Resenha: SETE PSICOPATAS E UM SHIH TZU (Filme em Destaque)


seven_psySETE PSICOPATAS E UM SHIH TZU (Seven Psychopaths, Reino Unido, 2012)
Gênero: Comédia
Duração: 109 min.
Elenco: Michael Pitt, Sam Rockwell, Colin Farrell, Abbie Cornish, Christopher Walken, Helena Mattsson, Linda Bright Clay, Harry Dean Stanton, Woody Harrelson, Zeljko Ivanek, Long Nguyen, Tom Waits, Brendan Sexton III, Olga Kurylenko, Bonny the ShihTzu
Trilha Sonora Original: Carter Burwell
Roteiro:  Martin McDonagh
Direção: Martin McDonagh
Cotação***½

Há algo de muito estranho nos filmes de Martin McDonagh. Uma melancolia que destoa de seu humor, que não deixa de ser bem britânico, mas traz algo próprio. E isso se reflete em SETE PSICOPATAS E UM SHIH TZU (2012). Por mais que o diretor tente fazer uma comédia de humor negro com influências de Quentin Tarantino e de seu copiador britânico oficial, Guy Ritchie, com uma edição rápida e esperta, ele acaba não conseguindo. Pelo menos não da maneira como se esperaria. E, principalmente após a revelação do sétimo psicopata, uma espécie de torpor abate o filme, da mesma maneira que abate os três personagens principais, vividos por Colin Farrell, Sam Rockwell e Christopher Walken.

É quando o filme perde um pouco de sua graça. Mas, ao final, é como se aquilo fosse proposital, não um acidente de percurso ou um erro do cineasta. Ao lembrarmos do tom de NA MIRA DO CHEFE (2008), um filme que não se define bem entre uma comédia e um drama, podemos ter uma noção do que esperar de SETE PSICOPATAS E UM SHIH TZU, embora este novo trabalho seja mais torto, irregular, com mais gorduras. Ainda assim é um belo trabalho. Desses que fazem a diferença num circuito cheio de filmes que pouco ousam.

Na trama, Colin Farrell é Marty, um escritor de roteiros que pretende escrever um filme chamado “Sete Psicopatas”. Acontece que a única coisa que ele tem é o título. E mais: ele é um sujeito extremamente pacífico. Tanto que ele quer fazer um filme com esse título, mas sem violência, a começar por um psicopata budista. Esses primeiros momentos do filme são divertidos. Até pelo absurdo da situação.

E há também a trama que leva o filme para mais longe: a do grupo de sequestradores de cães. Eles roubam os cães, esperam os donos colocarem o valor da recompensa e entregam os seus bichos para seus donos, faturando um bom dinheiro. Quem encabeça o negócio é o personagem de Christopher Walken, mas o amigo de Marty, vivido por Sam Rockwell, também participa, já que é um ator desempregado. Nessa brincadeira, eles acabam roubando o cachorro de um violento gângster (Woody Harrelson).

O filme ainda conta com participações bem-vindas de Abbie Cornish, Olga Kurylenko, Michael Pitt e principalmente de Tom Waits, no papel de um psicopata em busca de sua amada. E o engraçado desse monte de absurdos é que eles são parte orgânica do filme. Assim como a história “criada” por Farrell ou seu sonho do psicopata vietnamita.

Mas o que mais chama a atenção mesmo é a melancolia, um desapegar-se da vida que os três protagonistas carregam, tornando o filme mais amargo do que se esperaria. Há, inclusive, uma trilha sonora que parece ir no caminho contrário do humor, como que para denunciar o vazio existencial de seus personagens. Eis um filme que pode ter os seus defeitos, mas que tem todo o meu respeito por andar por caminhos espinhosos com tanta coragem.

Ailton Monteiro

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