the-walking-dead-2-temporada-BDThe Walking Dead –The Complete Second Season
Produção: 2011. 2012
Duração: 600 min.
Direção: Vários
Elenco: Andrew Lincoln, Jon Bernthal, Sarah Wayne Callies, Laurie Holden, Jeffrey DeMunn, Steven Yeun, Chandler Riggs, Norman Reedus, Iron E Singleton, Melissa McBride, Scott Wilson, Lauren Cohan, Madison Lintz
Vídeo: Widescreen Anamórfico 1.78:1 (1080p/AVC MPEG-4)
Áudio: Inglês (DTS-HD Master Audio 5.1), Português (Dolby Digital 2.0)
Legendas: Português
Região: A, B, C
Distribuidora: PlayArte
Discos: 2 (50Gb)
Lançamento: 19/09/2012
Cotações: Som: **** Imagem: ***½ Filme: ****  Extras & Menus: ***½ Geral: ***½ 

SINOPSE
Quando o mundo é virado do avesso pelo verdadeiro apocalipse zumbi, um pequeno grupo de sobreviventes liderado pelo policial Rick Grimes tenta continuar vivo enquanto os mortos caminham famintos ao seu redor. Conforme tentam encontrar um lugar seguro para se estabelecer, eles acabam descobrindo que o maior desafio desta nova realidade, mais do que escapar das decrépitas criaturas sem alma, é manter a sua própria humanidade intacta em meio a esta situação. Sobreviver tornou-se sinônimo de “manter-se humano”. E alguns humanos podem ainda ser mais perigosos do que os zumbis. A série é baseada na cultuada HQ de Robert Kirkman.

COMENTÁRIOS
THE WALKING DEAD, hoje, é a maior recordista de audiência na TV paga de todos os tempos. No momento em que escrevo esta resenha a série está no intervalo de uma empolgante terceira temporada, e tudo indica que seu sucesso está longe de arrefecer. Na temporada inicial, com apenas seis episódios, fomos apresentados ao xerife Rick Grimes (Andrew Lincoln), que após ser ferido em um tiroteio acorda abandonado em um hospital e logo descobre que a sociedade desmoronou, e as ruas estão tomadas por mortos-vivos. Posteriormente ele conseguirá se reunir ao grupo de sobreviventes que inclui sua esposa Lori (Sarah Wayne Callies) e seu filho Carl (Chandler Riggs), o ex-colega Shane Wilson (Jon Bernthal), Andrea (Laurie Holden), Dale (Jeffrey DeMunn), Glenn (Steven Yeun), Merle (Michael Rooker), Daryl (Norman Reedus), T-Dog (Iron E Singleton), Carol (Melissa McBride) e Sophia (Madison Lintz).

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O início da segunda temporada encontra o grupo, após sua fuga de Atlanta, em uma estrada repleta de carros abandonados, e não demora para que surja uma imensa horda de zumbis. Em meio à luta pela sobrevivência a filha de Carol, Sophia, desaparece, e pelo menos boa parte da temporada lidará com a possibilidade da garota ainda estar viva. Carl é ferido acidentalmente por um disparo feito por um fazendeiro, que leva o grupo à propriedade rural do veterinário Hershel Greene (Scott Wilson), que tentará salvar a vida do menino. No refúgio da fazenda conhecemos os novos personagens da segunda temporada, que além de Hershel incluem suas filhas, sendo que uma delas, Maggie (Lauren Cohan), ganhará maior relevância na trama, que não pode ser mais detalhada já que isso estragaria as surpresas para quem ainda não assistiu ao programa.

A expansão da segunda temporada para 13 episódios claramente levou a uma diminuição no ritmo da trama, com os produtores acentuando o drama e aprofundando o desenvolvimento dos personagens – afinal, apesar de os zumbis serem o aspecto mais chamativo da série (e eles fazem algumas aparições memoráveis, vide o “zumbi do poço”), é o grupo de sobreviventes e, algumas vezes, seus antagonistas humanos, que levam a série adiante. Certamente alguns aspectos de “novelão” irritaram os fãs, especialmente o que envolve a gravidez de Lori e seu triângulo amoroso com Rick e Shane. Felizmente isso é compensado pela solidez da construção narrativa, e principalmente a partir da metade final da temporada, a ação e a tensão retornam com mais força e a série exibe todas as qualidades que demonstram o porquê dela ser um dos programas mais criativos e promissores hoje em produção.

