Resenha: PARA ROMA COM AMOR (Filme em Destaque)


PARA ROMA COM AMOR (To Rome with Love, EUA, Espanha, Itália, 2012)
Gênero: Comédia
Duração: 107 min.
ElencoEllen Page, Woody Allen, Jesse Eisenberg, Penélope Cruz, Alec Baldwin, Alison Pill, Greta Gerwig, Roberto Benigni, Ornella Muti, Judy Davis
Roteiro: Woody Allen
Direção: Woody Allen
Cotação***½

Um novo Woody Allen é sempre motivo de alegria. Ainda que seja um Woody Allen “menor”. Talvez seja o caso de PARA ROMA COM AMOR (2012), que é bem menos ambicioso que MEIA NOITE EM PARIS (2011), seu filme anterior. Mas ao mesmo tempo, trata-se de um trabalho bem mais engraçado, mais solto, que provoca boas gargalhadas, especialmente para quem é mais íntimo do cinema do diretor. E a Itália tem tudo a ver com Allen. Ele já confessou que seu diretor favorito é Federico Fellini e não Ingmar Bergman, como muita gente suspeita. Tanto que já chegou a fazer homenagem explícita ao cineasta italiano em CELEBRIDADES (1998).

Falando em celebridades, um dos quatro núcleos de PARA ROMA COM AMOR é o de Roberto Benigni, que interpreta um sujeito que tem uma vida muito pacata e que, inexplicavelmente, da noite para o dia, se torna uma celebridade. Muito divertido o modo como Allen faz essa paródia das celebridades instantâneas. E Benigni está muito bem no papel. Só quem não gosta mesmo do comediante para desconsiderar a sua contribuição valiosa para o filme. Interessante notar que Allen, se quisesse fazer um filme em episódios, poderia muito bem dividi-lo em quatro partes separadas, já que as quatro histórias do filme não se encontram em momento algum. Aí ficaria uma homenagem ainda mais explícita aos filmes italianos de segmentos, tão comuns na década de 1960. Em vez disso, ele preferiu intercalar as histórias, para dar certa unidade ao filme.

Outra história envolve Alec Baldwin, um arquiteto que já morou em Roma e que conhece um estudante de arquitetura (Jesse Eisenberg) na rua. Logo ele se transforma numa espécie de consciência do jovem rapaz, que se vê atraído pela amiga de sua namorada, que chega para visitá-los. A namorada é Greta Gerwig; a amiga é Ellen Page. A personagem de Page reúne todas as qualidades de uma mulher atraente, somando o fato de ser neurótica, que é um tempero a mais para as mulheres de Allen se tornarem ainda mais irresistíveis.

Alec Baldwin lembra o coro grego de PODEROSA AFRODITE (1995), alertando ao jovem que ele vai se apaixonar pela amiga da esposa e que vai se dar mal. Nesse núcleo, também destaco o momento em que os personagens de Eisenberg e Page estão sozinhos nas ruínas da velha civilização e começa a chover e trovejar. Como ele é comprometido, a cena remete à sequência antológica do beijo em MARIDOS E ESPOSAS (1992), quando Allen beija Juliette Lewis, num corajoso momento de sua vida em que ele estava traindo Mia Farrow com Soon Yi Previn.

O terceiro núcleo envolve o próprio Woody Allen, no papel de um diretor de óperas americano que chega a Roma para conhecer o novo namorado de sua filha (Alison Pill) e que descobre na figura do pai do rapaz (o astro da ópera Fabio Armiliato) um gênio e quer levá-lo para se tornar uma celebridade respeitada no meio da música erudita. Ver Allen novamente em cena é um prazer e muito divertido.

O último núcleo envolve um casal de visitantes italianos que planeja mudar de vida em Roma. Um bem-vindo desencontro acontece na vida deles, quando ela resolve sair para ajeitar o cabelo em um cabeleireiro e se perde pela cidade e ele é confundido com outra pessoa e é visitado pela prostituta vivida por Penélope Cruz. No fim das contas, ele e a prostituta precisam fingir que são marido e mulher, causando uma série de situações bem divertidas, com Penélope bem à vontade no papel. É nesse núcleo que aparece Ornella Muti, em participação apenas simbólica.

No mais, a leveza e a descontração do filme e a série de pequenas histórias que remetem à “chanchada” italiana trazem um prazer que poucos filmes recentes conseguem proporcionar. E mais uma vez mostra a genialidade desse cineasta que brinca com a própria situação, ao falar, na boca de seu personagem, que não deseja se aposentar, pois isso indicaria a morte iminente. Por isso, que ele continue seguindo sua jornada de um filme por ano, seja na Europa, seja nos EUA. Para a nossa alegria. E para a da enorme lista de atores e atrizes que desejam trabalhar com o diretor, mesmo sabendo que não vão ganhar muito dinheiro com isso. É apenas pelo prazer e pelo prestígio de trabalhar com Allen.

Ailton Monteiro

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