumas de suas decisões podem ser consideradas ousadas, apesar de que nem todas elas funcionam tão bem. Nesse caso, eu prefiro o “arroz com feijão” bem feito do compositor em Guerra Mundial Z.

Faixas:

  1. A Walk in the Woods (01:02)
  2. Threnody for Nagasaki (*) (01:15)
  3. Euthanasia (01:36)
  4. Logan’s Run (*) (03:56)
  5. The Offer (03:15)
  6. Arriving at the Temple (*) (02:10)
  7. Funeral Fight (*) (04:22)
  8. Two Handed (04:04)
  9. Bullet Train (**) (01:31)
  10. The Snare (*) (01:32)
  11. Abduction (02:11)
  12. Trusting (02:54)
  13. Ninja Quiet (*) (03:40)
  14. Kantana Surgery (**) (03:50)
  15. The Wolverine (**) (02:21)
  16. The Hidden Fortress (05:02)
  17. Silver Samurai (***) (03:27)
  18. Sword of Vengeance (**) (04:32)
  19. Dreams (**) (01:21)
  20. Goodbye Mariko (01:01)
  21. Where to? (02:25)
  22. Whole Step Haiku (*) (02:08)

Em parceria com Buck Sanders (*), Brandon Roberts (**), Marcus Trumpp (***)

Duração: 59:35

Tiago Rangel

6 opiniões sobre “Resenha: THE WOLVERINE – Marco Beltrami (Trilha Sonora)”

  1. Até o momento, ouvi esse score seis vezes (sendo duas delas seguidas). Realmente, é um score atipico do Beltrami mas não deixa de ser interessante. As vezes é bom o compositor sair de sua zona de conforto, experimentar outros timbres, outras abordagens. E o Beltrami mostrou-se uma escolha correta para o filme. Sua trilha faz o mesmo avançar e, em determinado momento, ela me lembrou The Shadow (de Jerry Goldsmith).

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