Resenha: THE SUPERMAN MOTION PICTURE ANTHOLOGY (Blu-ray UK)


Produção: 1978, 1980, 1983, 1987, 2006
Duração: 908 min.
Direção: Richard Donner, Richard Lester, Sidney J. Furie, Bryan Singer
Elenco: Marlon Brando, Gene Hackman, Christopher Reeve, Ned Beatty, Jackie Cooper, Glenn Ford, Trevor Howard, Margot Kidder, Terence Stamp, Richard Pryor, Robert Vaughn, Brandon Routh, Kate Bosworth, Kevin Spacey, James Marsden, Parker Posey, Frank Langella, Sam Huntington, Eva Marie Saint, Kal Penn, David Fabrizio, Tristan Lake Leabu
Vídeo: Widescreen Anamórfico 2.40:1 (1080p/AVC MPEG-4 / (1080p/VC-1)
Áudio: Inglês (DTS-HD Master Audio 5.1, DTS-HD Master Audio 2.0, Dolby Digital 5.1), Português, Espanhol (Dolby 1.0, Dolby Digital 5.1), Francês, Alemão (Doby Digital 5.1, Dolby 2.0, Dolby 1.0), etc.
Legendas: Português, Inglês, Espanhol, Alemão, Francês, Holandês, Finlandês, Norueguês, Italiano
Região: A, B, C
Distribuidora: Warner
Discos: 8
Lançamento: EUA: 07/06/2011; Reino Unido: 15/06/2011; Brasil: 18/08/2011
Cotações: Som: **** Imagem: ***½ Filme: ***½ Extras & Menus: ***** Geral: ****

SINOPSE
A mais completa coleção do Homem de Aço chega em alta definição, em um box com oito discos Blu-ray contendo as versões de cinema dos filmes de 1978, 1980, 1983, 1987 e2006, a versão estendida do primeiro, a montagem de Richard Donner para o segundo e mais 20 horas de extras, que incluem os clássicos desenhos animados de Max Fleischer.

COMENTÁRIOS
A coleção dos filmes da série SUPERMAN, agora relançados em Blu-ray, pode ser chamada de “A Vingança de Richard Donner”. Para chegarmos ao porque desse título, traçaremos um breve histórico sobre a produção dos dois primeiros filmes. A Warner, em 1977, resolveu bancar uma superprodução sobre as aventuras do Homem-de-Aço, com produção de Alexander Salkind, poderoso na época e notoriamente difícil de se lidar. Ficou combinado que seriam dois filmes, filmados simultaneamente. Para escrever o roteiro foi contratado Mario Puzo, o autor de O PODEROSO CHEFÃO, com a colaboração de David e Leslie Newman. O diretor Richard Donner, que havia mostrado potencial com A PROFECIA, foi escolhido para dirigir os dois filmes. Donner só aceitou o trabalho com a condição de que o filme fosse tratado seriamente e que deveria convencer a audiência de que um homem poderia voar. Donner não aprovou o roteiro original, que continha humor pobre e beirava o ridículo, e chamou outro roteirista, Tom Mankiewicz, para polir o roteiro original, modificando vários diálogos e retirando todas as cenas ridículas, o que desagradou o produtor Salkind. O resultado foi um foi roteiro mais sério, inteligente e com excelentes diálogos.

Salkind, inconformado com a direção que Donner estava tomando, fez diversas ameaças de despedi-lo caso não seguisse os parâmetros traçados. O elenco do filme não poderia ser melhor. Marlon Brando (como Jor-El, o pai do Superman), Gene Hackman (como o vilão Lex Luthor), Glen Ford (como o pai adotivo do Superman), Ned Beatty, Jackie Cooper e, finalmente, Christopher Reeve como Superman. Reeve foi a chave para o sucesso do filme. Donner queria um ator desconhecido que passasse a imagem de ser realmente o Superman e que não ficasse ridículo usando o uniforme. Reeve foi a escolha perfeita; um ótimo ator, convincente tanto como Superman quanto Clark Kent, e que simplesmente convenceu usando o uniforme. Para a audiência não há dúvida, Reeve é o Superman. Quando Donner já tinha filmado a maior parte do primeiro filme e quase metade do segundo, a Warner resolveu antecipar o lançamento do primeiro filme para o final de 1978. Como consequência, a produção do segundo filme foi suspensa e toda a equipe passou a se dedicar exclusivamente ao primeiro.

