STAR WARS EPISÓDIO VII: Michael Giacchino ou John Williams?


Recentemente, o diretor, roteirista e produtor J.J. Abrams foi oficializado no comando do vindouro Star Wars: Episódio VII. O longa será produzido pela Disney, que comprou a LucasFilm pela quantia de 4 bilhões de dólares, e marcará o início de uma nova fase na clássica franquia espacial, até então comandada por George Lucas. O anúncio foi amplamente discutido por toda a internet: afinal, será que vale a pena ressuscitar algo do passado, já tão bem encerrado no Episódio VI? Bem, o que antes era desconfiança logo se transformou em empolgação quando a empresa contratou a produtora Kathleen Kennedy (que tem no currículo filmes de diretores como Steven Spielberg e Robert Zemeckis), o roteirista Michael Arndt (de Pequena Miss Sunshine e Toy Story 3) e agora Abrams, que já havia resgatado do limbo outra franquia espacial com o bem sucedido Star Trek de 2009.

Mas, e quanto à música dos filmes? Bem, um dos elementos mais famosos da saga Star Wars é a clássica trilha sonora de John Williams. Famosíssima, a partitura é conhecida até por quem não acompanha música de cinema. Temas como o “Force Theme”, “Imperial March” e, claro, o “Main Title” (que alguns dizem ser a música não-popular mais executada da história) são mundialmente conhecidos por pessoas de todas as idades. Além disso, o American Film Institute reconhece o score do primeiro (ou quarto) filme como a maior trilha sonora de todos os tempos. Enfim, a música de Williams é um ícone cultural, de tal forma que é quase impossível imaginar um filme da série sem os famosos acordes. Mas será que isso continuará no Episódio VII?

Em primeiro lugar, não é impossível que Williams retorne para colaborar com Abrams. O diretor, simplesmente, pode decidir que o compositor é parte fundamental da franquia, e decida contratá-lo para a vindoura nova trilogia. Há uma chance disso acontecer, e de sermos presenteados com uma partitura inédita de Star Wars composta por John Williams, algo que não ocorre desde 2005. Entretanto, há dois fatores complicadores. Em primeiro lugar, o compositor (atualmente com 81 anos), tem trabalhado em ritmo bem menor do que antes. Na verdade, já há algum tempo que Williams é praticamente um compositor exclusivo de seu colaborador de longa data, Steven Spielberg. Ele até mesmo se recusou a voltar para o encerramento de outra franquia na qual trabalhou, Harry Potter, cedendo lugar a Alexandre Desplat. Além disso, desde o início de sua carreira Abrams tem colaborado com o compositor Michael Giacchino, tanto no cinema quanto na televisão. Por isso, ao escolher sua equipe para o longa, o diretor talvez decida contar com nomes mais familiares para apoiá-lo. Mas seria realmente um problema se Giacchino fosse o novo maestro da saga? Vamos fazer uma pequena análise de sua carreira.

Na última década, novos nomes de talento apareceram na música de cinema hollywoodiana, como Harry Gregson-Williams, Dario Marianelli, Brian Tyler e John Powell. É seguro dizer que, dessa nova geração, Michael Giacchino é um dos melhores. Inspirado pelas obras de seus mentores, como Jerry Goldsmith e o próprio Williams, o ítalo-americano é dono de um estilo à moda antiga, mais temático e orquestral. E, diferentemente de seus contemporâneos, Giacchino usa pouca influência eletrônica em seus trabalhos mais ambiciosos. Definitivamente, ele é o maior candidato a sucessor de Williams.

Dito isso, não é nenhuma bobagem dizer que o estilo musical de Giacchino casa com as características das partituras de Star Wars. Para começar, os scores da saga são fortemente temáticos, ou seja, possuem temas fortes e facilmente identificáveis para cada personagem ou situação, do sábio Mestre Yoda ao maligno Imperador Palpatine, do vilão Darth Vader à Princesa Leia, da Força à trágica história de amor entre Anakin Skywalker e a Rainha Amidala. Ora, as partituras de Giacchino também são fortemente temáticas, sempre possuindo dois ou três motivos reconhecíveis conduzindo a música. Além disso, seu score para a série Lost também procurou estabelecer temas fortes para os diversos personagens (dentre os quais destaco o do vilão Ben Linus, o love theme de Sawyer e Kate e o famoso “Life and Death”, do álbum da primeira temporada). Talvez, pelo fato das partituras de Star Wars serem tão reverenciadas, Giacchino acabe reutilizando os temas de Williams, mas duvido que ele vá perder a oportunidade de criar os seus próprios, como ele fez em Star Trek.

