Resenha: PINA 3D (Filme em Destaque)


PINA 3D (Pina 3D, Alemanha, França, Reino Unido, 2011)
Gênero: Documentário
Duração: 106 min.
Elenco: Pina Bausch, Regina Advento, Malou Airaudo, Ruth Amarante, Jorge Puerta Armenta, Dançarinos do Tanztheater Wuppertal
Trilha Sonora: Thom Hanreich
Roteiro: Win Wenders
Direção: Win Wenders
Cotação: ***½

Já fazia mais ou menos umas duas décadas que se esperava uma “volta por cima” de Wim Wenders. E ela chegou por meio de um documentário sobre dança em homenagem à coreógrafa alemã Pina Baush, falecida em 2009, quando o cineasta e ela estavam trabalhando na pré-produção do filme. Dois dias antes de começarem as filmagens, ela faleceu. A coreógrafa já tinha um forte elo de ligação com o cinema, tendo trabalhado com Federico Fellini em E LA NAVE VA e com Pedro Almodóvar em FALE COM ELA. E Wenders resolveu seguir em frente com seu trabalho, mas mudando o foco do documentário para uma homenagem, para “um filme para Pina”, como aparece logo no início.

Praticamente todos os depoimentos presentes em PINA (2011) são de exaltação à bailarina e coreógrafa. São pessoas das mais diversas idades e nacionalidades. Há até uma brasileira no grupo e a canção “Leãozinho”, de Caetano Veloso, é usada numa das sequências. Que não é das melhores. Os melhores momentos são mesmo aqueles que envolvem a relação dos corpos com os elementos da natureza. Principalmente quando enfatizam a água, elemento mais ligado às emoções.

Como uma das pessoas diz durante o filme, nem sempre é possível entender o que ela quer dizer com determinada coreografia. Segundo Baush, a dança expressa aquilo que as palavras não são capazes de expressar. Em alguns momentos, a mente quer entender, dar um sentido àquela sequência em especial; em outros, é deixar-se apenas levar pelo sentimento ou sensação que aquelas imagens e sons despertam. As cenas envolvendo o elemento terra, por exemplo, passam uma noção de mais peso ou até mesmo uma imagem de morte, como na sequência em que uma mulher joga pás de terra em cima de outra.

Quanto à utilização do 3D, diria que em alguns momentos ele funciona muito bem, mas na maioria não faria muita diferença se o filme fosse realizado em 2D. A utilização é discreta, privilegiando mais a profundidade de campo e as texturas. É um filme que agradará bem mais àqueles com maior intimidade com a dança e com o balé, mas que também pode agradar aos leigos no assunto. Porém, sem querer desmerecer o trabalho de Pina Baush, ao ver o trabalho com a leveza dos corpos e o uso de cadeiras nos cenários no documentário de Wenders, lembrei da obra-prima A RODA DA FORTUNA e do quanto Vincente Minnelli foi genial em seu tempo, fazendo algo muitas vezes parecido.

Ailton Monteiro

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