Resenha: TERAPIA DE RISCO (Filme em Destaque)


TERAPIA DE RISCO (Side Effects, EUA, 2013)
Gênero: Drama, Suspense
Duração: 114 min.
ElencoChanning Tatum, Rooney Mara, Jude Law, Catherine Zeta-Jones, Mamie Gummer, Vinessa Shaw, David Costabile
Trilha Sonora OriginalThomas Newman
RoteiroScott Z. Burns
Direção: Steven Soderbergh
Cotação***

Enquanto muita gente torce para a tantas vezes anunciada aposentadoria de Steven Soderbergh, fico na torcida para que sua carreira como cineasta se estenda por mais alguns anos. Com um filme exibido em Cannes este ano (BEHIND THE CANDELABRA, 2013) e com TERAPIA DE RISCO (2013) em cartaz nos cinemas brasileiros e de vários outros países, o diretor continua a exercitar a sua liberdade criativa, que é muitas vezes auxiliada por grandes nomes de Hollywood.

No caso de TERAPIA DE RISCO, temos Rooney Mara, Jude Law, Catherine Zeta-Jones e Channing Tatum encabeçando um suspense dramático sobre a indústria farmacêutica e o triste momento atual, em que transtornos de ansiedade e depressão se tornaram rotina, assim como o consumo de antidepressivos e ansiolíticos. A personagem do filme que, supostamente, sofre com esse problema é Emily (Mara), que começa a demonstrar fortes sintomas de depressão depois que o marido (Tatum) sai da prisão e procura retornar à rotina do lar e do trabalho.

Para procurar resolver o problema, a esposa procura a ajuda de um psiquiatra (Law), que, por sugestão da antiga psicanalista de Emily (Zeta-Jones), passa a tratá-la com um novo medicamento que ainda está em fase de testes. O medicamento aparentemente é o ideal para Emily, que sempre se sentia mal com os outros remédios prescritos. Ela passa a se sentir feliz novamente e a libido volta mais forte, para alegria do marido. Acontece que um efeito colateral é mostrado: o sonambulismo. O que acaba por desencadear um sério acidente.

TERAPIA DE RISCO se revela, então, mais um filme de mistério e investigação do que um drama ou uma tragédia, ao longo de sua segunda metade, que traz algumas revelações acerca de alguns personagens. E essas revelações acabam sendo o seu calcanhar de Aquiles, uma vez que se espera um filme mais sério sobre o assunto. Além do mais, a nomeação de alguns medicamentos de maneira talvez preconceituosa pode causar algum desconforto naqueles que os usam.

Ao contrário do que parecia, TERAPIA DE RISCO não é um filme-irmão de BUBBLE (2005), este sim o trabalho mais depressivo da carreira de Soderbergh. Talvez encontre ecos no segmento “Equilibrium”, do coletivo EROS (2004), mas apenas pela presença de psicanalistas. Em termos narrativos, porém, nada tem a ver com esses dois trabalhos. O roteirista, Scott Z. Burns, é o mesmo de outros dois trabalhos de Soderbergh: O DESINFORMANTE! (2009) e CONTÁGIO (2011), dois filmes que encontram mais detratores do que admiradores. Aparentemente, este é também o caso de TERAPIA DE RISCO, apesar de sua narrativa que não deixa de prender a atenção até o fim e que mostra mais uma vez a versatilidade de Soderbergh em trilhar vários gêneros e tons.

Ailton Monteiro

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