Mas será que um compositor tão novo (ou nem tanto, já que ele está com 45 anos atualmente) como Giacchino conseguirá criar algo com a complexidade das partituras de Star Wars? Afinal, estas trilhas transcenderam o chamado gênero da “música de cinema” e se tornaram peças famosas de música erudita. Isso é difícil de afirmar, mas, pelo lado positivo, Giacchino têm mostrado constante evolução em seus trabalhos, e trilhas como a oscarizada Up: Altas Aventuras, Super 8 e, principalmente, John Carter: Entre Dois Mundos são argumentos para isso. E as expectativas do que ele poderá fazer no vindouro Além da Escuridão – Star Trek são altas. Assim, talvez ainda não tenhamos visto todo o talento do músico e, para criar uma obra digna dos scores de Williams, ele provavelmente se esforçará ainda mais. Mesmo assim, um ponto de discórdia provavelmente será levantado entre mestre e aluno: enquanto John Williams colaborou com a renomada London Symphony Orchestra nas partituras da saga, Giacchino sempre trabalhou com a americana Hollywood Studio Symphony, orquestra destinada à gravação de trilhas sonoras, muito requisitada, porém competente.

A história já mostrou que, quando outros compositores assumem a batuta de Williams nas franquias, o resultado pode dar tanto certo (os trabalhos de Patrick Doyle, Nicholas Hooper e Alexandre Desplat na franquia Harry Potter foram, no mínimo, competentes) quanto errado (as trilhas das sequências de Superman: O Filme me vêm à memória). Porém, Giacchino tem como ponto a favor o fato de ser o compositor atual que mais segue os ensinamentos de John Williams. Ele já demonstrou que sabe ser respeitoso com o material original, sem deixar de adicionar seu próprio tempero, como visto em Star Trek. Por isso, se Williams decidir recusar voltar à franquia, não há músico mais indicado para substituí-lo, sem que a saga sofra uma mudança muito radical de estilo musical. Mesmo assim, ainda faltam dois anos para o filme estrear. Até lá, só poderemos fazer aquilo que os fãs mais fazem: especular.

E você, acha que Michael Giacchino seria um bom nome para Star Wars: Episódio VII ou acredita que John Williams deva voltar? E, se não for nenhum desses dois, quem deve ser? Deixe seus comentários abaixo.

Tiago Rangel

Anúncios

17 opiniões sobre “STAR WARS EPISÓDIO VII: Michael Giacchino ou John Williams?”

  1. Creio que John Williams, seja por respeito e carinho a Lucas, seja pelo fato de a partitura original ser tão querida pelo grande público, não só deve ser requisitado pela produção/direção da nova franquia SW, como acho que ele, quase com certeza, deve aceitar voltar à ativa e começar a nova saga, compondo a trilha para o episódio VII (se ainda estiver vivo e com saúde, claro). Mas, tal como vem fazendo nas últimas duas décadas, sairá de cena nas sequências, deixando o legado a ser continuado pela nova geração de compositores (sendo mesmo a melhor escolha para a “sucessão” o grande Giacchino, da excelente trilha de Ratatouille, injustamente esquecida pelo seu ótimo texto, Tiago).

    Curtir

  2. Na minha opinião, apenas o fato de não escolherem john williams para compor a trilha sonora contribuiria demais para os fãns comecassem a olhar com outros olhos para filme, em outras palavras, desaprovando a ideia.
    Como ocorreu com Superman Returns, que digamos de passagem, um filme horrivel ( tanto é que irão lançar OUTRO ”homem de aço”) apenas utilizaram o tema principal.
    Michael Giacchino é um compositor para filmes que nao necessitam de um tema que valha a pena ouvir, como por exemplo Darth Vader theme, ele é um compositor para filmes nao digo menos expressivos, mas filmes que a trilha sonora é a coisa MENOS IMPORTANTE. Nesse caso, john williams faz parte de todos os filmes do Star wars, e se o mesmo é um grande sucesso é devido a uma grande parte às partituas de Williams.
    Para finalizar, sera um erro fatal tirar john williams dos filmes e consequentemente correrão um grande risco de estragar O trabalho de TODOS OS FILMES DA SAGA.