O primeiro filme foi concluído e lançado nos cinemas com enorme sucesso de crítica e audiência. Algumas semanas após o lançamento do primeiro filme, Donner estava esperando o sinal verde para dar continuidade às filmagens do segundo filme. Entretanto, recebeu um telefonema de Salkind informando-lhe que fora despedido e que Richard Lester, diretor de OS REIS DO IÉ-IÉ-IÉ, dos Beatles, tomaria seu lugar. Em protesto, Gene Hackman e o compositor John Williams se recusaram a permanecer na produção. Marlon Brando exigiu um pagamento astronômico e foi excluído do segundo filme, mesmo já tendo várias cenas filmadas. Em substituição a Brando no segundo filme foi usada a imagem da mãe do Superman. Uma bela cena em que o personagem de Brando, Jor-El, se sacrifica para restaurar os poderes de seu filho, foi perdida. No caso de Gene Hackman, ele estava contratualmente liberado, pois já havia filmado todas as suas cenasem SUPERMAN II– A AVENTURA CONTINUA com Donner. Mas sua saída criou dificuldades, pois Donner já havia filmado quase metade do filme e para que seu nome não fosse incluído nos créditos, constando apenas Richard Lester na direção, várias cenas deveriam ser refilmadas por esse último, incluindo cenas com Lex Luthor. A solução foi usar um dublê a distância e redublar algumas cenas com outro ator, cuja voz em nada se parece com a de Hackman.

A saída de John Williams não criou problemas para a produção, pois a Warner era a detentora dos direitos autorais da trilha sonora e Salkind simplesmente contratou outro compositor, Ken Thorne, para adaptar a trilha de Williams. Como conseqüência, a trilha sonora do segundo filme é muito inferior à do primeiro, que é maravilhosa. Todos os demais atores também protestaram, mas como estavam contratualmente obrigados a terminarem as filmagens, nada puderam fazer. Durante anos boa parte da crítica e da audiência considerou SUPERMAN II superior ao primeiro filme, pois tinha mais aventura, ação e humor. Hoje em dia, diferentemente, SUPERMAN – O FILME é tido como o melhor da série. Mas por que dessa mudança de opinião? A resposta é simples: SUPERMAN II envelheceu muito com seu humor pastelão típico dos anos 1980 e exageros nos efeitos e na ação. O primeiro, por outro lado, por ter sido um filme mais sério, mais inteligente e com produção mais caprichada sobreviveu muito bem com o passar dos anos e é hoje considerado um pequeno clássico do cinema.

Em 2006 Richard Donner teve a oportunidade de reeditar a sua versão de SUPERMAN II e como resultado a “RICHARD DONNER CUT”, apesar de possuir a mesma trama da versão que chegou aos cinemas, possui um tom mais sério e praticamente 50% de tomadas até então totalmente inéditas, incluindo 15 minutos de Marlon Brando como Jor-El e várias novas cenas com Christopher Reeve e Margot Kidder. Parte desse material já aparecera em versões estendidas exibidas na TV norte-americana, e certas cenas já conhecidas foram substituídas por tomadas feitas de ângulos diferentes. Para dar coesão à nova montagem algumas novas sequências foram rodadas e efeitos visuais foram criados, além de serem mantidas algumas cenas filmadas por Richard Lester. Ao final, 83% do que vemos foi filmado por Donner, o que permite lhe dar o crédito de diretor dessa versão. SUPERMAN II – THE RICHARD DONNER CUT, já fora lançado no primeiro box em Blu-ray lançado nos EUA, mas até agora permanecia inédito no Brasil.

