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Resenha: DREDD – O JUIZ DO APOCALIPSE (Blu-ray)


dredd_BDDREDD – O JUIZ DO APOCALIPSE
Produção: 2012
Duração: 95 min.
Direção: Pete Travis
Elenco: Karl Urban, Lena Headey, Olivia Thirlby, Jason Cope, Rakie Ayola, Warrick Grier
Vídeo 2D: 2.40:1 (1080p/AVC MPEG-4)
Vídeo 3D: 2.40:1 (1080p/MVC MPEG-4)
Áudio: Inglês (DTS-HD Master Audio 5.1), Português (Dolby Digital 5.1)
Legendas: Português, Inglês
Região: A, B, C
Distribuidora: Paris Filmes
Discos: 1 (25Gb)
Lançamento: 08/05/2013
Cotações: Som: **** Imagem: ***½ Filme: ***½ Extras & Menus: * Geral: ****½ 

SINOPSE
No futuro, a América é uma terra devastada e irradiada. Em sua Costa Leste fica Mega City One, uma vasta e violenta metrópole com mais de 400 milhões de cidadãos, que vivem perpetuamente amedrontados. Os únicos que tentam impor a ordem no caos urbano são os Juízes. O Juiz Dredd (Karl Urban) é o mais temido da elite de juízes das ruas, com o poder de impor a lei, sentenciar os criminosos e executá-los no local – se necessário. Ao confrontar Ma-Ma (Lena Headey), chefe do tráfico em um imenso prédio de 200 andares, Dredd e a juíza novata Anderson (Olivia Thirlby) se encontram encurralados, numa luta implacável pela sobrevivência.

COMENTÁRIOS
Temos aqui a segunda tentativa de adaptar para o cinema os violentos quadrinhos cult criados por Carlos Ezquerra e John Wagner. A anterior foi O JUIZ (JUDGE DREDD), filme de ação juvenil estrelado por Sylvester Stallone em 1995, que não agradou aos fãs, à crítica e nem ao público em geral. Um fracasso completo, portanto. Dezessete anos se passaram até que o Juiz Dredd recebesse uma nova chance cinematográfica, agora encarnado por Karl Urban (o Dr. McCoy dos filmes STAR TREK de J.J. Abrams).

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DREDD – O JUIZ DO APOCALIPSE (DREDD, 2012) foi rodado na África do Sul sob a direção de Pete Travis, com um roteiro de Alex Garland que procura ser fiel ao personagem e às HQs originais. Assim, ao contrário do que aconteceu no filme de 1995, Dredd nunca tira seu capacete e a trama é repleta de cenas sangrentas, mostradas sob o efeito da droga Slo-Mo (como o nome indica, para o usuário da droga o tempo passa muito lentamente, como se tudo acontecesse em câmera lenta – slow motion). Apesar do orçamento modesto a produção é bem cuidada, a direção de Travis é afiada como um bisturi e o elenco, sem grandes estrelas, dá conta do recado com competência, especialmente Urban e Lena Headey (a Cersei Lannister da série GAME OF THRONES).

No entanto, apesar de ser bem aceito pelos fãs e de ter recebido críticas na maior parte positivas, algo novamente deu errado. O maior problema é que a trama, exceto pelos personagens e os elementos futuristas, é praticamente uma cópia carbono do filme indonésio OPERAÇÃO INVASÃO (THE RAID – REDEMPTION, 2011), lançado um ano antes. A situação mostrada nas duas produções é basicamente a mesma: membros de uma equipe policial de elite ficam isolados em um prédio-cortiço dominado por um chefão das drogas, e tem de sobreviver aos ataques dos traficantes e habitantes do local e, ao final, enfrentar o chefão.

Garland, quando escreveu seu roteiro, provavelmente nunca imaginou que o longa indonésio fosse fazer sucesso fora do seu país, e o plagiou descaradamente. DREDD – O JUIZ DO APOCALIPSE, se isolado de OPERAÇÃO INVASÃO, é muito bom, e ao contrário do padrão dos filmes baseados em heróis da DC e Marvel, traz uma trama adulta que não faz concessões para atrair o público infanto-juvenil e, portanto, faturar a mais nas bilheterias. Uma pena que, apesar das declarações esperançosas de Garland e de Urban, seu fracasso financeiro certamente fará com que dificilmente vejamos novamente Dredd nas telas tão cedo – se é que ele retornará a elas algum dia.

