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Resenha: STAR TREK INTO DARKNESS – Michael Giacchino (Trilha Sonora)


Música composta por Michael Giacchino
Selo
: Varese Sarabande Records
Catálogo
: VSD-7198
Lançamento: 21/05/2013
Cotação: ****

Em 2009, para o recomeço da série Star Trek nos cinemas, o compositor Michael Giacchino, ao mesmo tempo, procurou respeitar a tradição musical da série e acrescentar a sua própria marca. As críticas foram positivas, e o score logo se tornou um dos pontos altos da carreira do compositor. Quatro anos depois, ele tem a chance de revisitar esse universo e dar prosseguimento a algumas ideias presentes no álbum anterior, ao mesmo tempo em que adiciona novas cores e texturas.

Na continuação do sci-fi, intitulada no Brasil Além da Escuridão – Star Trek, os heróis são atacados por um terrível e poderoso vilão, disposto a tudo para destruir a Federação. Trata-se, portanto, de uma história mais sombria que a de seu antecessor, e a trilha do filme procura seguir esse clima. Assim, Giacchino, nessa partitura, toma algumas liberdades e procura seguir caminhos e estilos que até então ele próprio não havia explorado antes. A música é mais grandiosa que no anterior, e possui maior dramatismo também. É como se, ao mesmo tempo, o músico tivesse se inspirado no Hans Zimmer ouvido em trilhas como Além da Linha Vermelha, O Último Samurai e Rei Arthur, bem como no estilo empregado por John Williams para a nova trilogia de Star Wars, em especial o Episódio III – mas sem perder sua própria identidade, é claro.

O álbum inicia exatamente da mesma forma que o anterior, ou seja, com o tema da franquia composto por Giacchino executado pelas trompas, seguido por um crescendo. A faixa prossegue então com um trecho de ação agitado, interpretado por toda a orquestra, que inclui também uma parte do tema de Spock que o compositor criou para o primeiro filme. Na sequência, temos a enérgica e tensa “Spock Drops, Kirk Jumps”, que inclusive conta com o coral para dar maior grandiosidade.

A terceira faixa, “Sub Prime Directive”, apresenta uma versão do tema principal, que virá a se tornar recorrente no álbum. Ao final, ela apresenta um trecho semelhante ao “Enterprising Young Men”, do álbum do primeiro filme. Em seguida, “London Calling” inicia com um motivo cíclico no piano, em estilo “pianinho”, que depois recebe acompanhamento da seção de cordas, finalizando com uma passagem de ação. A faixa seguinte, “Meld-Merized”, é dramática e melancólica, com as cordas insinuando um clima pesado de tensão. Ao final, o tema do vilão John Harrisson aparece pela primeira vez, soturno e sombrio.

Na sequência, “The Kronos Wartet” é uma faixa incomum para Giacchino. Ela lembra o estilo empregado por Zimmer em Anjos e Demônios, e emprega em sua orquestração uma mistura de corais “de guerra”, guitarras, sintetizadores e orquestra, numa melodia poderosa. Em seguida, ouve-se uma passagem atmosférica, porém ameaçadora, que vai crescendo até incorporar uma parte do tema de Harrisson ao final. A faixa seguinte, “Brigadoom”, possui dramaticidade e tensão crescentes, inclusive com uma interpretação melancólica do tema do antagonista.

O álbum prossegue com “Ship to Ship” e “Earthbound and Down”, duas faixas de ação repletas de energia. Na primeira, o grande destaque vai para um arpejo executado pelas cordas que, acompanhado pelos metais, confere grande força à melodia. Já na segunda, vale ressaltar o uso da percussão junto à orquestra, que acentua o clima de tensão e urgência.

A décima faixa, “Warp Core Values”, tem um tom quase elegíaco, e utiliza toda a orquestra e o coral para reforçar o drama. Ela é seguida pela bela e triste “Buying the Space Farm”, que utiliza as cordas, o piano e a harpa numa melodia melancólica, que lembra o estilo empregado pelo compositor na série Lost. A faixa, porém finaliza em tons sombrios, inclusive ao sugerir o tema do vilão.

O clímax é atingido com “The San Fran Hustle”, em que toda a orquestra é utilizada para representar a batalha final. Giacchino, que é um bom compositor de faixas de ação, aqui compõe uma melodia poderosa, repleta de tensão e adrenalina. Vale ressaltar também o bom trabalho de orquestração feito por Tim Simonec, que também regeu a trilha, que não deixa que nenhuma seção da orquestra seja desperdiçada. A faixa é seguida por “Kirk Enterprises”, que é, ao mesmo tempo, melancólica e triunfal. O tema principal retorna, com o coral acompanhando a orquestra, bem como o tema original, de Alexander Courage.