Após SUPERMAN II foram feitas duas continuações, uma pior que a outra e que não merecem comentários mais extensos. SUPERMAN III, com o controle total de Salkind e direção plena de Richard Lester, se mostrou uma grande bobagem. O comediante Richard Pryor ganhou mais destaque no filme do que o próprio Superman, e o filme tendeu mais para comédia do que para aventura. SUPERMAN IV –EM BUSCA DA PAZ, com novos produtores e diretor, foi melhor intencionado, pois procurou fazer um alerta sobre o risco de uma guerra atômica; mas fracassou devido ao roteiro infantil, à paupérrima produção e a um ridículo vilão, “O Homem Nuclear”, que com suas unhas radioativas e uniforme colante parece saído de uma sátira pornô. O non-sense chega a níveis absurdos quando Superman voa no espaço com Lacy e o garoto, sem trajes espaciais e com o VENTO balançando a capa e os cabelos dos caronas. Após o previsível fracasso dos dois últimos filmes do Homem de Aço, em termos de adaptações de quadrinhos a Warner passou a se preocupar unicamente com a franquia BATMAN. Até que, após anos de indefinições, o cineasta Bryan Singer, que realizara com sucesso os dois primeiros filmes da franquia X-MEN, foi contratado para assumir SUPERMAN – O RETORNO, que chegou aos cinemas em 2006.

A trama, baseada numa história do próprio Singer, leva tempo demais para engrenar e custamos para superar a estranheza inicial causada por Routh (uma espécie de cover do falecido Reeve, sempre preocupado em imitar seus trejeitos), e pela Lois Lane de Kate Bosworth, que na verdade é loira e no filme está de peruca castanha. Mas o filme tem qualidades e homenagens suficientes que justificam, para os fãs, o esforço de Singer, como as referências ao nº 1 do gibi Action Comics, que trazia na capa o Homem de Aço levantando um carro, e aos eventos ocorridos em SUPERMAN II (aquele no qual Luthor descobre a localização da Fortaleza da Solidão e onde o Super abandona seus poderes para ter um relacionamento íntimo com Lois). Aliás, SUPERMAN – O RETORNO se propõe a ser uma continuação direta do segundo longa da franquia, ignorando os ruins III e IV. Os créditos iniciais seguem o mesmo estilo dos outros filmes, e na seqüência final mais uma vez vemos Superman voando em órbita da Terra, inclusive com Routh passando diante da câmera e sorrindo para a platéia, como Reeve fazia. E há outro fator de continuidade importantíssimo – a utilização pelo compositor/editor John Ottman, em sua trilha musical, dos memoráveis temas criados por John Williams para o filme de 1978. Em torno deles Ottman construiu aquela que talvez seja sua melhor partitura até agora.

Portanto, há uma série de referências visuais e auditivas aos dois melhores filmes da série, sendo impossível não ser cativado por elas. E que não deixam dúvidas: para o bem ou para o mal, este é um legítimo filme do Superman, concebido para reiniciar a franquia com Routh no papel do super-herói. Infelizmente a crítica e o público se dividiram e o longa rendeu nas bilheterias muito menos que o esperado, o que levou a Warner a mais uma vez colocar o Homem de Aço na geladeira. Mas de lá ele sairá ano que vem, quando estrear o reboot dirigido por Zack Snyder (300, WATCHMEN) trazendo Henry Cavill como Clark Kent/Superman.