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Certamente um fator importante para isso é que Robert Kirkman, autor dos quadrinhos originais de THE WALKING DEAD, atua como produtor executivo e roteirista. Também na equipe de produção estão a veterana Gale Anne Hurd, Glen Mazzara e o mestre dos efeitos de maquiagem Greg Nicotero, que inclusive dirigiu um dos episódios. Infelizmente o produtor, roteirista e diretor Frank Darabont, que convenceu o canal pago AMC a bancar o programa, saiu da equipe ainda na primeira metade dessa temporada, devido a divergências com os dirigentes da emissora, permanecendo, no entanto, creditado até o final como produtor executivo. Felizmente, como comprova o espetacular episódio final da segunda temporada e os episódios atualmente em exibição, o restante da equipe soube manter o elevado padrão desta até então inédita, na TV, combinação de terror, ação e drama.

SOBRE O BD
Quando soube que THE WALKING DEAD seria lançado em DVD e Blu-ray no Brasil pela PlayArte e não pela Fox, que distribui a série internacionalmente, a preocupação foi inevitável. Afinal, as distribuidoras majors fazem das suas, mas são as independentes que mais desrespeitam o material que disponibilizam, tanto na apresentação como na parte técnica. Quando finalmente a primeira temporada saiu por aqui fiquei mais aliviado, já que apesar de alguns deslizes menores (embalagem do BD inferior à da edição em DVD, pequenos erros de impressão e tradução), ela manteve o nível técnico e o conteúdo de extras da edição standard norte-americana. Infelizmente, esta segunda temporada repete os probleminhas da anterior e não mantém sua qualidade técnica – o preço de lançamento, contudo, continua salgado.

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Não vou me alongar em questões menores, como a embalagem novamente simplória, algumas inconsistências nos menus ou o volume excessivo da sua música de fundo, mas vou direto ao ponto principal: esta segunda temporada mais uma vez possui apenas dois discos de dupla camada (BD50), apesar de ter mais do que o dobro de episódios da anterior – a edição norte-americana, por trazer alguns extras adicionais, tem quatro discos, e a europeia, que tem o mesmo conteúdo da nossa, possui três. E aqui você já deve estar deduzindo qual é o grande drama da edição em Blu-ray nacional: para que o conteúdo de três BDs de dupla camada coubesse apenas em dois, sacrifícios teriam de ser feitos. E o foram.

A faixa lossless em inglês, que na edição norte-americana é Dolby TrueHD 7.1, aqui foi transmutada em DTS-HD MA 5.1. Sua qualidade é ótima em termos de fidelidade e reprodução de graves e diálogos, mas com dois canais a menos comparativamente perde envolvimento na reprodução dos efeitos ambientais. Além disso, no episódio “Nebraska”, ocorre algo que nunca ouvira antes: em duas cenas os canais surround repetem o áudio de alguns segundos antes. E em certo trecho do episódio final, por uns dois minutos a dublagem em português fica sem sincronia com a imagem. A propósito, a dublagem em português segue sendo apenas DD 2.0.

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Mas é no vídeo que está o maior problema. Os episódios novamente receberam transferências anamórficas MPEG-4 1080p que preservam a proporção de tela original 1.78:1. A diferença está na maior compressão agora aplicada, a fim de que 13 episódios, extras, respectivas faixas sonoras e legendas (apenas em português) coubessem nos dois discos. Assim o bitrate médio de vídeo, que na primeira temporada era de bons 24 Mps, caiu drasticamente para 16 Mps. O resultado fica bem visível na tela, ainda que não em todos os episódios. De modo geral, se comparada com a primeira temporada, esta possui imagem menos nítida – a redução da granulação, forte já que continua o emprego de película Super 16mm nas filmagens, já é um indicativo disso. As cores não são tão vivas, e os pretos se revelam menos consistentes. As cenas de interiores são as mais soft, e na sequência em que Shane raspa a cabeça no banheiro cheio de vapor, a granulação se degrada e cria ruídos de fundo. Adicionalmente, em algumas cenas escuras percebemos artefatos típicos de compressão. Apesar de tudo isso, em Blu-ray a qualidade dos episódios ainda é consideravelmente superior à das transmissões HD da Fox, que além de terem resolução 1080i empregam compressão maior. Mesmo assim é lamentável que, para reduzir seus custos, a PlayArte tenha optado por comprometer a qualidade de um dos melhores títulos que possui em seu catálogo. Se a distribuidora não tem como lançar edições com embalagens caprichadas para colecionadores, como a muito procurada lá fora “cabeça de zumbi”, que pelo menos faça um básico bem feito. Ou então, que ceda os direitos da série para uma distribuidora que a trate com o capricho e o esmero que merece.

