AFTER-EARTH

Resenha: AFTER EARTH – James Newton Howard (Trilha Sonora)


After_earth_CDMúsica composta por James Newton Howard
Selo: Sony Masterworks
Catálogo: 372547
Lançamento: 11/06/2013
Cotação: ***

A parceria entre o diretor M. Night Shyamalan e o compositor James Newton Howard gerou belas trilhas sonoras, mesmo que os filmes que as originaram não tivessem a mesma qualidade. Ainda que a aprovação da crítica aos longas fosse decrescendo a cada filme lançado, os scores de Howard para esses eram, na maioria das vezes, muito bem recebidos. Assim, havia grandes expectativas para a partitura de Depois da Terra (After Earth), ficção científica de aventura que marca o oitavo trabalho conjunto entre os dois.

Infelizmente, esse novo álbum do veterano compositor não correspondeu às expectativas. Aparentemente, Howard não estava tão inspirado quando compôs esse score, que sofre de um grave problema: sua longa duração, preenchida principalmente por faixas desinteressantes, sem muita variação musical. Aqui não vemos nenhum rompante de inovação do músico, como o tema heroico/melancólico de Corpo Fechado, o suspense “herrmaniano” de Sinais, os belos solos de violino acompanhando a orquestra de A Vila ou a escala épica de O Último Mestre do Ar, mas sim motivos genéricos e não muito inspirados.

Mesmo assim, não podemos ser injustos. O score de Depois da Terra inicia muito bem: a primeira faixa, “The History of Man”, começa com um piano executando o tema principal, seguido por toda a orquestra, que interpreta um motivo cada vez mais forte, onde se destacam as cordas e a percussão, até o retorno do piano em um final atmosférico. É uma boa faixa, que lembra o estilo do compositor em suas partituras de maior escala, como King Kong, Diamante de Sangue e Branca de Neve e o Caçador, além do próprio O Último Mestre do Ar. Ela é seguida por “I’m Not Advancing You”, na qual as cordas interpretam um motivo melancólico e triste, que virá a se tornar recorrente no restante da partitura.

Logo após há a boa “Pack Your Bags”, que se inicia com um jogo entre os cellos, os baixos, a harpa e as trompas, até que a melodia fica mais atmosférica com a entrada do piano e dos violinos. Essa faixa é logo emendada com a seguinte, “Leaving Nova Prime”, que possui escala épica, onde o destaque vai para a percussão, acompanhando a orquestra.

Como se pode ver, o início do álbum é bastante promissor. Porém, daí em diante, o que temos são diversas faixas de ação e suspense que, de tão parecidas, acabam cansando o ouvinte. Howard abusa dos violinos, flautas étnicas, percussão e sintetizadores para criar uma atmosfera ameaçadora, no caso a Terra mil anos no futuro, onde o herói Kitai (vivido por Jaden Smith) precisa sobreviver. Porém, sem muita variação musical de uma faixa para outra, não demora para que a audição do álbum se torne monótona.

Algumas boas exceções a isso são “Kitai Finds Cypher”, onde um piano solo é usado para dar um clima de melancolia, o senso de aventura de “Run To The Falls” e “Nest Battle”, faixa de ação na qual os metais se destacam. Apesar disso, elas são poucas se comparadas com inúmeras outras, cuja semelhança entre si torna a audição da música tediosa.

As duas últimas faixas, felizmente, quebram esse clima e retomam as boas ideias do início. “I Wanna Work With Mom” traz a mesma melodia de “Pack Your Bags”, porém interpretada de forma mais dramática. Já “After Earth” possui toda a orquestra interpretando uma melodia de tons épicos, e que lembra um pouco o estilo de Hans Zimmer. É uma boa finalização para o álbum – e uma recompensa para quem conseguiu ouvir até ali sem se cansar.

Dessa forma, Depois da Terra é uma partitura que vale apenas pelo seu início e pelo seu final. Talvez a intenção de Howard tenha sido criar um score mais baseado em uma atmosfera de constante ameaça e perigo ao invés de melodias e temas, mas as incontáveis faixas nesse estilo chegam a cansar o ouvinte. Ao editar o álbum, muitas delas deveriam ter sido deixadas de fora, pois a audição do disco fluiria muito melhor e as qualidades da música seriam bem mais ressaltadas.

James Newton Howard, que nos últimos anos tem entregue obras tão díspares como a belíssima Água para Elefantes, a fantasia épica de Branca de Neve e o Caçador e as esquecíveis Lanterna Verde e O Legado Bourne, certamente tem a capacidade de nos apresentar partituras muito superiores a essa de Depois da Terra. Indiscutivelmente, ele é um dos melhores na Hollywood atual, e possui o talento necessário para continuar compondo mais belas trilhas – e os próprios pontos positivos de seu novo álbum comprovam isso. Fica a torcida para que, em seus próximos projetos, ele continue a demonstrar porque é um dos maiores de sua geração. 

Faixas:

  1. The History Of Man
  2. I’m Not Advancing You
  3. Pack Your Bags
  4. Leaving Nova Prime
  5. Can You Ghost?
  6. Ship Tears Apart
  7. Kitai Finds Cypher
  8. Get Me Into The Cockpit
  9. The Mission
  10. Baboons
  11. Kitai On Earth (02:56)
  12. Four Vials Remain, Sir (01:11)
  13. Run To The Falls (02:42)
  14. Abort Mission (02:02)
  15. Bird Attack (01:02)
  16. Nest Battle (02:03)
  17. Safety In The Hog Hole
  18. Saved By The Bird
  19. The Tail
  20. Dad, Are You There?
  21. Leech
  22. See The Peak
  23. Run To The Volcano
  24. Somewhere To Hide
  25. Chase Through The Cave
  26. Ghosting
  27. I Wanna Work With Mom
  28. After Earth

Duração: 57:23
Tiago Rangel

5 opiniões sobre “Resenha: AFTER EARTH – James Newton Howard (Trilha Sonora)”

  1. Também achei a trilha inferior ao padrao do compositor. Nao vi nada a respeito da trilha de Oblivion composta pela banda M83.
    Aguardo a resenha da trilha de men of steel.

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  2. Depois de curtir esta ficção, começa os créditos finais e de repente… vem uma música empolgante, um tema forte, mas o filme já acabou e está lá subindo os créditos a melhor faixa orquestral de todo o filme.
    Incrível,…. a tempos não via isto. Lembro qdo Lionel Richie ganhou seu Oscar pela canção que só toca quando o filme O SOL DA MEIA NOITE acaba. Por que o compositor não a utilizou na grande cena final do filme? Não,,….ele usou mesmo depois que o filme acabou.
    Talvez seja para as pessoas saírem do cinema mais animadas…

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