Resenha: THE WALKING DEAD – PRIMEIRA TEMPORADA COMPLETA (Blu-ray)


Produção: 2010
Duração: 292 min.
Direção: Vários
Elenco: Andrew Lincoln, Jon Bernthal, Sarah Wayne Callies, Laurie Holden, Jeffrey DeMunn, Steven Yeun, Chandler Riggs, IronE Singleton
Vídeo: Widescreen Anamórfico 1.78:1 (1080p/AVC MPEG-4)
Áudio: Inglês (DTS-HD Master Audio 5.1), Português (Dolby Digital 2.0)
Legendas: Português, Inglês
Região: A, B, C
Distribuidora: PlayArte
Discos: 2 (50Gb)
Lançamento: 19/09/2011
Cotações: Som: ****½ Imagem: **** Filme: ****  Extras & Menus: *** Geral: **** 

SINOPSE
O mundo vive momentos de caos quando o xerife Rick Grimes acorda, depois de um longo tempo em coma num hospital. Mal sabe ele que nada mais é como costumava ser. Assustadoramente, o improvável aconteceu e o apocalipse chegou com uma assustadora invasão de mortos-vivos. THE WALKING DEAD conta exatamente o que acontece com os humanos que sobreviveram a isso tudo e prosseguem lutando contra essas perigosas criaturas. A série é baseada em best-seller dos quadrinhos assinado por Robert Kirkman, que tem fãs pelo mundo todo.

COMENTÁRIOS
Em sua longa e conturbada carreira cinematográfica, os zumbis despontaram em filmes clássicos como A NOITE DOS MORTOS VIVOS (1968) e DESPERTAR DOS MORTOS (1978), ambos do Mestre George A. Romero, ótimas comédias como TODO MUNDO QUASE MORTO (2004) e ZUMBILÂNDIA (2009), e em variações do tema entre as quais EXTERMÍNIO (2002) se destaca. Mas foi apenas em 2010 que os cadáveres ambulantes e antropófagos ganharam uma série para chamar só de sua. E isso graças ao cineasta Frank Darabont (UM GRITO DE LIBERDADE, À ESPERA DE UM MILAGRE), um grande fã do fantástico e do horror – vertentes que finalmente abraçou por completo em seu filme mais recente, O NEVOEIRO (2007).

Quando Darabont descobriu a série de graphic novels OS MORTOS-VIVOS, de Robert Kirkman, logo tratou de adquirir seus direitos. Os quadrinhos de Kirkman (que tomaram emprestados de EXTERMÍNIO o protagonista que acorda do coma em um mundo de infectados), além de trazerem monstros que Frank adora, se diferenciam por conter alta carga de dramaticidade e desenvolvimento de personagens, tornando-os ideais para serem adaptados em forma de uma série de televisão. Como o próprio autor afirma, filmes de zumbis são legais mas eles terminam quando você gostaria de continuar acompanhando os personagens, que além de lutar para sobreviver tem de lidar com uma série de questões éticas e morais em um mundo no qual a civilização deixou de existir.

Darabont vendeu o conceito ao canal pago AMC, que produz as ótimas séries dramáticas MAD MEN e BREAKING BAD, e assim nasceu THE WALKING DEAD, cuja primeira temporada teve apenas seis episódios e fez grande sucesso de público e crítica. Isso não porque ela tenha reinventado o gênero ou os próprios zumbis (que na série nunca são chamados assim, os humanos se referem a eles em inglês apenas como “walkers”). As criaturas obedecem ao padrão estabelecido por Romero em seus filmes: continuam sendo letárgicos, lentos, e só podem ser mortos com tiros ou golpes na cabeça. O que caracteriza a série é que, por mais que os zumbis sejam seu principal chamariz, eles são um elemento secundário. Quem realmente se destaca são os personagens do grupo liderado pelo xerife Rick Grimes (Andrew Lincoln), com seus dramas e conflitos pessoais. Apesar disso, não imagine que THE WALKING DEAD seja uma mera novela com zumbis.

