Resenha: OS INFRATORES (Filme em Destaque)


OS INFRATORES (Lawless, EUA, 2012)
Gênero: Drama
Duração: 116 min.
Elenco:  Tom Hardy, Guy Pearce, Gary Oldman, Shia LaBeouf, Jessica Chastain, Mia Wasikowska, Dane DeHaan, Noah Taylor, Jason Clarke, Lew Temple, Eric Mendenhall, Alex Van, Chris McGarry, Ricky Muse
Trilha Sonora OriginalNick Cave
Roteiro:  Nick Cave, Warren Ellis
DireçãoJohn Hillcoat
Cotação****

Seguindo a tradição do sangrento e emblemático BONNIE & CLYDE – UMA RAJADA DE BALAS, de Arthur Penn, que por sua vez já era herdeiro dos polêmicos filmes de gângster da Warner da década de 1930, OS INFRATORES (2012), de John Hillcoat, é uma das mais gratas surpresas do ano. Aos poucos Hillcoat vem solidificando sua carreira e ganhando mais atenção, não só da crítica, como também do público. No caso de OS INFRATORES, o elenco estelar ajuda bastante, mas nada como ter perfeito controle da narrativa para deixar o espectador satisfeito.

O filme de Hillcoat adapta o livro The Wettest County in the World, escrito pelo neto de Jack Bondurant, no filme interpretado por Shia LaBeouf. O jovem astro interpreta o caçula dos irmãos que sobreviviam destilando uísque e conhaque durante a Lei Seca nos Estados Unidos do início da década de 1930, quando o país passava pela chamada Grande Depressão. Completam o grupo de irmãos os atores Tom Hardy e Jason Clarke, nos papéis de Forrest e Howard, respectivamente.

Vale destacar a performance de Hardy, que tem se mostrado diferente em cada produção, provando que tem talento debaixo dos músculos. Ele aparece ainda com aquele corpo do Bane, de BATMAN – O CAVALEIRO DAS TREVAS RESSURGE; por isso, o aspecto quase indestrutível de seu personagem acaba sendo fácil de ser “comprado” pelo espectador, ainda que, em determinado momento, eu tenha suspeitado que sua invencibilidade tivesse chegado ao fim.

Outro trunfo do filme é ter uma violência que contagia, não só pelo aspecto gráfico, mas principalmente por ter um antagonista de peso, na figura de Guy Pearce, que faz um vilão tão odioso que é impossível não torcer por sua morte ou sofrimento, de preferência nas mãos dos irmãos Bondurant. Há diversas sequências impactantes envolvendo Pearce, mas nada como o clímax, no final, que encerra com chave de ouro este belo trabalho de Hillcoat, que já havia mostrado talento e sensibilidade no drama pós-apocalíptico A ESTRADA (2009).

Boa parte do sucesso do filme também se deve à parceria que o cineasta fez com o cantor Nick Cave, que aqui se saiu muito bem como roteirista e autor das canções do filme, junto com Warren Ellis (não confundir com o homônimo e talentoso escritor de histórias em quadrinhos). Cave já havia trabalhado também na função de roteirista em outros dois trabalhos de Hillcoat, A PROPOSTA (2005) e o pouco conhecido GHOSTS… OF THE CIVIL DEAD (1988).

Não posso encerrar o texto sem mencionar o belíssimo elenco de apoio, em especial Jessica Chastain e Mia Wasikowska, duas das melhores revelações femininas dos últimos anos. Vale destacar também o trabalho do jovem Dane DeHaan (de PODER SEM LIMITES), que interpreta o ajudante dos irmãos Bondurant na destilaria e melhor amigo de Jack. Há também, ainda que em participação pequena, Gary Oldman, grande camaleão do cinema contemporâneo, muito à vontade na pele de um poderoso gângster do estado da Virgínia.

Ailton Monteiro

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