Luiz Felipe do Vale Tavares, Jorge Saldanha

SOBRE O BD
Muito bem-vinda esta antologia SUPERMAN em Blu-ray – especialmente no Brasil, onde apenas o fime de 1978 já fora disponibilizado em alta definição. A versão nacional do box chegará dia 18 de agosto e em princípio terá especificações técnicas e conteúdo idênticos às edições lançadas em junho nos EUA e na Europa, que já trazem, entre várias opções de legendas e dublagens dos filmes, o português do Brasil. A única dúvida existente é quanto à embalagem, mais caprichada nos EUA e mais simples na versão do Reino Unido (a que utilizamos para esta resenha), mas que ainda assim para os nossos padrões é ótima – digipack com suportes para dois discos em cada face, envolvida por uma luva de cartolina com o símbolo do Superman em alto-relevo. A julgar pelos últimos boxes de Blu-ray lançados aqui pela Warner o nosso também será digipack, porém do tamanho das embalagens de DVDs. O maior reparo que faço a esta edição britânica é que ela identifica o conteúdo de cada disco apenas em letras minúsculas, nas suas bordas. Os filmes e os extras estão distribuídosem oito BDs – as versões de cinema dos dois primeiros filmes, a versão estendida do primeiro, a versão de Richard Donner do segundo, o terceiro e SUPERMAN – O RETORNO receberam discos de dupla camada (BD50), enquanto SUPERMAN IV recebeu um disco de camada simples – BD25. Já o disco 8, que tem apenas extras, também é BD50. Os menus principais de cada disco, em inglês, são bem simples, trazendo de fundo a imagem estática de um determinado filme.

SUPERMAN – O FILME, em suas versões de cinema e estendida, ganhou uma nova transferência remasterizada 1080p/AVC MPEG-4, na proporção de tela 2.40:1, que considerando a idade do filme e as características da fotografia original (muitas vezes filtrada) é primorosa, apresentando equilibrada saturação das cores, nível forte dos pretos, ótimos detalhe e resolução. A versão estendida basicamente possui as mesmas características da versão de cinema, e como nas demais remasterizações feitas para este novo lançamento, nota-se que foi buscado dar um visual mais contemporâneo ao filme, alterando-se sutilmente os tons de cores, o brilho e o contraste – algo que os fãs mais puristas e atentos poderão condenar. De qualquer sorte, não há nada que evidencie um excessivo processamento digital. Algumas cenas de efeitos visuais são as mais problemáticas, dada a tecnologia da época. O áudio original em inglês, em ambas as versões, recebeu um significativo upgrade em relação ao lançamento anterior em Blu-ray – se antes era Dolby Digital 5.1, agora é DTS-HD Master Audio 5.1. Os diálogos sempre são claros e os graves bem fortes, com a clássica trilha de John Williams reproduzida com excelente fidelidade e de forma envolvente. Por outro lado a faixa lossless da versão estendida baseia-se na remixagem feita em 2000, que acrescentou novos efeitos sonoros multicanais. Apesar de isso ser uma heresia para muitos puristas, o áudio remasterizado é superior e muitas cenas ganharam impacto adicional devido ao novo som. A destruição de Kripton, por exemplo, com novos efeitos sonoros de cristais se estilhaçando percorrendo todas as caixas de som criou uma experiência mais envolvente. Idem para a cena em que o Superman persegue dois foguetes. Entre as opções de dublagem da versão de cinema temos a mixagem original estéreo (aqui em inglês DTS-HD MA 2.0), e também uma faixa em português (Dolby 1.0) que infelizmente não é a “clássica” de quando o filme foi exibido na TV.

SUPERMAN II – A AVENTURA CONTINUA também foi remasterizado e igualmente ganhou uma nova tranferência MPEG-4 na proporção de tela 2.40:1, mas que não impressiona tanto quanto a do filme original. Por haver mais tomadas de efeitos visuais, consequentemente temos mais cenas onde a idade do filme se torna evidente, através da diminuição do nível de detalhes e o aumento de ruídos na imagem. Mas de modo geral o detalhe dos objetos é muito bom, contraste, brilho e cor estão bem balanceados e os fortes pretos fornecem uma boa profundidade. Mais problemática é a situação de SUPERMAN II – THE RICHARD DONNER CUT, que manteve a mesma transferência 1080p/VC-1 do Blu-ray norte-americano anterior, e por ter segmentos extraídos de diferentes matrizes (como takes alternativos e até mesmo testes dos atores), a qualidade da imagem ao longo do filme em termos de detalhes, nitidez e balanço de cores é variável. Em determinados momentos, talvez em função do estado da fonte utilizada, é claramente perceptível o uso de DNR, que faz com que a granulação natural da película praticamente desapareça. Felizmente os níveis de pretos sempre são fortes, e a definição é satisfatória, e o que poderia resultar em uma montagem desastrosa acaba sendo válida, principalmente por finalmente podermos ver o filme da forma mais próxima à pretendida por seu diretor original. Ambas as versões também receberam faixas lossless DTS-HD MA 5.1 em inglês de qualidade similar às do filme original. Os diálogos sempre soam claros, os graves são profundos e a trilha musical é reproduzida de forma clara e bem distribuída. Os efeitos surround, como esperado, são usados discretamente. Entre as opções de áudio também está disponível para a versão de cinema a dublagem em português Dolby 1.0.