Certamente há alguns elementos dignos de soap operas – por exemplo a esposa de Rick, pensando que ele estava morto, passou a ter um relacionamento com seu melhor amigo, e seu retorno cria situações típicas de triângulos amorosos clichês. Mas no geral a série escapa de ser um “novelão” por ser muito bem escrita e por transmitir ao espectador tensão e perigo quase constantes. Mesmo nos locais onde os sobreviventes acreditam ter encontrado um refúgio seguro existem ameaças ocultas, e elas nem sempre se originam de zumbis. E estes, quando surgem, o fazem de forma impactante. O especialista e co-produtor Greg Nicotero, com sua equipe, criou os que podem ser considerados os melhores zumbis de todos os tempos, e muitos deles são mortos de forma espetacular – aliás, a série é tão violenta quanto um filme de zumbis tradicional, portanto prepare-se para ver decapitações, cabeças explodindo, vísceras em profusão e outras “atrações” do gênero.

Méritos do criador Robert Kirkman (que também é um dos produtores da série) à parte, se THE WALKING DEAD deu certo isso se deve principalmente a Frank Darabont. São poucos os programas que podem se dar ao luxo de poder contar com um ótimo diretor e roteirista como ele. Darabont deu ao programa um visual áspero, realista, e acima de tudo bons argumentos e muito suspense. Assim, foi lamentável sua saída do dia-a-dia da produção após o início da segunda temporada, atualmente em exibição no Brasil pela Fox e que terá 13 episódios produzidos. Consta que Darabont não teria se conformado com cortes no orçamento e se demitiu. Felizmente, avaliando-se pelo que já foi exibido da atual temporada, o programa manteve a qualidade, ainda que seu ritmo tenha ficado perceptivelmente mais lento. Mas o sucesso continua, e THE WALKING DEAD já foi renovada para a terceira temporada. Vida longa aos zumbis…

SOBRE O BD
Tendo saído por aqui com algum atraso pela PlayArte, a primeira temporada de THE WALKING DEAD em Blu-ray está à altura da edição originalmente lançada nos EUA pela Anchor Bay, com a adição de menus, legendas e dublagensem português. Maspoderia ter havido um pouco mais de capricho na embalagem – o estojo plástico que traz os dois BDs nem uma luva de cartolina ganhou, ao contrário da versãoem DVD. Nomais, não há do que reclamar. Os seis episódios da temporada receberam transferências anamórficas 1080p/AVC MPEG-4, que preservam a proporção original de tela 1.78:1. Quem acompanha a série pela TV, mesmo em alta definição (1080i), notará uma considerável melhoria de qualidade graças à total ausência dos artefatos típicos das transmissões digitais. Também perceberá um aumento na granulação da imagem, mas isso tem uma boa explicação: a fim de dar à série um visual mais rústico e realista, Frank Darabont optou por rodá-la em película 16mm, que além de não ter a mesma definição do filme 35mm, é mais granulada. Outro efeito secundário da maior definição das transferências é tornar mais artificial o sangue digital, que jorra dos zumbis quando eles são atingidos. Já as cores, apesar da baixa saturação em algumas sequências, são fortes e naturais, e os pretos, sólidos, ajudam a delinear as sombras com precisão. No geral, dadas as características da fonte, a imagem de THE WALKING DEAD nunca será deslumbrante, mas sempre possuirá ótima qualidade.

