Resenha: THOR (Blu-ray 2D+3D)


Produção: 2011
Duração: 114 min.
Direção: Kenneth Branagh
Elenco: Chris Hemsworth, Natalie Portman, Anthony Hopkins, Stellan Skarsgård, Ray Stevenson, Jaimie Alexander, Kat Dennings, Tom Hiddleston, Iris Elba, Rene Russo, Clark Gregg, Colm Feore, Jeremy Renner
Vídeo: Widescreen Anamórfico 2.35:1 (1080p/AVC MPEG-4)
Áudio: Inglês (DTS-HD Master Audio 7.1), Português, Espanhol, Francês (Dolby Digital 5.1)
Legendas: Português, Inglês, Espanhol, Francês
Região: A, B, C
Distribuidora: Paramount
Discos: 2 BDs (50GB)
Lançamento: 18/09/2011
Cotações: Som: ***** Imagem 2D: ****½ Imagem 3D: **½  Filme: *** Extras & Menus: **** Geral: **** 

SINOPSE
Quando é banido do reino de Asgard e exilado na Terra, o arrogante guerreiro Thor (Chris Hemsworth), filho do poderoso Odin (Anthony Hopkins), é obrigado a lutar para reaver seus poderes perdidos. Perseguido pelo poderoso Destruidor enviado para destruí-lo e sem seu poderoso martelo Mjölnir, o Deus do Trovão terá de enfrentar a maior batalha de sua vida. Mas será vivendo entre os humanos e apaixonando-se pela cientista Jane Foster (Natalie Portman) que Thor descobrirá o que é preciso para se tornar um verdadeiro herói.

COMENTÁRIOS
Primeiro filme de personagens da Marvel a chegar aos cinemas em 2011, THOR, dirigido de forma acadêmica pelo “Shakespeareano” Kenneth Branagh, dificilmente será considerado por alguém como uma das melhores adaptações de quadrinhos para o cinema. Mas certamente está longe de ser das piores, e com um eclético elenco, visões deslumbrantes do Reino de Asgard, batalhas contra criaturas e monstros CGI, tramas palacianas, pitadas de romance e até mesmo momentos de comédia que funcionam bem, diverte até mesmo quem não possui familiaridade com o universo criado por Stan Lee e seus colaboradores.

A trama parece justificar a escolha de Branagh para a sua direção: em seu cerne temos um rei e seus dois herdeiros, a traição de um deles e a desgraça e posterior redenção de outro – elementos típicos da obra de Shakespeare. Mas se engana quem acha que tudo é sério, dramático. Sem apelar demasiadamente para o camp, o diretor providencia uma caracterização desencanada para Thor e seus amigos guerreiros. Ele se arrisca até mesmo a colocar o protagonista em situações potencialmente ridículas – como quando Thor, após esbravejar aos humanos que é o Poderoso Deus do Trovão, é abatido por um prosaico taser; ou ainda quando ele entra numa loja de animais de estimação e diz pomposamente que precisa de um cavalo. Alguns fãs poderão torcer o nariz, mas o fato é que esses momentos se inserem adequadamente no tom e na construção do filme.

Piadas à parte, o australiano Chris Hemsworth (que ganhou destaque no início de STAR TREK como o pai de James T. Kirk), personifica Thor da maneira que poderíamos esperar – um gigante viking bonachão e bebedor de cerveja, que paulatinamente abandona a arrogância que tinha em Asgard e, após sofrer pelo banimento na Terra, chorar pela pretensa morte de Odin (Hopkins, à vontade) e se afeiçoar pelos seres humanos, ressurge para enfrentar seu irmão Loki (Tom Hiddleston, ótimo) e ocupar o lugar que lhe cabe no panteão de super-heróis que, em 2012, estarão no aguardado OS VINGADORES – filme que começou a ser preparado já no HOMEM DE FERRO de 2008.