SUPERMAN III e SUPERMAN IV – EM BUSCA DA PAZ podem ser os piores filmes da franquia, mas receberam um tratamento digno da Warner em termos de remasterização. O terceiro filme, que adota uma paleta de cores mais variada e viva que os anteriores, recebeu uma transferência MPEG-4 na proporção de tela 2.40:1 que valoriza as cores básicas, bem saturadas. Contraste, detalhes finos e pretos atingem ótimos e profundos níveis. A qualidade da transferência do quarto filme é um pouco inferior, provavelmente em função das limitações orçamentárias que tornam-se dolorosamente visíveis nas tomadas de efeitos visuais (ruins), caracterizadas por falta de nitidez e cores menos vivas. Os pretos são bons, assim como o contraste, e os detalhes finos são decentes – ainda que algumas vezes prejudicados por ruídos de imagem. Os tons de pele são naturais, com a paleta de cores tendendo, no geral, para os verdes ou laranjas. Apesar dos pesares, dá para afirmar com certeza que a apresentação visual ainda é bem melhor que o filme em si. Quanto ao áudio, SUPERMAN III recebeu uma faixa lossless DTS-HD MA 5.1 de qualidade, mas que devido à idade do material e ao próprio sound design original, não impressiona. A ação se concrentra na maior parte do tempo nos canais frontais, com os surround sendo empregados esporadicamente para reproduzir efeitos discretos. Os diálogos são claros, e os graves tem peso mas não a consistência presente no áudio dos filmes anteriores. SUPERMAN IV, por sua vez, traz uma faixa em inglês lossless DTS-HD MA 2.0 que surpreendentemente, em alguns aspectos, rivaliza com a faixa multicanal do filme anterior. O diálogo sempre soa límpido e o palco sonoro é satisfatoriamente amplo, com separação de canais frontais mais acentuada (enquanto os traseiros praticamente inexistem) e ótima fidelidade, que permite discenirmos os pequenos sons de qualquer cena. Os graves são anêmicos, mas dão alguma força à mixagem. Ambos os filmes tem opções de dublagem em português 2.0.

SUPERMAN – O RETORNO manteve a mesma – e problemática – transfer 1080p/VC-1 2.40:1, de sua primeira edição em Blu-ray. Rodado com câmeras HD de última geração (na época), a imagem do longa apresenta várias deficiências, como níveis de contraste e brilho inconsistentes, pretos “xoxos” e até mesmo artefatos. Momentos de elevados detalhes e resolução são raros, com a imagem tendo de um modo geral uma aparência digitalizada, típica de aplicação do nefasto DNR. Pelo menos as cores são fortes e vibrantes, com uma saturação bem estável e equilibrada. É difícil de dizer o quanto das deficiências de vídeo se originam da decisões criativas de Bryan Singer e de seu diretor de fotografia, mas o fato é que a apresentação visual de SUPERMAN – O RETORNO, até por ser um filme recente, é decpcionante. Pelo menos no que tange ao áudio a aventura faz um ótimo emprego da moderna tecnologia, trazendo uma robusta faixa losslessem inglês DTS-HD Master Audio 5.1. Com elevada fidelidade, excelente espacialidade que usa e abusa dos canais traseiros, graves que exigirão bastante de seu subwoofer e diálogos cristalinos, temos aqui uma faixa de alta definição praticamente perfeita. Entre as opções de áudio temos a mesma dublagemem português Dolby Digital 5.1 presente no lançamento original em DVD.

