Resenha: THE AMAZING SPIDER-MAN – James Horner (Trilha Sonora)


Música composta por James Horner
Selo: Sony Classical
Catálogo: 88725438052
Lançamento: 03/07/2012
Cotação: ***½

Dez anos atrás, o primeiro filme do personagem mais famoso da Marvel, Homem-Aranha, teve uma ótima trilha composta por Danny Elfman, que raramente decepciona quando se trata de longas baseados em quadrinhos (a lendária Batman, de 1989, que o diga). Para este filme, que possui a missão de reiniciar a lucrativa franquia, o compositor escolhido foi o famoso James Horner. Aqueles que acompanham a carreira do sujeito por trás dos scores de Titanic e Coração Valente perceberiam que a escolha de Horner para um longa de super-herói é, no mínimo, inusitada.

Como um veterano na indústria de cinema, e tendo já conquistado dois Oscars e outras nove indicações, o compositor já sabe que não precisa provar mais nada para ninguém e aqui se permite ser mais experimental, incluindo sintetizadores, guitarras e até vocalizações étnicas junto à orquestra. O resultado é uma trilha que lembra outros trabalhos, como Karatê Kid, Uma Mente Brilhante, Avatar, e o próprio Homem-Aranha do Danny Elfman. Aliás, os dois músicos compuseram temas semelhantes para o herói, porém com uma diferença fundamental: enquanto Elfman procurou retratar o poder e a força do personagem, Horner quis ressaltar mais seu heroísmo e seus feitos.

A primeira faixa, “Main Title – Young Peter”, se inicia com vocais árabes (Horner parece ter tomado gosto por eles após ter trabalhado em O Príncipe do Deserto meses atrás), para em seguida entrar o tema principal. Este é inicialmente executado por um trompete solo, e em seguida por toda a orquestra, com acompanhamento de percussão eletrônica e de guitarra e, após um clímax, a orquestra dá lugar a um solo de um garoto soprano, para em seguida reaparecer, porém com uma melodia mais ameaçadora. Ao final, ouvimos pela primeira vez o love theme do filme, no piano. A faixa é um bom começo para a trilha, e faz uma espécie de “resumo” de como será o restante da partitura: agitada e sempre em movimento, seja por ação das cordas, seja por conta do acompanhamento eletrônico.

Essa “agitação” também está presente na segunda faixa, “Becoming Spider-Man”, onde uma movimentada melodia é executada pela orquestra, com o acompanhamento de corais sintetizados, bem no estilo de Titanic. É uma faixa de ritmo bastante rápido, onde o tema principal é reapresentado, seja em sua totalidade, seja em pequenas participações. Na terceira, intitulada “Playing Basketball”, o tom muda para uma melodia cômica e “gaiata”, que caberia facilmente na trilha de uma comédia, ou de um desenho animado.

“Hunting For Information” e “The Briefcase”, a quarta faixa e a quinta faixa, respectivamente, possuem um clima de mistério e investigação. Na segunda, aliás, ouvimos com maior destaque um tema que já havia sido sugerido nas faixas 1 e 4: uma melodia cíclica, interpretada no piano, utilizada para representar a busca de Peter Parker por seus pais. Nessa mesma faixa, podemos ouvir também um fragmento do love theme, antes de retornarem os acordes de suspense.  “The Spider Room – Rumble in the Subway”, inicia também em clima de suspense, para, em sua segunda metade, incorporar o tom “gaiato” da faixa três, acompanhado por percussão de estilo urbano, até terminar num crescendo. “Secrets”, por sua vez, começa de modo ameaçador, antes de apresentar o tema do herói, num interessante desenvolvimento da faixa. A seguir, ouvimos uma passagem atmosférica, com o uso de coral, efeitos eletrônicos e piano.

A faixa seguinte, “The Equation”, lembra o estilo do xará de Horner, James Newton Howard, pela interpretação das cordas. Estas, aliás, são acompanhadas inicialmente por guitarra acústica, num bom jogo entre os instrumentos. O suspense cresce ao longo da faixa, até que a mesma entre numa passagem mais lírica, a cargo das cordas e do piano. Já “The Ganali Device” poderia pertencer sem problemas ao score de Uma Mente Brilhante. Essa é uma faixa interessante, com uma melodia constante a cargo da orquestra, acompanhada pelo piano, até a entrada de uma variação do tema do Homem-Aranha ao final. A décima faixa, “Ben’s Death” começa com uma passagem de suspense e ação, com a orquestra auxiliada por instrumentos eletrônicos. A seguir, entram vocalizações árabes acompanhando o piano, numa melodia triste, antes do reaparecimento das cordas, num crescendo dramático de suspense. Ao final, volta o tom de ação, na qual gritos de guerra (!) acompanham a orquestra e a percussão. É uma interessante faixa, porém é discutível o uso de tais vocalizações étnicas. Particularmente, acredito que elas só exemplificam as experimentações de James Horner nessa trilha.