O score se encerra com “Star Trek Main Theme”, que apresenta novamente o tema principal, porém aqui interpretado de forma mais grandiosa e épica que no primeiro filme, com grande participação de toda a orquestra e o coral. O álbum ainda traz a faixa bônus “The Growl”, uma canção pop de estilo futurista – e que causa certo estranhamento, após o estilo orquestral de Giacchino.

A maior crítica, porém, que se pode fazer a esse álbum, é a sua curta duração. Contendo menos de cinquenta minutos de música, ele impede o desenvolvimento mais adequado dos novos temas desse filme. O maior prejudicado é o tema do vilão John Harrisson, que só faz apresentações esporádicas aqui e ali, mas nunca o ouvimos em sua forma completa. Talvez o lançamento de uma edição especial, com mais faixas, corrija esse problema (a exemplo do que houve com o álbum do primeiro filme), mas é dever das gravadoras apresentar o máximo possível da música composta para o longa, mesmo nas versões básicas dos álbuns.

Seja como for, Além da Escuridão – Star Trek é mais um bom trabalho de Giacchino. Talvez este seja o seu trabalho mais sombrio até agora, com boa parte das faixas direcionadas à ação e ao suspense. Mesmo assim, o score representa uma boa evolução da música do primeiro filme. Que ele continue assim caso seja chamado para a (provável) continuação da franquia.

Faixas:

  1. Logos – Pranking The Natives
  2. Spock Drops, Kirk Jumps
  3. Sub Prime Directive
  4. London Calling
  5. Meld-merized
  6. The Kronos Wartet
  7. Brigadoom
  8. Ship To Ship
  9. Earthbound And Down
  10. Warp Core Values
  11. Buying The Space Farm
  12. The San Fran Hustle
  13. Kirk Enterprises
  14. Star Trek Main Theme
  15. The Growl

Duração: 44:67

Tiago Rangel

22 opiniões sobre “Resenha: STAR TREK INTO DARKNESS – Michael Giacchino (Trilha Sonora)”

  1. Seria interessante se vocês fizessem uma atualização depois de ter assistido ao filme, comentando as impressões da trilha dentro do filme.

    Mais um ótimo trabalho do Giacchino, uma carreira muito boa que estou tendo prazer de acompanhar :)

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  2. No Youtube, vários canais postaram essa música chamada Ode to Harrison. Alguns dizem que está na versão Deluxe. Pode ser ouvida nesse link:

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  3. Tiago,

    Se eu não me engano, a faixa Ode to Harrison é basicamente a versão completa do tema do vilão, ouvido da forma como ele foi composto pelo Giacchino. No álbum da trilha, nós ouvimos apenas alguns trechos, como nas faixas 5 e 7. O tema foi até interpretado num concerto da música de Giacchino para os Star Trek (aqui o link: http://www.youtube.com/watch?v=CXjvlu33lW8). Imagino que, se a Varése lançar uma versão mais completa do score (assim como no primeiro filme), o tema irá aparecer de forma integral.

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  4. Tiago,
    Então… compartilhei o video justamente por causa do seu comentário (é com Tiago Rangel que estou conversando? kkkkk) sobre as reduzidas vezes que podemos ouvir o tema do vilão durante o álbum.

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  5. Eu realmente espero que tirem de vez o M.Giacchino do próximo Star Trek e coloquem a trilha tema de Jornada para os cinemas composta por Jerry Goldsmith. A saga de Jornada nas telas não seria essa bagunça com tema inicial se tivessem um produtor como George Lucas.
    Goldsmith já criou o tema imortalizado no primeiro e mantido somente nos filmes em que trabalhou, simplesmente lamentável. Lembrando que Jerry continuou criando novos temas para todos os jornadas em que trabalhou, mas sempre deixou claro o tema principal, como o tema da tv, bem como o tema dos Klingons.
    Um compositor da nova geração que sabe fazer ótimas composições e respeita o tema já concretizado universalmente é David Arnold que arrebentou nas trilha do agente britânico James Bond.
    Nem os produtores do clássico Jornada nas Estrelas queriam o tema da tv executado como um todo nas telas de cinema, e olha que puxaram a orelha do inesquecível Goldsmith como vimos nos extras da edição estendida de Jornada – O Filme.
    Meu voto vai para David Arnold, mesmo deixando claro que curto e muito o trabalho do Michael Giacchino, mas seu tema para jornada será sempre um subtema, um tema para estes novos filmes, mas não um tema de Jornada nas Estrelas.
    Uma certeza que os fãs de Star Wars terão ao ver as cenas iniciais do novo episódio da saga, não porque teremos John Williams de volta, mas porque J.J.Abrams não teria a coragem de mudar o tema com George Lucas ao seu lado.