EXTRAS
Para esta antologia de SUPERMAN a Warner reuniu uma extensa coleção de extras, que inclui praticamente tudo o que anteriormente estava disponível em DVD e Blu-ray, em resolução standard (SD, em formatos de tela que variam – 4:3, letterbox, 16:9), e mais algumas novidades em alta definição (HD 16:9), exclusivas deste box. Cada um dos sete discos de filmes traz um conjunto próprio de extras, aos quais se junta o conteúdo do disco 8, dedicado exclusivamente ao material suplementar. Exceto pelos comentários em áudio e trailers, o restante tem áudio em inglês (2.0 ou 5.1) com opção de legendas em português. Como os menus dos BDs não foram traduzidos mantive os títulos dos vídeos originais em inglês.

Disco 1:

  • Comentários em Áudio – Interessante faixa com os produtores Pierre Spengler e Ilya Salkind, que gravaram seus comentários separadamente. Na abordagem da produção eles, muitas vezes, falam abertamente sobre os conflitos ocorridos com o diretor Richard Donner;
  • The Making of Superman (SD, 52 min.) – Especial feito para a TV em 1978 apresentado pelo próprio Superman, Christopher Reeve. Abordando variados aspectos da produção e repleto de entrevistas e cenas de bastidores, é um “must” para os fãs do Homem de Aço;
  • Superman and the Mole-Men (SD, 58 min) – Esta raridade em preto e branco é o filme de 1951 que serviu como piloto para a clássica série de TV AS AVENTURAS DE SUPERMAN, estrelada por George Reeves como Superman e Phyllis Coates como Lois Lane. Outro achado para os fãs;
  • Cartoons (SD, 19 min.) – Três divertidos desenhos Looney Tunes da Warner “inspirados” no super-herói: Super-Rabbit, Snafuperman e Stupor Duck;
  • Trailers (SD, 4 min) – Dois trailers de cinema e um comercial de TV de SUPERMAN – O FILME.

Disco 2

  • Comentários em Áudio – O diretor Richard Donner e o roteirista Tom Mankiewicz, recentemente falecido, comentam a versão estendida de SUPERMAN – O FILME. Mankiewicz foi trazido ao projeto pelo amigo Donner para reescrever o roteiro original, recebendo o crédito de “consultor criativo”. A faixa é leve e interessante, e nela transparece a amizade entre os dois profissionais. Apesar de alguns momentos de silêncio, eles contam várias histórias engraçadas de bastidores, sendo recomendada para quem entende o inglês;
  • Taking Flight: The Development of Superman (SD, 30 min.) – Documentário apresentado por Marc McClure (Jimmy Olsen), narrando o desenvolvimento do projeto desde as origens do roteiro, as mudanças de narrativa e a contratação do elenco. Também com muitas cenas de bastidores e entrevistas, especialmente com Christopher Reeve;
  • Making Superman: Filming the Legend (SD, 31 min.) – Continuação do documentário anterior, agora com ênfase nas filmagens. Temos muitas cenas de bastidores, e entre os aspectos abordados estão fotografia, figurino, trabalho com fios, efeitos visuais, etc.;
  • The Magic Behind the Cape (SD, 24 min.) – Na terceira e última o supervisor de criação Roy Field, com comentários de McClure. nos dá uma visão geral dos efeitos visuais dos filmes de SUPERMAN. Com os efeitos hoje em dia sendo feitos quase que exclusivamente em computação gráfica, sempre é bom vermos como eram empregadas as técnicas clássicas da cinematografia;
  • Screen Tests (SD, 22 min.) – O diretor de elenco Lynn Stalmaster apresenta os primeiros testes de Christopher Reeve, e os testes para os papéis de Lois Lane (dos quais participaram as atrizes Anne Archer, Lesley Anne Warren e Stockard Channing) e Ursa, para os quais foram selecionadas, respectivamente, Margott Kidder e Sarah Douglas;
  • Restored Scenes (SD, 11 min.) – Temos aqui dez cenas eliminadas da versão de cinema, que foram remasterizadas e adicionadas à versão estendida;
  • Additional Scenes (SD, 3 min.) – Duas cenas eliminadas – numa Otis alimenta os “bebês” de Luthor – que são felinos selvagens; na outra, Superman salva a Srta. Teschmacher de virar comida dos animais;
  • Additional Music Cues (36 min.) – Aqui podemos ouvir em som multicanal algumas das faixas da clássica trilha de John Williams, que incluem duas versões do tema principal e material ausente no lançamento original em disco: “Main Titles”, “Alternate Main Titles”, “The Council’s Decision”, “The Krypton Quake”, “More Mugger/Introducing Otis”, “Air Force One”, “Chasing Rockets”, “Can You Read My Mind, Pop Version”;
  • Music-Only Track – Opção que permite assistirmos a todo o filme, acompanhado apenas pelo score de John Williams.

