Resenha: MUTAÇÃO (Blu-ray)


Produção: 1997
Duração: 105 min.
Direção: Guillermo Del Toro
Elenco: Mira Sorvino, Jeremy Northam, Alexander Goodwin, Giancarlo Giannini, Charles S. Dutton, Josh Brolin, F. Murray Abraham
Vídeo: 1.78:1 (1080p/AVC MPEG-4)
Áudio: Inglês (DTS-HD Master Audio 5.1)
Legendas: Português, Inglês
Região: A, B, C
Distribuidora: Imagem Filmes
Discos: 1 (25Gb)
Lançamento: 25/04/2012
Cotações: Som: **** Imagem: *** Filme: ***½ Extras & Menus: Geral: *** 

SINOPSE
A entomologista Susan Tyler (Mira Sorvino) cria uma nova espécie de insetos geneticamente alterados, a “Geração Judas”, a fim de exterminar as baratas, portadoras de um vírus que está matando crianças em Nova York. Três anos depois, com a epidemia erradicada, sua mutação genética continua viva e se espalhando pela cidade por meio dos túneis subterrâneos. Com um processo evolutivo acelerado, que aumenta seu tamanho e lhes dá a habilidade de mimetizar seu principal predador – o Homem -, as novas criaturas começam a matar e precisam ser detidas.

COMENTÁRIOS
O diretor mexicano Guillermo Del Toro, hoje um cultuado nome do cinema fantástico, ainda era praticamente desconhecido do grande público quando MUTAÇÃO (MIMIC, 1997), seu segundo filme e o primeiro rodado nos EUA, chegou aos cinemas. Após explorar o mito da vida eterna em CRONOS (1993), para sua estreia em língua inglesa Del Toro escolheu um tema caro à ficção cientifica – a criação da vida pelo Homem e seus resultados geralmente catastróficos. O filme também é uma espécie de retomada daqueles velhos títulos dos anos 1950 nos quais monstros, muitas vezes insetos, causavam destruição nas grandes cidades. A diferença é que o roteiro, escrito pelo próprio diretor, atualiza o tema e agora as criaturas não são resultado da radiação atômica, mas sim da manipulação genética.

Paralelamente, a comparação com os filmes da série ALIEN é inevitável, não só pelas criaturas insectóides, mas principalmente por Sorvino ser uma espécie de Ellen Ripley, que ao final terá de defender o garoto autista Chuy (Alexander Goodwin) da fúria do macho da colônia. Ajuda também o fato do ator Charles S. Dutton interpretar um personagem muito parecido com o que viveu em ALIEN3. Del Toro demonstra ser um hábil artesão ao construir ótimas sequências de suspense hitchcockiano, como a do início quando Chuy, pela sua janela, vê pela primeira vez um dos insetos e reproduz, com duas colheres, o som característico que fazem; e também de puro horror, como aquela em que os personagens principais, nos subterrâneos abandonados, ficam presos em um velho vagão de metrô cercados pelos insetos agressivos.

MUTAÇÃO pode não ser dos melhores filmes de Del Toro, mas não faz feio em comparação a outras boas produções similares e já traz algumas das marcas registradas do realizador, como as crianças sendo a mola propulsora da história – abordagem melhor explorada em seus filmes de língua espanhola como A ESPINHA DO DIABO (2001), O ORFANATO (2007, apenas produzido por ele) e sua melhor realização até o momento, O LABIRINTO DO FAUNO (2009). Como ele ainda não possuía o controle de que hoje dispõe sobre seus filmes, esta versão de cinema de MUTAÇÃO é resultado de algumas mudanças impostas pelos produtores. Somente ano passado Del Toro pôde lançar em Blu-ray, nos EUA, sua versão do diretor, com nova montagem e sete minutos de cenas adicionais. Como ele próprio admite, ainda não é a versão do filme que ele gostaria de ter feito, mas pelo menos está mais próxima da abordagem por vezes lírica e mágica que tanto aprecia.

SOBRE O BD
MUTAÇÃO estava disponível em Blu-ray, desde 2009, apenas no Canadá e Austrália, em sua versão original de cinema e formato de tela 1.78:1. Em 2011 a Lionsgate lançou em BD nos EUA e no Reino Unido a versão do diretor com 112 minutos, formato de tela correto (1.85:1), faixa de áudio lossless DTS-HD Master Audio 7.1 e uma boa quantidade de extras. Quando primeiro se soube que a Imagem, atual distribuidora nacional dos antigos títulos da Miramax, lançaria o filme em Blu-ray por aqui, havia a esperança de que essa fosse a versão disponibilizada. Contudo a distribuidora, que aparentemente apenas dispensa maior atenção aos títulos de Quentin Tarantino que estão em seu catálogo, lançou um BD de camada simples (BD 25Gb) apenas com a versão de cinema, provavelmente empregando a mesma e mais barata transfer 1.78:1 das edições canadense e australiana, e sem nenhum extra. E para arrematar, na parte de trás da embalagem escreveu errado o nome do diretor Guillhermo Del Toro.

Quanto à imagem, a transferência 1080p/AVC MPEG-4, na proporção 1.78:1 (que preenche totalmente a tela das TVs 16:9, eliminando as finas tarjas pretas que seriam visíveis caso tivesse sido respeitado o formato original 1.85:1), proporciona resultados poucas vezes superiores ao medíocre. Do lado positivo ela preserva satisfatoriamente o “calor” da paleta de cores original, que enfatiza os tons azuis e âmbar. Por outro lado, o contraste e o nível de detalhes pouco se destacam e não impressionam. O que, aliado ao ruído de vídeo que notamos em várias sequências (fruto principalmente de considerável granulação e outras condições da película), indica estarmos frente a material não remasterizado para BD, provavelmente uma transfer HD reaproveitada de algum lançamento anterior em DVD. Os pretos são fortes e penetrantes, porém detalhes menores nas sombras são ocultos pela escuridão, especialmente nas cenas ambientadas nos túneis subterrâneos. Enfim, temos aqui uma apresentação visual adequada para um título de catálogo lançado em Blu-ray em 2009, mas que deixa muito a desejar para os padrões que o formato atingiu em 2012.

Quando chegamos na apresentação auditiva, percebemos que as coisas melhoram significativamente. Ainda bem que a Imagem Filmes deixou de lado a faixa comprimida DTS-HD High Resolution, que utiliza na maior parte de seus lançamentos, e brindou este lançamento com uma mixagem DTS-HD Master Audio que, apesar de ser “apenas” 5.1, é bombástica, com graves explosivos nos momentos de ação e exemplarmente ambiental nas sequências de maior suspense, como aquelas em que, nos túneis escuros, ouvimos o ruído dos insetos aproximando-se à nossa volta. O envolvimento surround é muito bom, os diálogos são claros e a mixagem, de modo geral, é bem equilibrada e reproduz com ótima fidelidade a trilha sonora de Marco Beltrami – minha preferida do compositor. Não há outras opções de áudio, e as únicas legendas disponíveis são português e inglês – mesmos idiomas dos menus principal e pop up.

EXTRAS
Nada a comentar, já que este lançamento da Imagem não traz nenhum material suplementar, nem um trailer sequer. Quem sabe a distribuidora resolva futuramente lançar também aqui a versão do diretor, preservando os bons extras da edição que a Lionsgate disponibilizou no exterior… não custa sonhar.

Jorge Saldanha

Um comentário sobre “Resenha: MUTAÇÃO (Blu-ray)

  1. Pingback: Resenha de Filme: A COLINA ESCARLATE | ScoreTrack.net

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s