Resenha: SHERLOCK – PRIMEIRA TEMPORADA (Blu-ray)


Produção: 2010
Duração: 270 min.
Direção: Euros Lyn, Paul McGuigan
Elenco: Benedict Cumberbatch, Martin Freeman, Una Stubbs, Loo Brealey, Rupert Graves
Vídeo: Widescreen Anamórfico 1.78:1 (1080i/AVC MPEG-4)
Áudio: Inglês (Dolby Digital 5.1, Dolby Digital 2.0)
Legendas: Português, Inglês
Região: A, B, C
Distribuidora: Log On
Discos: 2 (BD 25Gb)
Lançamento: 16/12/2011
Cotações: Som: *** Imagem: **** Filme: **** Extras & Menus: ** Geral: *** 

SINOPSE
Sherlock Holmes está de volta como deveria ser: ácido, contemporâneo, difícil e perigoso. John Watson é médico, soldado e herói de guerra. Quando volta do Afeganistão, o destino o coloca no caminho de Holmes, um introspectivo e genial detetive. A astúcia e a mente analítica de Sherlock Holmes se completam com o pragmatismo de Watson e, juntos, eles vão desafiar os crimes sem solução na Inglaterra. Em três episódios longos de prender o fôlego, agora em alta definição, Holmes e Watson navegam por um labirinto de pistas enigmáticas para chegar à verdade.

COMENTÁRIOS
No final de 2009 o diretor Guy Ritchie lançou uma bem sucedida nova versão de Sherlock Holmes, que apesar de situar a ação no mesmo período dos contos originais de Sir Arthur Conan Doyle, trouxe certas modernizações que causaram polêmica entre os fãs do maior detetive da literatura – como mostrá-lo não apenas como mestre da dedução, mas também como um herói de ação especialista em artes marciais. No ano seguinte a BBC lançou esta nova adaptação para a TV com três episódios, que por sua vez tinha tudo para ser considerada uma heresia já que colocou Holmes na Londres contemporânea, em meio a celulares e laptops. No entanto, apesar deste detalhe crucial, a nova abordagem do personagem revelou ser muito mais fiel à sua essência do que o filme de Ritchie e sua continuação. Aliás, os méritos do programa não devem surpreender a quem conhece o trabalho prévio dos seus criadores, Steven Moffat (autor do roteiro do TINTIN de Steven Spielberg e Peter Jackson) e Mark Gatiss, egressos de outras produções de qualidade da TV britânica como JEKYLL e DOCTOR WHO.

A série agrada instantaneamente tanto aos fãs tradicionais do detetive como aos novatos em seu universo. Recontando a saga de Sherlock (Benedict Cumberbatch, de DESEJO E REPARAÇÃO) desde o início do seu relacionamento com Watson (Martin Freeman, de O GUIA DO MOCHILEIRO DAS GALÁXIAS), a produção utiliza como ponto de partida os contos originais de Doyle e emprega vários elementos como o estilo visual, a música e mesmo a própria atuação dos atores principais para ser original e vibrante, estabelecendo um estilo próprio mas que sempre respeita e homenageia o material original. Os roteiros baseiam-se sobremaneira na química entre os dois personagens principais, e felizmente ela é aparente desde a sua primeira cena juntos. Curiosamente seus intérpretes estarão em lados opostos em O HOBBIT, que Peter Jackson no momento está rodando na Nova Zelândia: Freeman será o jovem Bilbo Bolseiro, enquanto Cumberbatch fará a voz do dragão Smaug.

O primeiro episódio, “A Mulher de Rosa”, nos apresenta Sherlock Holmes como um “sociopata altamente funcional”, e o Dr. John Watson como um veterano do exército que, após ser ferido no Afeganistão, sofre de estresse pós-traumático. Através de um amigo mútuo, os dois passam a dividir o famoso apartamento 221B na Baker Street. Holmes, que age como consultor do inspetor Lestrade (Rupert Graves), da Scotland Yard, na solução de crimes aparentemente insolúveis, adota Watson como seu assistente. O mistério inicial envolve o suicídio de quatro pessoas, e Holmes não demora a descobrir que elas ingeriram veneno graças à ação de um serial killer manipulador. Os outros episódios envolvem uma operação de contrabando (“O Banqueiro Cego”) e uma figura misteriosa que chantageia Holmes com bombas para que ele solucione crimes (“O Grande Jogo”). E é neste último que o famoso arquiinimigo de Sherlock, Moriarty, surge em carne e osso. Além de Lestrade, temos personagens recorrentes como o irmão do detetive, Mycroft (interpretado pelo co-criador Mark Gatiss) e a namorada de Watson, Sarah (Zoe Telford).

Cada episódio de SHERLOCK funciona como um filme de 90 minutos, e a maior crítica que pode ser feita à série é que cada temporada possui apenas três deles. Menos mal que a segunda temporada estreia na Inglaterra já neste mês de janeiro, e estará sendo lançada no Brasil em DVD e Blu-ray, pela Log On, ainda no primeiro semestre de 2012, mesmo período em que também sairão por aqui os primeiros DVDs de DOCTOR WHO. Ou seja, nos próximos meses os brasileiros poderão apreciar mais dos talentos da dupla Moffat / Gatiss.