O tema principal do herói e o love theme voltam em “Metamorphosis” e “Rooftop Kiss”, respectivamente. Na primeira, ele reaparece numa interpretação a cargo de toda a orquestra, após uma melodia de suspense. A faixa seguinte, interpreta a típica melodia romântica de Horner, a cargo do piano e das cordas, na qual o love theme recebe sua interpretação mais completa até então. “The Bridge” começa como uma faixa de ação, interpretada por guitarra e orquestra, antes do ritmo diminuir e incorporar uma bonita passagem, com o solo de um garoto soprano, acompanhado pelo coral e pelo piano, antes de voltar ao tema do Aranha. “Peter’s Suspicions” começa com uma interpretação mais lírica do tema principal e do tema da investigação, com os tons de suspense e mistério crescendo ao longo da faixa. O álbum então prossegue com a atmosférica e enigmática “Making a Silk Trap”, com o retorno do coral sintetizado auxiliando a orquestra. Essas duas faixas de suspense são a preparação para o clímax do filme (e do álbum).

Esse se inicia com “Lizard At School!”, faixa onde toda a orquestra interpreta uma melodia agitada e forte, com o aparecimento de motivos heróicos em sua segunda metade. Já “Saving New York”, em seus sete minutos de duração, apresenta um desenvolvimento que alterna entre o dramático e o heróico, pontuado por suspense (como as bizarras batidas no piano para representar o vilão), que desemboca no tema do Homem-Aranha, interpretado de maneira mais épica. “Oscorp Tower”, por sua vez, é uma empolgante faixa de ação, onde novamente a orquestra e o coral dão tudo de si, lembrando a ótima “War”, da trilha de Avatar.  Prosseguindo com o álbum, “I Can’t See You Anymore” é uma faixa bela e triste. O love theme éinterpretado de maneira melancólica, e irá agradar a quem gosta do estilo mais dramático do compositor. O score finaliza com “Promises – Spider-Man End Titles”, faixa que se inicia com uma variação do love theme interpretado pelas madeiras, antes de ressurgir uma melodia dramática a cargo das cordas e do piano. O tema do herói ressurge em seguida, numa bela e grandiosa performance de toda a orquestra.

O Espetacular Homem-Aranha, assim, é um bom e movimentado score, que cresce bastante em sua segunda metade e com um interessante tema para o famoso personagem. Dificilmente será lembrada como um clássico do compositor, mas ainda assim é um trabalho interessante de James Horner. Não seria má idéia o chamarem para a inevitável continuação (apesar de que eu tenho curiosidade em saber o que Michael Giacchino, por exemplo, faria com o herói).

Faixas:

1. Main Title / Young Peter
2. Becoming Spider-Man
3. Playing Basketball
4. Hunting For Information
5. The Briefcase
6. The Spider Room / Rumble In The Subway
7. Secrets
8. The Equation
9. The Ganali Device
10. Ben’s Death
11. Metamorphosis
12. Rooftop Kiss
13. The Bridge
14. Peter’s Suspicions
15. Making A Silk Trap
16. Lizard At School
17. Saving New York
18. Oscorp Tower
19. “I Can’t See You Anymore”
20. Promises / End Titles

Duração: 76:55

Tiago Rangel
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21 comentários sobre “Resenha: THE AMAZING SPIDER-MAN – James Horner (Trilha Sonora)

  1. Ótima resenha, Tiago! James Horner, apesar de manifestar neste álbum um pouco da sua já conhecida tendência a se auto-plagiar, continua muito bom. Creio que Michael Giacchino faria um trabalho mais interessante sim, até porque o seu estilo lembra muito John Williams anos 70/80. Mas discordo de você com relação a Danny Elfman, achei sua trilha para Spider Man muito fraca!
    Valeu Tiago!

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  2. Fico feliz em ver que o Scoretrack mantenha seus reviews de trilhas de filmes há tantos anos. É raríssimo encontrar um site ou blog em português que tenha esse cuidado com um material tão interessante. Parabéns, mais uma vez, ao Saldanha e equipe.

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    • Pois é Fernando, é difícil hoje em dia encontrar quem goste de trilhas incidentais e que ainda por cima tenha tempo e se disponha a escrever sobre elas. Mas continuamos tentando, e o Tiago Rangel foi uma grande aquisição para a nossa equipe. Abraço!

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