Resenha: PULP FICTION – TEMPO DE VIOLÊNCIA (Blu-ray)


Produção: 1994
Duração: 154 min.
Direção: Quentin Tarantino
Elenco: John Travolta, Samuel L. Jackson, Uma Thurman, Bruce Willis, Tim Roth, Eric Stoltz, Amanda Plummer, Harvey Keitel
Vídeo: Widescreen Anamórfico 2.35:1 (1080p/AVC MPEG-4)
Áudio: Inglês (DTS-HD Master Audio 5.1), Português (Dolby Digital 2.0)
Legendas: Português, Inglês
Região: A, B, C
Distribuidora: Imagem Filmes
Discos: 1 (50Gb)
Lançamento: 07/12/2011
Cotações: Som: ***** Imagem: ****½ Filme: **** Extras & Menus: *** Geral: **** 

SINOPSE
O premiado diretor Quentin Tarantino apresenta uma mistura espetacular de ação com humor ácido, trazida por elenco e personagens inesquecíveis – incluindo a dupla de assassinos Vincent Vega e Jules Winnfield (John Travolta e Samuel L. Jackson), a mulher de seu chefe Mia Wallace (Uma Thurman), o desesperado boxeador Butch Coolidge (Bruce Willis) e um casal de ladrões baratos (Amanda Plummer e Tim Roth). Uma história policial que revolucionou o jeito de se fazer cinema.

COMENTÁRIOS
O tempo voa. PULP FICTION – TEMPO DE VIOLÊNCIA (1994) foi lançado há quase 18 anos, mas parece que foi ontem. Após o diretor e roteirista Quentin Tarantino ter estreado de forma arrebatadora com CÃES DE ALUGUEL (1992), seu filme seguinte revelou ser ainda melhor e o consagrou como o maior diretor norte-americano surgido nos anos 1990. O público adorou o filme, os críticos o amaram e o roteiro escrito por Roger Avary e pelo próprio Tarantino, inspirado pela literatura conhecida nos EUA como – adivinhe – “Pulp Fiction” (referência à polpa do papel barato das revistas ou livros onde essas obras eram publicadas), levou o Oscar.

A minoria que não gostou do filme o considerou excessivamente longo, incompreensível (sua narrativa, dividida em capítulos ou contos como em KILL BILL, é não-linear, ou seja, não obedece a uma ordem cronológica), mas assim é o cinema “Ame-o ou Deixe-o” de Tarantino. E, até agora, a grande maioria continua a amá-lo. O fato é que em PULP FICTION o diretor atingiu a perfeição de sua fórmula (ainda que o filme, em si, não seja perfeito), onde um eclético e ótimo elenco (com três indicações ao Oscar) passa por algumas situações absurdas, por vezes extremamente violentas, ou então simplesmente se entrega a longos diálogos onde normalmente discutem os mais variados e (ir)relevantes tópicos da cultura pop, cinematográfica e televisiva.

Em suas histórias Tarantino nos apresenta uma visão estilizada do crime de Los Angeles, todas tendo como elo de ligação a dupla de assassinos Vincent (John Travolta) e Jules (Samuel L. Jackson), que trabalham para o gângster Marsellus Wallace (Ving Rhames). Nenhum dos dois aparece no segmento inicial com o casal de ladrões que se chamam, carinhosamente, de “Honey Bunny” e “Pumpkin” (Amanda Plummer e Tim Roth), mas seus destinos se cruzarão no encerramento do filme. Entre esses dois pontos narrativos temos momentos antológicos como a noitada de Vincent com a mulher de Marcellus, Mia (Uma Thurman), que passa pela icônica dança do casal em uma casa noturna onde todos os funcionários são sósias de celebridades do cinema, e termina com Vincent desesperadamente tentando salvar a vida da moça, vítima de overdose de cocaína, com a ajuda do traficante Lance (Eric Stoltz).