Entre as deficiências de THOR, a que primeiro me vem à cabeça é, surpreendentemente, a oscarizada Natalie Portman, em atuação que não ajuda a tornar plenamente convincente seu romance com o herói. Não sei se isso é culpa da atriz ou do próprio roteiro, mas sei que, para mim, seu melhor momento é quando Jane vê pela primeira vez Thor com seu martelo e trajes típicos e ela exclama, extasiada, “Oh meu Deus” – o que é tecnicamente correto e sutilmente engraçado. Também, alguns elementos parecem ter sido apenas “jogados” no filme para fazer a ligação com OS VINGADORES, como a rápida (e desnecessária) aparição do Gavião Arqueiro (Jeremy Renner). Já outros, como a tradicional cena após os créditos finais, são mais consistentes.

Mas THOR nunca chegará a aborrecer o espectador, que facilmente encontrará no filme boas qualidades – ainda que elas não fiquem por muito tempo em sua memória, como a competente mas genérica trilha orquestral de Patrick Doyle. O filme faturou o suficiente nas bilheterias para garantir uma continuação que já tem até data de estreia marcada: 26 de julho de 2013.

SOBRE O BD
A Paramount lançou THOR no Brasil em duas edições diferentes de Blu-ray: uma com apenas um disco, contendo o filme e todos os extras, e esta “limitada”, que inclui um segundo BD com a versão 3D do filme. A embalagem HD Case, com suporte para o disco adicional, é envolta por uma luva de cartolina metalizada. Nas duas edições foram usados BD-50, sem codificação regional. As versões 2D e 3D trazem versões levemente diferentes dos menus animados (apenas em inglês), sendo que a última, que não tem suporte à reprodução 2D, omite a sequencia inicial com Anthony Hopkins. Começamos a avaliação pela versão 2D do filme, cuja transferência anamórfica 1080p/AVC MPEG-4, na proporção 2.35:1, chega perto da perfeição, reproduzindo fielmente as opções estilísticas da fotografia que variam de acordo com os três locais predominantes da ação – a colorida Asgard, as frígidas e azuladas paisagens de Jotunheim e os brilhantes exteriores do Novo México. Mesmo em 2D a imagem por vezes sofre nas cenas mais escuras, onde há alguma perda dos detalhes finos. Nas cenas de cores quentes de Asgard os detalhes aumentam significativamente nos rostos, vestimentas e cenários. Aqui os tons de pele não são naturais, adquirindo um visual meio dourado (que predomina no esquema de cores adotado). Durante todo o tempo temos uma leve granulação que propicia aquela sensação “fílmica” que tanto agrada aos cinéfilos. A transferência é isenta de filtros (exceto os usados na própria pós-produção), ruídos ou artefatos, mantendo o alto padrão dos lançamentos da distribuidora. Mas isto, claro, quanto à versão 2D do filme. Passando para a 3D temos uma história completamente diferente.

THOR é mais um dos títulos cuja conversão para 3D na pós-produção foi muito criticada, e é fácil dizer o porquê. Para começar, um filme criado para ser rodado nativamente em 3D, como AVATAR, sabiamente evita cenas muito escuras, já que nelas a sensação de profundidade praticamente some, juntamente com os detalhes da imagem. Pois THOR tem várias cenas escuras em sua primeira parte, onde o breu impera e acompanhamos a ação com dificuldade. Na primeira grande cena de ação, o confronto dos asgardianos com os Gigantes de Gelo em Jotunheim, temos o exemplo maior disso, onde fica praticamente impossível distinguir a cor azul dos inimigos inumanos, ou melhor dizendo, qualquer coisa além de seu fraco perfil. Já o ghosting é claramente perceptível nesse mundo de sombras. Porém mesmo nas cenas mais claras a conversão para 3D (cuja resolução e brilho são nativamente inferiores aos da imagem 2D) faz seus estragos. Detalhes e cores mais claras são bonitos de se ver, porém objetos ou pontos de cor escura perdem definição e detalhe, tornando a experiência de assistir ao filme em três dimensões cansativa, ainda que em certos momentos haja uma boa sensação de profundidade entre os objetos mais próximos e os planos de fundo. Para quem já tem os equipamentos 3D em casa, adquirir este combo de THOR pode ser uma opção interessante, já que ele custa apenas R$ 10,00 a mais que o BD simples 2D. Porém fica o aviso, assistir o filme em 2D é mais satisfatório.

