Resenha: EL CID (Blu-ray)


EL CID (El Cid)
Produção: 1961
Duração: 188 min.
Direção: Anthony Mann
Elenco: Charlton Heston, Sophia Loren, Raf Wallone, Geneviève Page, Hurd Hatfield, Gary Raymond, Massimo Serato, Raf Vallone, Douglas Wilmer
Vídeo: Widescreen Anamórfico 2.35:1 (1080p/AVC MPEG-4)
Áudio: Inglês (DTS-HD Master Audio 5.1), Português (Dolby Digital 2.0)
Legendas: Português
Região: A, B, C
Distribuidora: ClassicLine
Discos: 1 (50Gb)
Lançamento: 08/03/2012
Cotações: Som: **½ Imagem: ***½ Filme: ****½ Extras & Menus: Geral: *** 

SINOPSE
Charlton Heston e Sophia Loren estrelam esta superprodução sobre a história do lendário herói espanhol El Cid. No século XI, o herói cristão procura celebrar a paz entre os membros da realeza visando promover a unificação da Espanha, sendo depois chamado para comandar a resistência contra os invasores mouros. Incríveis cenas de batalhas e uma meticulosa reconstituição de época conferem a este filme um caráter de grandiosidade poucas vezes visto no cinema.

COMENTÁRIOS
O estrondoso sucesso de BEN-HUR (1959) mostrou que a Era dos grandes épicos de Hollywood ainda estava longe de acabar, e o produtor Samuel Bronston, que realizaria produções grandiosas como 55 DIAS EM PEQUIM (1963) e A QUEDA DO IMPÉRIO ROMANO (1964), lançou em 1961 EL CID, sem dúvida um dos maiores filmes do gênero surgido no período entre os anos 1950 e 1970. Rodado em Super Technirama (75mm), o épico dirigido por Anthony Mann esbanja grandiosidade em todos os aspectos. Exceto pelos cenários de interiores, tudo o que se vê na tela – castelos, barcos, milhares de soldados, etc. – é real, já que não foram usados pinturas de fundo ou efeitos visuais.

O filme narra a história / lenda do cavaleiro espanhol Rodrigo Diaz de Vivar, conhecido como El Cid (Charlton Heston), que buscou unificar a Espanha dividida do século 11 para que fossem combatidos os Mouros invasores. Tarefa ingrata, já que sua lealdade era constantemente questionada pelos orgulhosos monarcas cristãos, que colocavam sua ambição pelo poder acima dos interesses do país. Além disso, sua noiva Chimene (Sophia Loren, no auge da beleza) não o perdoava por ter matado seu pai, o Campeão do Rei, em um duelo. Para completar seus infortúnios, apesar de ser considerado um herói pelo povo o cavaleiro foi mandado para o exílio, porém sendo seguido por milhares de soldados a ele leais. Com seu exército, e apesar das ameaças da monarquia, continuou a defender o país contra os invasores.

EL CID seguiu o padrão estabelecido por produções anteriores, em especial BEN-HUR, escalando um grande elenco internacional e sendo totalmente rodado na Europa (Itália e Espanha). Aliás, de BEN-HUR a produção herdou parte do elenco e da equipe, como o astro Heston, o coordenador de dublês Yakima Canutt e o grande compositor húngaro Miklos Rozsa, que mais uma vez criou uma trilha sonora inesquecível, mesclando orquestrações tradicionais com elementos da música medieval espanhola. O score acompanha e realça à perfeição as principais linhas narrativas do filme – a irrestrita lealdade de Rodrigo a um Rei que não a merece, a conturbada love story com Chimene, os confrontos épicos e o triunfo final da lenda sobre a morte. É de se ver, e ouvir, de joelhos.

O longa certamente tem lá suas falhas, porém qual dos grandes épicos do Cinema não as tem? Releve certos aspectos que hoje poderão parecer ingênuos ou não convincentes, assista ao filme no contexto da época em que foi produzido, concentre-se na trajetória extremamente humana e nobre do protagonista e descubra a real grandeza de EL CID.

