Resenha: FRANKENWEENIE (Filme em Destaque)


FRANKENWEENIE (Frankenweenie, EUA, 2012)
Gênero: Animação
Duração: 87 min.
Elenco:  Winona Ryder, Catherine O’Hara, Martin Short, Conchata Ferrell, Tom Kenny, Martin Landau, Atticus Shaffer, Charlie Tahan, Robert Capron, James Hiroyuki Liao, Christopher Lee
Trilha Sonora OriginalDanny Elfman
Roteiro:  John August
Direção: Tim Burton
Cotação***

A figura do escritor que perdeu a inspiração que tinha outrora, tantas vezes mostrada no cinema, cabe muito bem para Tim Burton, um cineasta que começou a carreira mostrando muita criatividade e amor, dentro do seu estilo gótico, mas que aos poucos, principalmente a partir dos anos 2000, foi se repetindo, sem conseguir fazer um trabalho ao mesmo tempo inédito e capaz de entusiasmar os espectadores que o acompanham desde o início.

Há uma cena em FRANKENWEENIE (2012) que pode representar muito bem o que pode ter acontecido com Burton. Como quase todo mundo já deve saber: o filme é sobre um garotinho que consegue ressuscitar o seu cachorrinho que morre atropelado, usando as mesmas técnicas vistas em FRANKENSTEIN (tomemos o filme de 1931 como base, em vez dos demais).

Pois bem. Ele consegue trazer a vida de volta ao seu cão, que se mostra tão amoroso quanto era antes de morrer. Mas há um colega de classe que descobre que o cão de Victor – o nome do garoto é Victor Frankenstein – foi ressuscitado. E pede para que ele faça o mesmo para ele, de modo que ele tenha chances de vencer na feira de ciências da escola. Victor dá vida, então, a um peixinho, mas os resultados não são muito bem sucedidos. Ele pergunta o porquê ao seu professor – que é a cara do Vincent Price – e ele diz que o primeiro experimento deu certo porque ele fez com o coração, não somente com a razão.

Isso cabe muito bem para os filmes iniciais de Burton, que tinham uma pujança, uma beleza toda especial. Tomemos o exemplo de dois de seus primeiros curtas – VINCENT (1982) e FRANKENWEENIE (1984). São declarações de amor que talvez só seriam vistas em longa-metragem de maneira proporcional em ED WOOD (1994), sua obra-prima.

Tudo bem que Burton não deixou de amar os seus velhos filmes e seus ídolos, e isso pode ser visto na enorme quantidade de referências que perpassam FRANKENWEENIE, o longa-metragem que ele resolveu fazer a partir de seu belo curta. Mas acontece que o filme funciona muito bem até a sua primeira metade. À medida que vai se aproximando do clímax, vai ficando menos interessante. Inclusive a trilha sonora de Danny Elfman, no piloto automático, chega a incomodar.

De todo modo, FRANKENWEENIE é talvez o melhor trabalho de Burton da última década, não só pelo cuidado com que é feita a animação em stop motion, como pela fotografia em preto e branco que remete aos clássicos de horror da Universal – em especial aos principais homenageados: FRANKENSTEIN e A NOIVA DE FRANKENSTEIN. Além das piscadas de olho para os fãs de filmes de horror que não param de aparecer ao longo da trama.

Mas será que Tim Burton chegou a um momento de sua carreira em que não consegue fazer mais nada realmente original e de impacto? Seu 16º longa-metragem, ainda que carregue um pouco da centelha de seu curta, só confirma a que ponto ele chegou. Até mesmo o protagonista é “emprestado” de A NOIVA-CADÁVER (2005), embora apareça com o sobrenome mudado. A tentativa de renovar sua paixão através da nostalgia de seus filmes da mocidade não deixa de ser válida. Mas e agora? Que caminho ele seguirá?

Ailton Monteiro

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