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    1. Então como seria? O David Arnold no terceiro filme desta saga traria de volta o tema de Goldsmith da saga antiga? Utilizaria em alguns momentos o tema da saga nova? Continuaria usando também o tema do Spock do Giacchino?

      Também acho incrível o respeito que o Arnold tem pelos temas antigos em filmes em que ele é chamado para trabalhar. Vi isso em 007 e no terceiro Nárnia, em que respeitosamente ele utilizou os temas em vários momentos.

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      1. Então Tiago, eu já ficaria satisfeitíssimo se mantivessem ao menos o tema original do cinema de Star Trek. Pra mim não há lógica em criar um novo tema já imortalizado de um filme ou personagem em questão. Vi nos cinemas o novo Superman com o título Man of Steel, e curti muito a trilha de Hans Zimmer mas a exigência do produtor e do diretor do filme em não utilizar o tema reconhecido mundialmente de Superman só tirou a emoção na tela. Em Superman Returns ninguém reclamou de utilizar o tema do personagem, mas do filme em questão, que realmente em termos de aventura é muito chato. Abraços.

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    2. Xará, até entendo o seu comentario. Mas, se bem me lembro, Nicholas Meyer disse nos comentarios de A Ira de Khan que, pediu ao James Horner para não usar o tema de Goldsmith para The Motion Picture. Todos sabem que o orçamento de A Ira, era um quarto do primeiro filme e isso, inviabilizou a contratação de Jerry Goldsmith para o segundo. Desde então cada compositor contribuiu com um novo tema para a Jornada nas telonas. Concordo que ficaria melhor se cada um usasse o main theme de Goldsmith, e criassem uma trilha nova para cada filme, como Star Wars e a serie 007.

      E se Michael Giacchino fosse substituído pelo David Arnold, acredito que o segundo faria exatamente o que os demais compositores fizeram: criaria um novo tema usando o tema da serie de TV como base. James Horner fez isso em A Ira de Khan; o proprio tema do Goldsmith tem ecos do tema da Serie de TV; O Eidelman usou o tema no final de Star Trek VI…

      Você comentou se JJ, não teria coragem de mudar o tema de Star Wars. Só que aqui, temos um caso completamente diferente de Jornada: John Williams musicou todos os seis filmes e ajudou a estabelecer o universo de Star Wars com sua musica. E se, eventualmente, ele fosse substituído pelo Giacchino teriamos pelo menos, o main theme de Star Wars lá quando o Episodio VII fosse lançado nos cinemas.

      Quanto à trilha de David Arnold para A Viagem do Peregrino da Alvorada ela é, simplesmente, o melhor trabalho dele (eu a considero uma obra-prima). Quando ouvi a trilha pela primeira vez, fiquei surpreso ao perceber que o CD já tinha acabado. Ela é uma trilha extremamente agradavel de se ouvir. Ainda estou aguardando a resenha deste CD por aqui…

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      1. Correção: Concordo que ficaria melhor se cada um usasse o main theme de Goldsmith, e criassem uma trilha nova para cada filme, como Superman (sem levar em conta o Man of Steel) e a serie 007.

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      2. Realmente, na época do filme A Ira de Khan orçamento estava curto, mas ká entre nós, talvez tenha faltado um bom senso. Talvez se ligassem para Goldsmith dizendo, olha não temos grana para contratá-lo mas gostaríamos de manter o tema de Jornada nas telas para os demais filmes e quem sabe no futuro consigamos trazê-lo de volta. Acredito que teria grande chance de êxito.
        Eu sinto que os produtores e diretores, em sua grande maioria, não se ligam com temas de filmes e personagens, são raríssimos aqueles que respeitam o trabalho anterior.
        Stallone queria o tema em Rambo IV, Bryan Singer queria o tema de Superman, Cavaleiro Solitário tem o tema da clássica série de tv, 007 e Missão Impossível tem em todos, Harry Potter apesar da redução do tema nas telas, sempre aparece mesmo mudando de compositor ao longos dos anos.
        Concordo também com vc. sobre a música do terceiro Nárnia, fantástica, e acredito que nem tenha concorrido ao Oscar, afinal de contas, pra mim eles nunca ouviram as trilhas, os cds, os clássicos discos de vinil pra dar prêmio máximo a filmes como Rede Social,Brokeback Mountain entre outros. Abraços e valeu pela troca de idéias.

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