Resenha: DRIVE (Filme em Destaque)


DRIVE (Drive, EUA, 2011)
Gênero: Ação
Duração: 100 min.
Elenco: Ryan Gosling, Carey Mulligan, Bryan Cranston, Albert Brooks, Oscar Isaac, Christina Hendricks, Ron Perlman, Kaden Leos, Jeff Wolfe, James Biberi
Trilha SonoraCliff Martinez
Roteiro: Hossein Amini
Direção: Nicolas Winding Refn
Cotação: ****

A oportunidade de ver um filme de Nicolas Winding Refn no cinema não deve ser desperdiçada. Trata-se de um dos grandes talentos da nova geração de diretores. Surgido no final dos anos 1990, só agora, nos últimos anos, tem ganhado mais visibilidade. Assim, DRIVE (2011) é, por enquanto, o seu trabalho mais famoso. Seu apelo popular existe graças à figura do herói quase inatingível e quase incorruptível do protagonista. O mistério em torno do personagem, que é ao mesmo tempo dublê, mecânico e motorista contratado para assaltos, também faz parte dessa aura que é criada e admirada.

O homem misterioso e sem passado não é nenhuma novidade no cinema mundial, mas Refn faz diferente, com sua estilização que funciona também como uma forma de diminuir o impacto da violência e do amor, que poderiam ter sido mais explorados se o roteiro, baseado no livro de James Sallis, não fosse entregue nas mãos do cineasta dinamarquês. Assim, DRIVE é mais um exercício de estilo do que propriamente uma história de amor e violência. Esses elementos ficam em segundo plano, ainda que vistos sob uma ótica belíssima.

Ryan Gosling se firma como o maior talento de sua geração. Nem dá para acreditar que é o mesmo ator de HALF NELSON, A GAROTA IDEAL, NAMORADOS PARA SEMPRE e AMOR A TODA PROVA. Poucos atores conseguem entrar em um personagem tão bem, como um camaleão, despindo-se de sua persona natural. Em DRIVE, ele é o herói que não se importa com dinheiro e quer proteger uma mulher (Carey Mulligan) e uma criança a todo custo. Mas que também não se importa em esmagar a cabeça de um inimigo na frente dela, na já famosa sequência do elevador.

Essa sequência, aliás, é a que mais utiliza a suspensão do tempo, através do recurso da câmera lenta. A câmera lenta que muitas vezes é criticada, mas que já foi também objeto de culto em obras de Sam Peckinpah e Wong Kar-wai, por exemplo. E a violência estilizada já é conhecida de quem viu O GUERREIRO SILENCIOSO (2009), o trabalho anterior de Refn, uma obra de andamento mais contemplativo. Em DRIVE, essa contemplação aparece bem menos. O filme é mais editado e mais enxuto, talvez por ser uma produção americana.

A história é simples, mas dentro dessa simplicidade aparente é possível buscar nas entrelinhas elementos da grandeza do filme, como o fato de o personagem não ter um passado. O herói é como se fosse uma personificação da justiça, e também mais cheio de autoconfiança do que qualquer outro herói de ação do cinema americano. Em DRIVE, até a jaqueta ensanguentada com símbolo de um grande escorpião nas costas é objeto de fetiche. E a paixão que o filme provoca é essencialmente visual.

Ailton Monteiro

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6 comentários sobre “Resenha: DRIVE (Filme em Destaque)

  1. T’aí, agora parece estarmos de um filme que preste realmente, caro Ailton, ré, ré! O mais incrível é que, mesmo sentindo o potencial deste filme, nunca o vi, apesar de tê-lo em casa no PC (em HD…!) há mais de 4meses… Vou correndo reverter esta injustiça: este filme parece mesmo uma unanimidade entre os cinéfilos! E, mais uma vez, parabéns pelo ótimo texto!

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  2. Meu Deus, 40 anos vendo cinema e acho que não aprendi NADA… ‘Drive’, para mim, não passa de um filme absolutamente banal. Não consegui achar o talento de Gosling, as homenagens cinéfilas, a inteligência extraordinária do roteiro… Só consegui ver os clichês – mais uma vez gângsters de Los Angeles, mais uma vez o bandido buscando redenção, mais uma vez mocinha com o cara errado (providencialmente tirado do caminho)… E o pior de tudo, um filme chamado ‘Drive’ onde só há escassos 3 minutos de… Drive! Desculpem, as emoções externadas mundo afora sobre esse filme estão me perturbando – emburreci tanto quanto está parecendo ou as pessoas estão se contentando com pouco hoje em dia? Para terminar, quem quiser ver Carey Mulligan mostrando a atriz que pode ser, assita ‘Shame’. Visceral por visceral, prefiro um filme que me deixe com pulgas atrás da orelha pelo conteúdo.

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  3. Pingback: Resenha de Filme: LA LA LAND – CANTANDO ESTAÇÕES | ScoreTrack.net

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