SOBRE O BD
A ClassicLine, distribuidora independente brasileira que se especializou em lançar por aqui títulos antigos e clássicos, muitos deles cedidos pelas majors que dão preferência a produções mais recentes e rentáveis, entrou no mercado de Blu-ray no final de 2011. Seu mais recente lançamento em alta definição é este EL CID, clássico épico colocado anteriormente no mercado por ela mesma em um DVD precário, em termos de apresentação e qualidade técnica. Ainda não havia tido contato com nenhum Blu-ray da ClassicLine, e pude constatar que este novo lançamento representa um apreciável upgrade em relação ao antigo DVD letterbox 4:3 (a distribuidora também relançou o filme em DVD, provavelmente empregando a mesma transferência anamórfica do BD). Isto, no entanto, não significa inexistência de problemas, até porque em nenhum lugar do mundo EL CID foi lançado em uma edição verdadeiramente digna. Não vou nem falar da embalagem simples, um estojo HD-Case padrão.

Para começar, o filme foi rodado no aspect ratio 2.75:1, e a transferência widescreen anamórfica 1080p/AVC MPEG-4, a exemplo das edições européias (acredite: o filme ainda é inédito em Blu-ray nos EUA), está na proporção 2.35:1. Ou seja, apesar de haver informações de que o formato de tela original foi respeitado, as tarjas pretas horizontais da imagem foram um pouco minimizadas, acarretando a perda de alguma informação visual nas laterais – nada dramático, mas isso já configura alteração no seu formato original de tela. Algo que não ocorreu com o recentemente lançado BD de BEN-HUR, que preservou a larga proporção da tela original 2.65:1. Também, em comparação com BEN-HUR, constata-se que o nosso EL CID ao que tudo indica replica a transfer alemã (que também preserva os interlúdios musicais do filme – “Overture”, “Intermission” e “Exit Music”), não tendo merecido restauração e remasterização similares. O nível de detalhes e nitidez, na maior parte do tempo, é muito bom, e as cores são estáveis e firmes. Porém, danos de película (ainda que eventuais) são percebidos, e os níveis de preto nem sempre são consistentes. Além disso, especialmente pela granulação abaixo do normal para uma produção dessa época e a falta de detalhes finos em determinados close-ups faciais, percebe-se a aplicação moderada de DNR. Apesar disso, como se constata nas capturas que ilustram esta resenha, foi preservada qualidade suficiente para tornar esta, sem sombra de dúvida, a melhor apresentação visual que este épico já recebeu.

Já a experiência auditiva de EL CID, na minha opinião, é bem inferior à visual. A faixa lossless original em inglês DTS-HD MA 5.1 possui boa fidelidade, porém demonstra o peso dos anos através de um dinamic range medíocre, que dá espaço a alguma distorção e graves, para dizer o mínimo, tímidos. O único momento do filme onde percebi a existência do meu subwoofer foi na cena do atentado à vida do Príncipe Sancho (Gary Raymond), que é acompanhada pelo som de trovões. Além disso, o som fica limitado praticamente o tempo todo aos canais frontais, onde o efeito estéreo é notado praticamente apenas na partitura de Miklos Rozsa. Efeitos surround, discretíssimos, apenas em alguns momentos de combate. A dublagem em português é a original da TV, mono, em Dolby 2.0. As únicas legendas disponíveis são português. Os menus pop up e principal (animado) também estão em português.

EXTRAS
EL CID, nas edições em DVD e Blu-Ray lançadas no exterior, sempre foi acompanhado de extras compatíveis com sua importância. Isso, infelizmente, nunca aconteceu no Brasil, e esta nova edição em Blu-ray da ClassicLine manteve essa pobre tradição. Apesar de ser baseada no Blu-ray alemão, ela ignora todos os seus extras (comentários em áudio no disco do filme, e todo o disco 2 que traz vários featurettes). Mas para dizer que não há nenhum material suplementar, o disco traz um trailer de cinema legendado (com mais de três minutos) e um clipe curto (pouco mais de um minuto) com cenas do filme acompanhadas pela trilha sonora de Miklos Rozsa – tudo em resolução SD (480p) e qualidade de imagem medíocre. Também há biografias em texto de Charlton Heston e Sophia Loren, e dentro do estojo temos um cartão que reproduz um pequeno cartaz do filme.

Jorge Saldanha

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9 comentários sobre “Resenha: EL CID (Blu-ray)

  1. Ainda não assisti El Cid em nenhum formato , mas pretendo em breve .
    Parece que há uma discriminação dos estúdios em relação aos clássicos do passado , alguns recebem tratamento diferenciado , super-restauração , edições especiais com vários discos e lotados de extras …
    Enquanto outros são lançados ( quando o são ) sem tantos cuidados , em uma versão simplezinha .