Há também a tragicômica jornada do boxeador decadente Butch (Bruce Willis), que passa a perna em Marsellus e tenta fugir com sua amada francesa Fabienne (a portuguesa Maria de Medeiros), mas o destino o leva a ser aprisionado, juntamente com o gângster, por um trio de homossexuais pervertidos. E, no segmento de maior humor negro do filme, Jules e Vincent, com a ajuda do amigo Jimmie (o próprio Tarantino) e do ultracool Wolf (Harvey Keitel) precisam lavar o carro onde, sem querer, Vincent estourou os miolos de outro sujeito que passou a perna em Marcellus. Em uma corrida contra o tempo, antes que a esposa de Jimmie, Bonnie, chegue em casa, o trio deverá eliminar todos os vestígios do crime e se livrar do corpo da vítima.

PULP FICTION também é conhecido como o filme que ressuscitou a carreira de John Travolta, que andava relegado a comédias tolas como OLHA QUEM ESTÁ FALANDO. A sorte de Travolta é que o primeiro escolhido de Tarantino para o papel de Vincent, Michael Madsen, optou trabalhar ao lado de Kevin Costner em WYATT EARP – má escolha Michael! No elenco de apoio quem também dá as caras é o sempre excelente Christopher Walken, em uma curta mas hilária participação como um militar que conta ao então pequeno Butch os “sacrifícios” que o pai do garoto, e ele próprio, enfrentaram para entregar-lhe o relógio que passa de pai para filho.

Quase duas décadas após seu lançamento PULP FICTION, que como de hábito conta com uma icônica trilha sonora extraída da discoteca do cineasta para acompanhar os diálogos afiados, continua sendo reconhecido como o maior “épico” da carreira de Tarantino – apesar de, pessoalmente, ainda preferir a primeira parte de KILL BILL.

SOBRE O BD
A Imagem Filmes herdou os direitos de distribuição no Brasil dos títulos anteriormente lançados aqui em DVD pela Disney, e na primeira leva desses lançamentos em Blu-ray se inclui PULP FICTION. Havia uma justificada preocupação dos colecionadores e fãs do filme, já que a distribuidora é uma notória “mutiladora” de som e imagem em alta-definição. Se a embalagem e a apresentação gráfica são simples e alguns extras foram omitidos, pelo menos na parte técnica nossa edição é correta, possuindo qualidade equivalente à do Blu-ray da Lionsgate recentemente lançado nos EUA. Assim como fez nos BDs de KILL BILL a Imagem está respeitando os filmes de Quentin Tarantino, preservando o formato original de tela e incluindo faixas de áudio original lossless.

Disponível anteriormente por aqui apenas em um medíocre DVD letterbox, assistir a PULP FICTION em Blu-ray é uma revelação. Mesmo com um tratamento visual que procura por vezes tornar a imagem semelhante às ilustrações das antigas revistas Pulp, o vídeo possui elevado nível de detalhes, facilmente perceptível na definição de fios de cabelo e detalhes faciais. Os pretos são fortes, as cores são intensas e estáveis, e os tons de pele são sempre naturais. Danos e sujeiras inerentes à película inexistem, bem como qualquer indício de DNR. Em algumas tomadas pode ter havido o emprego de edge enhancement, mas se de fato isso ocorreu não chegou ao ponto de ser um fator de distração. Até por opções estilísticas o filme pode não ter uma imagem cristalina e deslumbrante como às de produções contemporâneas, mas sua transferência anamórfica 1080p/AVC MPEG-4, na proporção de tela 2.35:1, é de primeira.

Para um filme com quase 20 anos de idade, a faixa de áudio DTS-HD Master Audio 5.1 em inglês é, simplesmente, de referência. Ela possui uma mixagem dinâmica e energética que emprega todos os canais para criar um completo envolvimento sonoro. Os diálogos soam sempre cristalinos, e os canais surround são muito empregados. As velhas canções da antológica trilha sonora nunca foram ouvidas com tamanha fidelidade e definição, e nos momentos necessários os graves retumbam no subwoofer. Temos aqui uma faixa lossless de demonstração, à altura das que possuem os filmes atuais de ação e aventura lançados recentemente em Blu-ray. Muitíssimo mais discreta, obviamente, é a dublagem em português Dolby 2.0. As legendas estão disponíveis em português e inglês, e os menus principal (animado) e pop-up estão em português.