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SOBRE O BD
Lançado no exterior pela Lionsgate, que não possui distribuição própria no Brasil, era fatal que DREDD – O JUIZ DO APOCALIPSE chegasse aqui através de uma distribuidora independente. Assim, a Paris lançou (mal) o filme em nossos cinemas e manteve o padrão (baixo) dos títulos em Blu-ray que chegam aqui pelas “nanicas”. Assim, para começar ela optou por lançar as versões 2D e 3D e um único disco, de modo similar ao BD norte-americano – a diferença, contudo, é que lá foi empregado um BD de camada dupla (50Gb), com espaço suficiente para incluir uma poderosa faixa de áudio lossless DTS-HD MA 7.1 (otimizada para o sistema Neo:X 11.1) e alguns extras. Já a nossa Paris Filmes conseguiu enfiar as transfers 1080p 2D e 3D (respectivamente AVC MPEG-4 e MVC MPEG-4) em um BD de camada simples (25Gb). Assim, como milagre só quem faz é Deus, para não comprometer demasiadamente a qualidade do vídeo com compressão excessiva, a faixa lossless recebeu um downgrade para 5.1, e os extras foram simplesmente eliminados.

Do lado positivo, contatamos que o AR original da tela, 2.40:1, foi mantido em nossa edição. Também no bitrate médio, que na edição norte-americana é de aproximadamente 27,5 Mbps, não houve grandes diferenças em relação ao nosso BD – pelos meus cálculos, ele é de 25,5 / 26 Mbps. A imagem, tanto em 2D como em 3D, em princípio não poderá agradar, já que não se caracteriza por cores vivas ou alto detalhamento constante. Contudo, o que vemos no Blu-ray é reflexo das opções estilísticas do diretor Pete Travis e do seu diretor de fotografia Anthony Dod Mantle, que optam pela predominância dos tons esverdeados e uma ambientação por vezes surreal, embaçada. Mas isso não impede que os detalhes finos, na maior parte do tempo, sejam muito bons. O maior problema da imagem de DREDD é o acentuado ruído digital perceptível em determinadas cenas escuras. Deduzo que se trata de um problema específico com uma das câmeras digitais empregadas nas filmagens, já que outras cenas similares não apresentam esse problema.

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Especificamente quanto à imagem 3D, o esquema de cores predominantemente monocromático não ajuda a acentuar a profundidade, e o que temos na maior parte do tempo é uma experiência sutil. As coisas melhoram nas sequências “Slo-Mo”, onde as cores são vivas, realçando o sangue que espirra dos ferimentos causados por balas que destroçam os corpos dos personagens. Quando assisti pela primeira vez DREDD em 2D, achei que o efeito dessas cenas em 3D seria nada menos que espetacular; no entanto, exceto por alguns momentos onde o sangue ou as balas voam em direção ao espectador, também achei que a profundidade deixou a desejar.

Já o áudio DTS-HD Master Audio 5.1 em inglês, apesar de ter perdido alguns canais em nossa mixagem, é dinâmico e envolvente, especialmente durante os (muitos) tiroteios do filme. Os graves são fortes, e os canais surround envolvem o ouvinte com eficazes efeitos direcionais. Mesmo nos momentos mais barulhentos os diálogos sempre soam claros, e a fidelidade geral é elevada. Fosse essa uma faixa lossless nativa 5.1 ela mereceria uma avaliação superior da minha parte, porém sabendo que ela é fruto de um downgrade de uma faixa de referência 7.1, sou obrigado a tirar pelo menos um ponto de sua nota. Mas reconheço que poderia ser pior caso o filme fosse lançado aqui pela Imagem, que adora substituir as faixas lossless DTS-HD MA por DTS-HR (lossy). Além do áudio DTS-HD-MA temos disponível uma dublagem em português Dolby Digital 5.1. As legendas disponíveis são português e inglês, e os menus simples, que oferecem as opções básicas de navegação e configuração, estão em português.

EXTRAS
O BD norte-americano de DREDD – O JUIZ DO APOCALIPSE não é repleto de extras, mas pelo menos traz seis featurettes de produção (os dois maiores com aproximadamente 15 minutos de duração), um prelúdio do filme em motion comic e o trailer do filme. Já o nosso, por usar um disco de camada simples, não traz qualquer suplemento.

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Jorge Saldanha

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