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Resenha: SOMOS TÃO JOVENS (Filme em Destaque)


SOMOS TÃO JOVENS (Brasil, 2013)
Gênero: Drama
Duração: 104 min.
Elenco: Thiago Mendonça, Sandra Corveloni, Marcos Breda, Laila Zaid, Bianca Comparato, Bruno Torres, Daniel Passi, Sérgio Dalcin, Conrado Godoy, Nathalia Lima Verde
Trilha Sonora Original: Carlos Trilha
Roteiro: Marcos Bernstein
Direção: Antonio Carlos Fontoura
Cotação***½

Se produzir bons filmes autobiográficos, especialmente de músicos, já é difícil nos Estados Unidos, no Brasil, então, deve ser um pouco mais complicado. Temos casos raros de cinebiografias bem-sucedidas, como 2 FILHOS DE FRANCISCO, de Breno Silveira, e ESTRADA DA VIDA, de Nelson Pereira dos Santos (que trata da carreira de Milionário e Zé Rico). CAZUZA – O TEMPO NÃO PARA e GONZAGA – DE PAI PRA FILHO também podem ser considerados.

Optar por um recorte da vida de Renato Russo foi uma boa decisão por parte dos envolvidos na produção de SOMOS TÃO JOVENS (2013). Afinal, se do jeito que ficou, pareceu uma colagem de eventos importantes de um parte da vida do cantor e compositor, imagina se o filme tivesse a intenção de mostrar os seus 36 anos de vida. Lembremos que, dentre os filmes de ficção sobre a vida dos Beatles, temos pelo menos dois belos exemplos: O GAROTO DE LIVERPOOL e BACKBEAT – OS 5 RAPAZES DE LIVERPOOL, que também optaram por recortes da vida dos envolvidos.

Dirigido por Antônio Carlos da Fontoura, SOMOS TÃO JOVENS é uma obra direcionada principalmente aos fãs da Legião Urbana. Há tantas canções da primeira fase da banda cantadas integralmente que é difícil imaginar uma pessoa que não seja fã vendo o filme com entusiasmo. De todo modo, isso é até possível, já que o andamento narrativo é bem agradável.

E por mais que o filme não explore de maneira mais aprofundada a personalidade de Renato Russo, o que é mostrado, somado com o que conhecemos do cantor, forma um todo que torna o filme uma experiência diferente para cada espectador, de acordo com sua relação de maior ou menor proximidade com a banda e seu mentor. A aura de Renato Russo, aliás, parece pairar em alguns momentos, especialmente nas interpretações de Thiago Mendonça das canções da banda. A cena em que ele canta “Ainda é Cedo” é bem emocionante. Passa a impressão de que o ator estava de fato comovido e é o ponto alto do filme.

No mais, o essencial está lá: a doença que ele teve que o deixou sem andar por um bom tempo, a descoberta do punk rock, o início e o fim do Aborto Elétrico, a amizade com Aninha, a homossexualidade, sua fase como Trovador Solitário e, finalmente, a criação da Legião Urbana. O filme deixa pouco espaço para explorar sua personalidade melancólica, preferindo mostrar um jovem disposto a se tornar cantor de uma banda de rock. Que não por acaso foi uma das mais importantes das décadas de 1980 e 1990, tida por muitos como a grande porta-voz de uma geração. Ou de grande parte dela, pelo menos.

P.S.: Não deixa de dar dó ver a cena de Renato na banheira dizendo seus planos de vida: dos 20 aos 40, seria roqueiro; dos 40 aos 60, cineasta; dos 60 aos 80, escritor. Uma pena que ele não tenha sequer chegado aos 40. Outro momento que bate uma saudade dele acontece também no começo, quando ele é visto tocando uma canção do Lô Borges. Ele havia dito em entrevista que pretendia gravar um disco só com covers do cantor mineiro, e também é de se lamentar que isso não tenha podido se concretizar.

Ailton Monteiro

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