    Saldanha , essa versão nacional é BD- 25Gb mesmo ? Pelo que pesquisei , as versões européias são BD-50Gb , se for isso mesmo , nossa versão tem perdas em qualidade audio-visual … Como sempre essas distribuidoras nacionais não tem o menor compromisso com o consumidor , já que aqui sempre custa 2 ou 3 vezes mais caro , poderiam pelo menos lançao o mesmo material que tem lá fora , no caso de El Cid , há um disco ( DVD ) lotado de extras , que poderiam ser legendados e lançados por aqui , mas isso , acho , que é impossível , até as grandes distribuidoras estão fazendo o contrário , tirando os discos extras de edições já lançadas , um absurdo !

    Parabéns por mais uma excelente resenha !

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  2. Senhor Saldanha,
    Há pouco comentei na sua resenha de Ben-Hur que El Cid em Blu-ray provavelmente não teria um BD tecnicamente impecável, por não ter sido realizado por uma…major.
    E…voilá! eu estava certo, ao que parece.
    Quando eu disse aquilo, tinha em mente o lançamento digital tupiniquim de Cidadão Kane: primeiro, um péssimo dvd lançado pela “distribuidora” Continental. Depois um major dvd duplo lançado pela major Warner. E QUE diferença!!!
    E na mesma esteira, temos a sua própria comparação feita numa antiga resenha sobre o dvd Metropolis de Fritz Lang: “Região 4 x Região 1”.
    Por falar em Metropolis e Continental: parece que a aparente parceria Continental/Amazon Digital lançou a sci-fi de Lang em Blu-ray no Brasil. Confirma? resenha?

    Um forte abraço e vida Épica ao Cinema!!!

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    1. Rafael, a edição restaurada de Metropolis foi lançada em janeiro aqui no Brasil pela mesma distribuidora de El Cid, a ClassicLine, em um DVD bem caprichado, e confesso que desconhecia esse Blu-ray da Continental. Vindo dessa distribuidora, não é de se esperar grande coisa.

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  3. Gostei de sua apreciação, Saldanha, sobre o lançamento em BD no Brasil deste clássico mor dos épicos medievais (pelo menos em minha opinião) e sobre suas sofríveis edições anteriores. Desafortunadamente este belíssimo filme não foi produzido na sua origem por um dos grandes estúdios da época, (MGM, Fox, Paramount, etc) por não acreditarem no projeto do iluminado e megalomaníaco Samuel Bronston, que mesmo assim conseguiu na Espanha o financiamento necessário para que a produção se concluisse no mais alto padrão técnico-artístico ( inclusive 70 mm) , como vc citou muito bem. O problema foi a distribuição mundial que não correspondeu ao gabarito deste empreendimento e mesmo assim o filme foi uma das maiores bilheterias de 1961/62, lembrando que em S.Paulo ficou 8 meses em cartaz no luxuoso e saudoso Cinema Windsor como uma belíssima imagem projetada (mesmo sendo em 35mm), mas em suas futuras edições para VHS e DVD (anos 80,90 e 2000) a qualidade seria medíocre, fazendo El Cid parecer com um filminho de aventuras qualquer ao ponto de cair nas mãos desta classicline e infelismente também na insatisfatória edição BD. Mas ainda tenho esperanças que um dia possamos ve-lo em alta definição de verdade. Um abraço !

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  4. Finalmente, excelente resenha, informações corretas sobre El Cid. Parabéns sr. Jorge Saldanha.
    Tive a oportunidade de ver essa maravilha, várias vezes, em 70mm.
    Uma experiência inesquecível!

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  5. Olá ilustre Jorge Saldanha, parabéns por mais uma resenha bem feita. Tenho esta edição em Bluray e realmente é a melhor apresentação deste épico lançado no home vídeo nacional, antes havia assistido no VHS duplo e no DVD da classicline. Agora notei o seguinte: no meu bluray não tem os créditos de abertura do filme, começa logo na cena do castelo espanhol, embora o player marque os 188 minutos de reprodução como informa a capinha. Foram cortados pela classicline, lembro que no DVD deles tem os créditos iniciais. No bluray.com as edições variam muito na duração de país para país.

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