Melhor ainda que o vídeo da série é sua excelente faixa lossless DTS-HD Master Audio 5.1 original em inglês, que chega a surpreender em uma série dominada pelos diálogos. Estes sempre são ouvidos claramente, enquanto uma discreta mas eficiente ambientação envolve o espectador; e nos momentos em que a ação explode a mixagem em alta definição mostra toda a sua força. Você se vê cercado pelos gemidos e outros sons provocados pelos zumbis, reproduzidos com grande e cristalino realismo. Os canais traseiros são constantemente empregados para criar um ambiente de ameaça e horror, os tiros são ouvidos com grande precisão e os graves, quando necessário, são agressivos. O toque final é dado pela música de Bear McCreary (BATTLESTAR GALACTICA), que longe de ser onipresente surge no palco sonoro de forma econômica, mas eficaz, para aumentar a sensação de angústia e medo. Há também uma dublagem bem mais discreta em português Dolby 2.0, e legendas em português e inglês. Aliás, nas legendas você pode optar por uma fonte com um estilo semelhante ao das histórias em quadrinhos. Os interessantes menus principal (animado) e pop-up estão em português.

EXTRAS
A primeira temporada de THE WALKING DEAD chegou em Blu-ray ao Brasil trazendo todos os extras do lançamento original norte-americano. Se você notar a ausência de comentários em áudio nos episódios, tenha o consolo de saber que o box original lançado nos EUA também não os tinha. Porém… (e sempre tem um porém!) lá também saiu uma edição especial da primeira temporada que, além de trazer comentários em todos os episódios, possui um terceiro disco com extras adicionais – uma interessante versão em preto-e-branco do episódio piloto, um novo documentário de bastidores com quase uma hora de duração e mais cinco featurettes de produção. Como dificilmente a PlayArte disponibilizará essa edição por aqui, contentemo-nos com o seguinte material suplementar, em sua maioria disponibilizado no site da AMC durante a produção da primeira temporada, todo legendado em português e em alta definição:

Featurettes 

  • Making of (30 min.) – Relativamente curto, porém abrangente documentário sobre os bastidores da produção, que inclui depoimentos de produtores como Frank Darabont, Gale Anne Hurd e Robert Kirkman, e membros do elenco. Entre os tópicos abordados estão a diferença da série em relação a outras produções de zumbi, produção, filmagens, o (então) bom relacionamento com o AMC, etc.;
  • Por dentro do Episódio (31 min.) – Cada episódio da temporada ganhou um featurette de bastidores, com duração média de cinco minutos. Como os demais extras eles só podem ser assistidos individualmente, não havendo a opção reproduzir todos em sequência. Partes deles foram utilizadas no making of acima;
  • Uma Espiada com Robert Kirkman (4:51 min.) – Pequeno featurette de bastidores, apresentado pelo criador dos gibis originais;
  • Dicas de maquiagem de zumbis para Halloween (7 min.) – Greg Nicotero e um dos seus assistentes mostram uma maquiagem caseira para fazer com que um parente ou amigo (ou ainda você mesmo) vire zumbi;
  • Destaques no Painel da Comic-Con (11 min.) – Os melhores momentos do painel da Comic-Con 2010 ocorrido antes da estreia da série, no qual os realizadores e o elenco principal respondem às perguntas da platéia;
  • Trailer de The Walking Dead (1:03 min.) – Trailer promocional.

Bônus 

  • Escola de Zumbis (3 min.) – Uma olhada nas lições que os figurantes receberam para que se comportassem corretamente como zumbis;
  • Garota da Bicicleta (5 min.) – Saiba como foi criado o zumbi mais marcante da temporada – a moça cortada pela metade que, no primeiro episódio, Grimes encontra no parque;
  • No Set com Robert Kirkman (3 min.) – Kirkman nos leva em um rápido passeio pelos sets do programa;
  • Passando um Tempo com Steve Yeun (4 min.) – Outro ator nos leva aos bastidores da série, desta vez é o jovem que interpreta Glenn;
  • Conhecendo o veículo de Dale (3 min.) – Jeffrey DeMunn (Dale) nos mostra o interior do motor-home de seu personagem;
  • No Set com Andrew Lincoln (4 min.) – O astro da série, o inglês Lincoln, fala sobre seu personagem, do que gosta no programa, e também nos mostra um pouco dos bastidores.

Jorge Saldanha

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Um comentário sobre “Resenha: THE WALKING DEAD – PRIMEIRA TEMPORADA COMPLETA (Blu-ray)

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