EXTRAS
Não sei se dá para considerar como extra, mas a PlayArte incluiu na embalagem um card promocional da terceira temporada de THE WALKING DEAD, que começou a ser exibida em outubro último na Fox. Aliás, nada inteligente a ideia de colocar o trailer da nova temporada antes do menu do disco 1 deste box, já que contém spoilers para quem ainda não assistiu aos episódios da segunda. Mas voltando aos extras, a primeira observação a fazer é que nossa edição não traz os comentários em áudio de cinco episódios e das cenas eliminadas, além dos seis capítulos de uma websérie com locais e personagens diferentes dos vistos no programa – material esse disponível no box norte-americano com quatro discos. O que temos na edição nacional são os vídeos que seguem, todos em HD e com legendas em português. É o mesmo conteúdo da edição europeia, que no entanto não contém opções em nosso idioma:

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  • Episódio 01 “O Que Te Aguarda” – Versão Estendida – (62:45 min.) – A versão estendida do episódio inicial da temporada foi incluída como extra. Ela é melhor da que foi exibida na TV, está em 1080p mas a única opção de áudio disponível é inglês 2.0;
  • Por dentro das Entranhas (5:32 min.) – Os bastidores das filmagens da nauseante “autópsia” que Dale e Rick fizeram em um zumbi, para verificar se ele havia devorado a garota desaparecida;
  • Uma Morte Difícil (6:18 min.) – Uma visão sobre o trabalho de Greg Nicotero na temporada, e como o título (erroneamente listado na embalagem como “Uma Noite Difícil”) do featurette indica, destaca a morte de um dos importantes personagens da série;
  • A Tinta Ganha Vida (9:04 min.) – O criador dos quadrinhos e co-produtor e roteirista da série, Robert Kirkman, faz uma comparação entre a série e a HQ que lhe deu origem;
  • Fogo no Set (6:08 min.) – Este vídeo é dedicado à fazenda de Hershel e ao incêndio do celeiro, que foi construído especialmente para a série na locação real;
  • O Som dos Efeitos (4:30 min.) – Extra que ressalta o trabalho dos técnicos de efeitos sonoros da série;
  • Viva ou Deixe Morrer (6:50 min.) – Featurette dedicado ao personagem Shane, comparando sua trajetória na série e nos quadrinhos;
  • Ela Irá Lutar (5:39 min.) – Outro extra focado em um personagem, dessa vez destacando o desenvolvimento de Andrea ao longo das duas primeiras temporadas;
  • No Poço da Morte (5:03 min.) – Os bastidores da nauseante cena do zumbi no poço da fazenda;
  • O Recheio Musical (7:52) – Featurette dedicado à trilha sonora da série, composta por Bear McCreary (BATTLESTAR GALACTICA), e que mostra os bastidores das gravações da música do episódio final da temporada;
  • Cenas Deletadas (29:18 min.) – Coleção de 19 cenas eliminadas de vários episódios. Não há a opção de assistir a todas, o que faz com que tenhamos de selecioná-las individualmente e, após, retornar ao menu – que ainda por cima não seleciona automaticamente a cena seguinte, o que torna a tarefa de assistir todas as cenas meio trabalhosa;
  • O Elenco da 2ª Temporada (4:49 min.) – Feito para divulgar o programa antes da estreia, este vídeo traz o elenco falando sobre o que a segunda temporada reservaria para os seus personagens;
  • Figurino (2:48 min.) – A figurinista da série fala sobre os desafios de vestir os  vivos e os mortos-vivos da série.

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Jorge Saldanha

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