Já o áudio original em inglês DTS-HD Master Audio 7.1, nas duas versões, é digno do Deus do Trovão: poderoso, agressivo, nada sutil. Os diálogos sempre são claros, por mais altos ou trovejantes que sejam os demais sons da mixagem losless. A dinâmica é excelente, os efeitos surround são intensos e os graves são retumbantes. Essa força bruta toda pode levar você a ter que reduzir o volume do seu sistema em várias ocasiões. Para os fãs do áudio explosivo e de qualidade, sem dúvida é uma faixa de demonstração. Já as demais dublagens disponíveis, em Dolby Digital 5.1, incluindo português, são previsivelmente bem mais acanhadas. Temos legendas nos mesmos idiomas das opções de áudio – português, inglês, espanhol e francês.

EXTRAS
THOR traz todos os seus extras no disco 2D, em alta definição e com legendas em português (exceto, como de praxe nos lançamentos da Paramount, nos comentários e nos trailers).

  • Comentário em Áudio – O diretor Kenneth Branagh, que não retornará em THOR 2, fala com entusiasmo sobre os temas e a criação do filme, a produção e seus aspectos técnicos, demonstrando grande conhecimento do material que tinha às mãos. Apesar de ter apenas a participação de Branagh, é uma faixa sempre interessante, que merecia ter sido legendada;
  • Marvel One-Shot: The Consultant (HD, 4 min.) – Mini episódio relativo à saga de OS VINGADORES, protagonizada pelo agente Coulson da SHIELD (Clark Gregg) e com a cena dos créditos finais de O INCRÍVEL HULK, com Tony Stark (Robert Downey Jr.) e o General Ross (William Hurt);
  • Featurettes (HD) – Temos aqui sete featurettes de produção que no conjunto formam o making of do filme, apesar de não haver a opção de assisti-los em sequência. São eles: “From Asgard to Earth” (20 min.), uma visão sobre a criação dos mundos vistos no filme; “Our Fearless Leader” (3 min.), dedicado ao diretor Branagh; “Assembling the Troupe” (5 min.), sobre o elenco; “Hammer Time” (6 min.), destacando o poderoso martelo de Thor, Mjölnir; “Creating Laufey” (5 min.), focado nos nativos de Jotunhein; “Music of the Gods” (2 min.), que mostra o compositor Patrick Doyle falando sobre a trilha sonora do filme; e “A Conversation” (2 min.) é o que o nome indica: um rápido bate-papo com o Pai de Todos, Odin – quero dizer, Stan Lee.
  • Road to the Avengers (HD, 3 min.) – Vídeo promocional de OS VINGADORES, onde o diretor Joss Whedon fala brevemente sobre o ambicioso longa-metragem. Não há nenhuma cena dele, mas apenas dos filmes solo dos super-heróis e a apresentação do elenco na última Comic-Con, em julho;
  • Deleted Scenes (HD, 24 min.) – Onze cenas eliminadas ou estendidas, com efeitos não finalizados, que podem ser assistidas com comentários opcionais de Branagh: Thor and Loki Before the Confrontation, Warriors 3 and Sif Turn Over Their Weapons, Thor and Frigga, Rah Rah (Extended), Hospital (Extended), Frigga Confronts Odin, Loki is Made King, Selvig Sings with Thor, Warriors 3 and Sif Arrive (Extended), Darcy’s Dog e Selvig is Saved by Thor;
  • Trailers (HD, 5 min.) – Temos aqui o teaser e os trailers de THOR, além da série animada de OS VINGADORES.

Jorge Saldanha

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6 comentários sobre “Resenha: THOR (Blu-ray 2D+3D)

  1. A Paramount decretou mesmo o FiM do DVD! Eles legendam os comentarios na midia antiga e na nova nao! Alem de continuar omitindo alguns extras…

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