SOBRE O BD
A Log On colocou no mercado brasileiro a primeira temporada de SHERLOCK em Blu-ray alguns meses depois de tê-la lançado em DVD, e o fez respeitando as principais características técnicas das edições norte-americana e inglesa. Assim, a exemplo dos demais BDs da BBC, os três episódios receberam transferências anamórficas 1080i/AVC MPEG-4, com formato de tela na proporção 1.78:1. Ou seja, foi empregada a alta definição máxima da TV (1080i), e não o full HD do Blu-ray (1080p). Certamente seria possível fazer um upscale das masters em vídeo digital 1080i no qual a série é originalmente gravada, mas francamente duvido que houvessem melhorias significativas. Isso porque a apresentação visual de SHERLOCK é muito boa, com seus pretos fortes e cores de tons frios onde predominam cinza escuro, marrom e azul. Vemos muitos detalhes em rostos, cabelos, trajes, cenários e locações. Banding é percebido, de forma discreta, em algumas cenas mais escuras, e aliasing eventualmente surge. Por outro lado artefatos como blocking inexistem, e na maior parte do tempo as transferências propiciam uma sólida e adequada apresentação visual do programa.

Também no que se refere ao som SHERLOCK não aproveita ao máximo as capacidades da alta definição. O áudio disponível, apenas em inglês, é Dolby Digital 5.1, ao contrário de outros lançamentos da BBC que empregam o codec DTS-HD HR (que diferentemente do DTS-HD MA possui compressão, porém é superior ao Dolby Digital). Assim, em certos momentos percebemos problemas típicos de áudio lossy como o som mais abafado, que por vezes dificulta a compreensão das rápidas observações de Sherlock. Por outro lado, para uma produção televisiva e com muitos diálogos, os canais surround são bem ativos, e os graves são fortes. Também há uma faixa em inglês Dolby 2.0, porém ela não é selecionável e será reproduzida apenas se o seu equipamento não tiver suporte multicanal. As opções de legendas são português e inglês.

Os dois BDs 25Gb (camada simples) contendo os três episódios e um único extra estão acondicionados em um estojo comum para dois discos, sem luva, mas o maior reparo que posso fazer à apresentação de SHERLOCK em Blu-ray é quanto aos menus. A exemplo dos primeiros BDs da Warner (e de lançamentos recentes de distribuidoras independentes como a própria Log On), não existem menus principais. Após as vinhetas da BBC e da distribuidora, já iniciam os episódios. A seleção de cenas/episódios, legendas e extras é feita durante a reprodução através de um pequeno menu pop-up onde apenas ícones indicam as funções, o que torna a navegação inicial um pouco confusa.

EXTRAS
Em relação aos extras da primeira temporada de SHERLOCK em Blu-ray, tivemos prejuízo em relação aos boxes internacionais. Assim, perdemos duas faixas de comentários com a equipe e o elenco, e a versão original e não exibida de “A Mulher de Rosa”, que foi o piloto da série. Com apenas 60 minutos de duração a BBC pediu várias alterações no episódio, que acabou sendo totalmente refeito. Seria uma adição interessante, que nos permitiria comparar o piloto original com a versão aprovada pela BBC e que acabou indo ao ar. Assim, o único extra que recebemos foi “Desvendando Sherlock” (Unlocking Sherlock, HD, 33 min.), um não muito longo mas interessante e detalhado making of  sobre a tarefa de modernizar o lendário detetive, transportando elementos clássicos dos livros de Doyle para o século 21.

 Jorge Saldanha

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8 comentários sobre “Resenha: SHERLOCK – PRIMEIRA TEMPORADA (Blu-ray)

  1. Mais uma excelente resenha do Saldanha , tu escreve tão bem quanto o profissional Rubens Ewald Filho , parabéns !
    Gostaria de sugerir que publicassem resenhas de Gladiador , o BD duplo remasterizado e também do box Letal Weapon . Obrigado , ótimo 2012 para todos nós .

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    • Bondade sua Hercules! As suas sugestões estão anotadas – ainda não temos o box de Máquina Mortífera disponível, mas o BD duplo remasterizado de Gladiador sim – e é um belo steelbook europeu. Feliz 2012!! :)

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      • Saldanha , recebi meu Gladiador remasterizado duplo recentemente ( UK ) , sensacional o disco de extras , uma quantidade absurda de informação , mostrando o descaso da ” Varner ” com o consumidor brasileiro , já que lançaram uma versão sem o disco de extras aqui .
        No geral achei a qualidade de imagem excelente , mas percebi em algumas cenas uns artefatos ( não sei se é o termo correto ) , pequenos pontinhos brancos piscando ( como grãos ) em partes da tela , coisa mais comum em filmes bem antigos , mas que não chega a atrapalhar , mas como Gladiador é um filme recente , não deveria ter esses problemas .
        Outra coisa , se puder me ajudar , existe alguma forma de confirmar se a versão do BD de Gladiador é realmente a remasterizada ? Pesquisei na net e pelas informações que achei , o meu é sim a remasterizada , na parte de trás da capa consta 2010 nos letreiros e o simbolo ” pocket BLU ” , é isso mesmo ou tem outra forma de confirmar ?

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          • Hercules, em primeiro lugar não seja injusto com a Warner, já que ela não tem nada a ver com este “fail” – o filme é do catálogo da Paramount (EUA) e Universal (Europa/América Latina). Quem comeu o disco de extras aqui, portanto, foi a Universal.

            Os pontinhos brancos, que também notei, não são artefatos da transfer mas sim pequenos danos da master empregada. Para eliminá-los os negativos teriam de ser totalmente restaurados digitalmente, o que provavelmente acontecerá quando o filme for relançado futuramente em “BD Ultra Definição”, ou seja lá o nome que tiver o sucessor do Blu-ray.

            Quanto ao seu BD ser ou não remasterizado, provavelmente é, já que foi lançado em 2010 (a “versão DNR” é de 2009 e já foi descontinuada). Já se você tivesse comprado o steelbook inglês ele seria a versão DNR, já que foi lançado em 2009. A edição que usei na minha resenha (e que logo irá para o site) é a do steelbook francês de 2010, remasterizado. Tirando a embalagem, o conteúdo dele é idêntico ao seu BD.

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