Resenha: A HORA DO ESPANTO (Filme em Destaque)


A HORA DO ESPANTO (Fright Night, EUA, 2011)
Gênero: Terror
Duração: 97 min.
Elenco: Colin Farrell, David Tennant, Anton Yelchin, Christopher Mintz-Plasse,Toni Collette, Imogen Poots, Dave Franco, Reid Ewing, Emily Montague, Tina Borek
Trilha Sonora Original: Ramin Djawadi
Roteiro: Marti Noxon
Direção: Craig Gillespie
Cotação: **½

 A HORA DO ESPANTO (FRIGHT NIGHT, 1985), de Tom Holland, é um dos filmes icônicos dos anos 1980, e mesmo não sendo uma comédia (trazendo, isso sim, alguns momentos bem humorados e desencanados), deu origem a toda uma leva de produções no gênero terrir. Foi o legítimo precursor de BUFFY, A CAÇA VAMPIROS, e não por acaso uma das roteiristas da série de Joss Whedon, Marty Noxon, escreveu este remake dirigido de forma burocrática por Craig Gillespie.

A trama permanece basicamente a mesma, exceto por algumas variações. Em um subúrbio (antes era de Los Angeles, agora é de Las Vegas) o adolescente Charlie Brewster descobre que o novo vizinho, Jerry Dandridge, é um vampiro responsável pelo sumiço de vários estudantes (antes as vítimas eram prostitutas, mas como a nova versão é da Disney…). Após denunciar Jerry à polícia e ser desacreditado, o rapaz, sua família e namorada passam a ser ameaçados pelo vampiro, e ele decide recorrer a Peter Vincent – que de ex-ator de filmes de terror (o que no original fazia bem mais sentido, até em razão da homenagem que está embutida no nome do personagem), virou nesta versão um mágico que se apresenta em Las Vegas.

Sim, este novo A HORA DO ESPANTO é mais uma refilmagem desnecessária que é fruto da completa falta de criatividade de Hollywood. Porém, dito isso, não dá para negar que ela tem alguns méritos. Colin Farrell se sai bem como o vampiro Jerry, em uma versão menos sedutora e mais sangrenta que a original, encarnada por Chris Sarandon – que aliás faz uma irônica ponta neste novo longa. Anton Yelchin (o novo Chekov de STAR TREK) faz um Charlie mais bravo e combativo, enquanto Toni Colette dá mais relevo à personagem de sua mãe. Decepcionantes são os novos Ammy (Imogen Poots) e Evil Ed (Christopher Mintz-Plasse, de SUPERBAD – É HOJE) – na primeira faz falta a pureza da personagem original, e o segundo está totalmente deslocado no papel.

Quanto ao escocês David Tennant, que após a série DOCTOR WHO busca uma carreira em Hollywood, ele tenta dar relevância ao seu Peter Vincent – uma mistura de mágico performático estilo Criss Angel com rock star à la Russell Brand, sempre bebum e que ao final deve tornar-se um verdadeiro caça vampiros para ajudar Charlie a enfrentar Jerry -, mas acaba ficando anos-luz atrás da personificação original do inesquecível Roddy McDowall.

Com seus inevitáveis efeitos CGI e 3D (que, para uma produção convertida, até são razoáveis, apesar das muitas cenas escuras), o novo A HORA DO ESPANTO não é memorável como o original, e provavelmente será logo esquecido. Mas pelo menos tem o mérito de ser um filme contemporâneo com vampiros de verdade, e não aqueles cheios de purpurina de CREPÚSCULO (aliás, devidamente ironizado aqui). Além disso viabilizou, finalmente, o lançamento em CD do score eletrônico que Brad Fiedel compôs para o filme original – certamente muito melhor que a nova e insossa música de Ramin Djawadi (GAME OF THRONES).

Jorge Saldanha

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5 opiniões sobre “Resenha: A HORA DO ESPANTO (Filme em Destaque)”

  1. Fico a me perguntar, meu caro Jorge Saldanha: será que a necessidade de ganhar uns caraminguás a mais é a única explicação para ressuscitar (e enterrar de uma vez por todas, né?) clássicos icônicos de eras bem mais criativas, como os anos 80?! Sim, porque, se for só por isso, não se precisava manchar material tão bacana quanto o de “Fright Night”, não é mesmo?! Bastaria realizar um novo subproduto besteirol crepuscular, que os caraminguás choveriam do mesmo jeito e ninguém ficaria ofendido! Não sei se é somente a falta de criatividade, não: acho que deve haver algum vampiro maior e megalomaníaco por trás disso, querendo uma “renovação artística” nas porcarias lançadas atualmente: daí, recorra-se aos clássicos oitentistas… O que ainda virá, Robocop?! Jesus…

    Falando em pequenos clássicos, falo em meu blogue (você se lembra, né? Jà é de casa!) sobre “Quanto mais idiota melhor” (que filme legal, né?) e sua clássica cena-homenagem a “Bohemian Rhapsody” do Queen! Caso interessar possa… Abração!

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  2. É a falta de criatividade mesmo. Agora é só remakes, reboots e continuações porque idéia nova está difícil de aparecer. “A Hora do Espanto” original foi um dos clássicos dos anos 80, como Gremlins, A Fúria de Titãs, Ghostbusters e tantos outros que deixaram saudades. Ao refilmar esses filmes clássicos para a geração iPod, os executivos de Hollywood acabam matando a idéia original. mas como o Jorge disse, esses reboots e remakes caem logo no esquecimento e quem fica são os clássicos originais.

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  3. Sem dúvida nenhuma, o lançamento da partitura composta por Brad Fiedel foi excelente juntamente com o Gremilins de Jerry Goldsmith, dois CDs que eu ansiava por muitos anos.

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