    Curtir

  3. Opinião da Redação: dificilmente Williams retornará à franquia, devido à idade avançada ele não teria mesmo condições de compor as trilhas dos próximos três filmes. Haveria uma possibilidade maior de compor pelo menos para o Ep. VII se o Spielberg fosse o diretor, mas como não será as chances são praticamente zero. A dobradinha Abrams/Giacchino, que vem desde a TV e no cinema vem funcionando nas franquias MI e Star Trek, é praticamente certa. Assim, como já fez nos filmes citados, Giacchino comporá o score, utilizando alguns dos clássicos temas da franquia. Por outro lado, Abrams é fã declarado da franquia, pode ser que queira homenagear Williams, dando-lhe a oportunidade se despedir da saga em grande estilo no Ep. VII, com Giacchino assumindo no Ep. VIII…

    Curtir

  4. Gente, John Williams escreve músicas, ele não pratica esportes radicais e nem participa de maratonas! No caso de músicos, escritores e poetas, a idade não é fator relevante, até pelo contrário, com a idade a mente fica ainda mais aguçada e criativa. Idade não é sinônimo de senilidade ou Alzheimer. Por favor, gente, não matem o velhinho antes do tempo, ele nos deu tanta alegria e ainda nos dá. Ele só não participará do filmes SW se ele não quiser.

    Curtir

  5. Sábado passado, dia 09 de fevereiro, antes de começar a reger o tema de Star Wars, John Williams fez o seguinte comentário:

    “We’re about to play Star Wars and each time we play it, I’m reminded of the first time we played it decades ago. Neither I, nor George, nor anyone else involved thought this would go far or in a few years there would be a sequel and I’d have to revisit the themes…and years later another trilogy. Now we’re hearing of a new set of movies coming in 2015, 2016…so I need to make sure I’m still ready to go in a few years for what I hope would be continued work with George…”

    Tirem suas próprias conclusões!

    Curtir

    1. “so I need to make sure I’m still ready to go in a few years for what I hope would be continued work with George…”

      Eis a questão – Williams até gostaria de participar, mas não sabe se terá condições de fazê-lo por mais três filmes.

      Curtir

  6. Seja Williams ou Giacchino, uma coisa é certa: o mínimo que a trilha sonora do Episódio VII deve ter para manter a tradição e o legado musical de Star Wars é a abertura com o Main Title, o uso do tema da Força, a inclusão de novos temas e/ou motivos e o fechamento do filme com uma música que encerra com a introdução dos créditos finais acompanhados da Rebel Fanfare.

    Curtir

  7. Caramba!!!,meu cerebro deu um giro agora,não estava contando com a vontade do Williams compor para este filme, Seria sinistro se Fosse uma colaboração Williams/Giacchino.daí eu teria um infarte de felicidade.

    Curtir

    1. Concordo com você Michael, essa dobradinha seria fantástica!!!
      Mesmo porque, me perdoem aqueles que gostam ou amam Giacchino (eu mesmo sou um deles!), o estilo dele é quase idêntico (99%) ao de John Williams. Só Joel McNeely é 100% idêntico à John Williams.

      Curtir

    2. Eu só consigo ver uma colaboração entre Williams e Giacchino da seguinte forma: o Mestre comporia os temas principais e o discípulo ficaria com a trilha incidental utilizando variações dos temas.

      Curtir

  8. gente, pelo amor de Deus, vai acontecer a mesma coisa com o 007, saiu o John Barry ficou uma #@##%, Giacchino ainda tem muito a percorrer…

    Curtir

  9. Seria extraordinário a parceria John/Abrams! Como fã de J. Williams (e também do diretor) seria uma celebração. Mas como todo diretor tem seu compositor preferido, o escolhido com certeza será Giaccino (vide também declaração de Williams acima). Não vejo isso de forma ruim. Giaccino tem seu valor e, claro, o tema de John Williams será preservado. O fato do mestre ser octagenário não o inviabiliza como compositor, mas ele mesmo está se preservando. Afinal ele já é imortal!

    Curtir

  10. O estilo da trilha de Star Trek foi claramente inspirado no de Star Wars, e a trilha de Super 8 é a declaração de amor do Michael Giacchino aos trabalhos do John Williams. E assim como o proprio Williams, o Giacchino sempre faz da sua trilha um personagem do filme. Em UP – Altas Aventuras, a sequência que narra o passado do Carl Fredricksen com a sua esposa foi narrada só através da música. Em suma: não tem compositor mais perfeito do que ele para substituir o velho John.

    Curtir

  11. Algo me diz que se Harrison Ford, Carrie Fischer e Mark Hamill voltarem a resprisar seus papéis, John Williams também assinará a trilha sonora. Não creio que ele estando com boa saúde, se convidado, dirá não à oportunidade de “rever” velhos amigos!!

    Curtir

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s