EXTRAS
Se na parte técnica de PULP FICTION a Imagem Filmes fez um ótimo trabalho de autoração, preservando as características do Blu-ray lançado nos EUA pela Lionsgate, no que se refere aos extras não podemos dizer o mesmo. Em comparação com o material presente no disco norte-americano, verificamos que ficou de fora o material produzido especialmente para o Blu-ray de lá: uma faixa de trivia e dois vídeos em HD – “Not the Usual Mindless Boring Getting to Know You Chit Chat” (HD, 43 min.), onde Tarantino e membros da equipe e do elenco relembram a produção, e “Critic’s Retrospective: Here are Some Facts on the Fiction” (HD, 20 min.), uma mesa redonda de críticos que comentam o filme e sua importância. Assim, o que nos restou foram basicamente os vídeos em resolução standard (480p) herdados do DVD duplo norte-americano e que ainda eram inéditos aqui (felizmente todos legendados), menos duas montagens de cenas de bastidores, uma extensa galeria de trailers e comerciais de TV e a galeria de imagens.

  • Making Of (10 min.) – Esta é uma curiosidade que você não encontra no BD norte-americano: um vídeo onde Tarantino nos leva aos bastidores das filmagens de duas cenas – a do atropelamento de Marsellus e a do jantar de Mia e Vincent;
  • Cenas Deletadas (25 min.) – Em uma breve introdução, Tarantino explica que PULP FICTION nunca receberá uma versão do diretor, mas que mesmo assim ele gosta muito de algumas cenas que ficaram de fora da montagem final e que elas merecem ser vistas pelos fãs. E de fato, as apresentadas aqui estão no mesmo nível das de várias incluídas na versão final;
  • Pulp Fiction – Os Fatos (30 min.) – Making-of criado em 2001 onde o elenco e a equipe falam sobre a produção do filme e sua influência;
  • Entrevista com o Designer de Produção e com a Decoradora de Cenário (6 min.) – O desenhista de produção David Wasco e a decoradora de cenários Sandy Reynolds-Wasco falam sobre o visual do filme e os cenários utilizados;
  • A Palma de Ouro – Festival de Cannes, 1994 (5 min.) – Vemos aqui Tarantino, o produtor Lawrence Bender e parte do elenco recebendo da atriz Kathleen Turner (ainda bela) o maior prêmio conquistado pelo filme;
  • “Charlie Rose Show” – Entrevista com Quentin Tarantino (56 min.) – Divertida (e longa) entrevista concedida por Tarantino ao programa de TV em questão;
  • “Programa Siskel & Ebert” – A Geração Tarantino (16 min.) – Os dois prestigiados críticos de cinema norte-americanos Gene Siskel e Roger Ebert discutem a influência do filme em Hollywood, e de como ele consagrou definitivamente o diretor Quentin Tarantino;
  • Michael Moore Entrevista a Equipe no Independent Spirit Awards (12 min.) – O polêmico diretor Moore entrevista Quentin Tarantino, Samuel L. Jackson e Lawrence Bender nos bastidores da cerimônia do Independent Spirit Awards.

Jorge Saldanha

7 comentários sobre “Resenha: PULP FICTION – TEMPO DE VIOLÊNCIA (Blu-ray)

  1. Pingback: Resenha: SEM DOR, SEM GANHO (Filme em Destaque) | ScoreTrack.net

  2. Pingback: Resenha: BASTARDOS INGLÓRIOS (Blu-ray) | ScoreTrack.net

  3. Um filme que certamente é muito vale a pena ver. Atrás Não importa quanto tempo, uma das minhas atrizes favoritas é Maria de Medeiros, a quem eu estou vendo agora na nova série O Hipnotizador uma nova produção apenas começou e é muito interessante, como o recmeindo.

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