Resenha: BRAVE – Patrick Doyle (Trilha Sonora)


Música composta por Patrick Doyle, interpretada pela London Symphony Orchestra, regida por James Shearman
Selo: Walt Disney Records
Catálogo: 001405202
Lançamento: 19/06/2012
Cotação: ***½

A animação Valente, o primeiro conto de fadas da premiada produtora Pixar, tem seu enredo passado na mítica Escócia medieval. Assim, a cultura e a organização social daquele local possuem uma importante parte na trama do filme, que conta a história de uma princesa rebelde. E a música, obviamente, não poderia destoar do tom do longa. Logo, Patrick Doyle, o compositor escolhido, tem a mesma nacionalidade dos personagens do filme. Isso é importante porque Doyle, como um nativo, fez um grande trabalho de pesquisa, e produziu uma trilha repleta da tradição escocesa, com uma importante participação de instrumentos tradicionais, como gaitas de foles, bodhrán (um instrumento de percussão da cultura irlandesa), Clàrsach (uma harpa céltica), flautas típicas e um violino solo, com uma afinação própria para músicas escocesas.

Doyle é, certamente, um dos compositores mais subestimados da atualidade. Suas trilhas fortes, repletas de passagens grandiosas, sempre causam uma forte impressão no ouvinte. Não é à toa que boa parte de seus scores foram executados pela famosa London Symphony Orchestra (responsável por interpretar as partituras da hexalogia Star Wars, entre outros trabalhos de renome). Em Valente, entretanto, Doyle optou por investir em um score mais intimista, com grande presença de melodias na melhor tradição céltica.

Nesse sentido, essa trilha lembra tanto Coração Valente como Titanic, ambas compostas por James Horner, e que também possuem bastante instrumentação escocesa. A diferença é que Doyle vai ainda mais a fundo do que Horner na exploração dessa tradição musical. Assim, mesmo que aqui também seja utilizada a London Symphony Orchestra, em diversos momentos a orquestra executa apenas um acompanhamento, com a melodia principal a cargo ora da gaita de foles, ora do violino, ora de flautas étnicas.

Dessa forma, aqueles que não se acostumarem a esse tipo de música podem acabar achando a trilha cansativa. Entretanto, o ouvinte com uma mente mais aberta vai perceber belas passagens nesse score, que comprovam o talento do compositor. Aqui nós temos divertidos momentos cômicos, típicos de um desenho animado (como em “Throuh the Castle”), outros de suspense (por exemplo, “Merida Rides Away”), e alguns bonitos trechos melancólicos (em faixas como “In Her Heart” e, principalmente, a belíssima canção de ninar que é “Noble Maiden Fair”, interpretada pela atriz Emma Thompson).

Vale ressaltar também a elegante introdução ao score que é a faixa “Fate And Destiny”. Esta inicia-se com uma passagem bastante mística, a cargo da gaita de foles e da flauta étnica, com o acompanhamento de cordas e percussão, antes de se transformar em uma autêntica e agitada dança céltica. Em seguida, entra um trecho tranqüilo, com proeminência das cordas e da harpa, ressaltando um período de paz para os heróis antes de encararem seu destino.

Mas o grande destaque deste álbum fica mesmo por conta de suas ótimas duas últimas faixas. A primeira, intitulada “We’ve Both Changed”, inicia-se como um forte trecho de ação, interpretado por toda a orquestra, destacando-se os instrumentos de sopro e a percussão (como de costume nas trilhas de Doyle). Logo após isso, a faixa exibe uma bonita melodia dramática, onde há o retorno da canção de ninar de “Noble Maiden Fair”, acompanhando as cordas e o violino celta. Em seu final, a música se torna mais otimista, indicando o triunfo dos protagonistas sobre as adversidades, numa passagem que traz à memória o tema de Esqueceram de Mim, composto por John Williams. A última faixa, a épica “Merida’s Home”, lembra o estilo do compositor em Thor, com destaque para a percussão acompanhando a orquestra e a flauta étnica, enquanto estas executam o tema principal do longa.

Enfim, ainda que Valente não possua a grandiosidade bombástica de obras anteriores do compositor, como Harry Potter e o Cálice de Fogo ou mesmo Eragon, essa trilha possui méritos o suficiente para demonstrar o talento de Doyle. Ele, que sempre colocou em seus scores de um estilo musical europeu (mais especificamente, do Reino Unido), aqui teve a oportunidade de homenagear sua terra natal, com uma trilha tipicamente celta. Pode-se dizer que ele cumpriu esse objetivo com êxito.

O álbum ainda possui três canções no melhor estilo folk, que são as três primeiras faixas. Embora sejam as tradicionais músicas que esperamos encontrar em um filme da Disney, aqui elas se integram bem ao score de Doyle. E, além da já citada canção de ninar, ouvimos também “Song of Mor’Du”, uma canção típica de guerreiros escoceses (bêbados), interpretada pelo ator Billy Connoly e pelo elenco do filme.

Faixas:

1.   Touch The Sky (Julie Fowlis)
2.  Into The Open Air (Julie Fowlis)
3.  Learn Me Right (Birdy With Mumford & Sons)
4.  Fate And Destiny
5.  The Games
6.  I Am Merida
7.  Remember To Smile
8.  Merida Rides Away
9.  The Witch’s Cottage
10. Song Of Mor’Du (Billy Connolly & Cast)
11.  Through The Castle
12.  Legends Are Lessons
13.  Show Us The Way
14.  Mum Goes Wild
15.  In Her Heart
16.  Noble Maiden Fair (A Mhaighdean Bhan Uasal) (Emma Thompson & Peigi Barker)
17.  Not Now
18.  Get The Key
19.  We’ve Both Changed
20. Merida’s Home

Duração: 65:35

Tiago Rangel

2 opiniões sobre “Resenha: BRAVE – Patrick Doyle (Trilha Sonora)”

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