Disco 3

  • Comentários em Áudio – Mais comentários dos produtores Ilya Salkind e Pierre Spengler, novamente gravados separadamente. Há várias informações interessantes aqui, porém a faixa deixa a desejar quanto aos problemas que levaram à troca do diretor Richard Donner por Richard Lester;
  • The Making of Superman II (SD, 52 min.) – Outro documentário feito para a TV, agora dedicado à produção da continuação, desde a sua origem até o lançamento nos cinemas. Inclui depoimentos de vários membros do elenco e da equipe de produção, além de muitas cenas de bastidores;
  • “Superman’s Soufflé” Deleted Scene (SD, 1 min.) – Cena eliminada onde Lois e Superman fazem um suflê na Fortaleza da Solidão;
  • First Flight: The Fleischer Superman Series (SD, 13 min.) – Featurette dedicado à série de clássicos desenhos de Max Fleischer e sua contribuição para a mitologia de Superman. Inclui entrevistas com especialistas e historiadores;
  • Fleischer Studios’ Superman (SD, 80 min.) – Na continuação temos nove dos desenhos de Fleischer, que como os cartoons Looney Tunes e o piloto da série dos anos 1950, não foram restaurados. Mesmo assim, imperdíveis para os fãs: Superman, The Mechanical Monsters, Billion Dollar Limited, The Arctic Giant, The Bulleteers, The Magnetic Telescope, Electric Earthquake, Volcano e Terror on the Midway;
  • Trailer (SD) – O trailer original de cinema de SUPERMAN II.

Disco 4

  • Introduction (SD, 2 min.) – Pequena introdução do diretor Richard Donner gravada em 2006, onde ele agradece pela rara oportunidade de restaurar SUPERMAN II de acordo com sua visão original;
  • Comentários em Áudio – Donner e Mankiewicz retornam para mais um bate-papo amigável, onde conversam sobre o que veem na tela, o histórico da produção, elenco e trama;
  • Superman II: Restoring the Vision (SD, 13 min.) – Featurette sobre a meticulosa restauração do filme, da forma mais aproximada possível às intenções originais de Donner;
  • Deleted Scene (SD, 9 min.) – Seis cenas que ficaram de for a da montagem final – e que não fizeram mesmo falta;
  • Famous Studios’ Superman Cartoons (SD, 68 min) – Mais oito desenhos clássicos de Fleischer, onde dois são claramente peças de propaganda da Segunda Guerra Mundial: Japoteurs, Showdown, Eleventh Hour, Destruction, Inc., The Mummy Strikes, Jungle Drums, The Underground World e Secret Agent.

Disco 5

  • Comentários em Áudio – Novamente com Ilya Salkind e Pierre Spengler, que falam sobre alguma interessantes possibilidades infelizmente descartadas para a trama de SUPERMAN III, como as aparições de Supergirl e do vilão Brainiac;
  • The Making of Superman III (SD, 49 min.) – Outro documentário de produção realizado na época do lançamento do filme, com entrevistas, cenas de bastidores, etc;
  • Deleted Scenes (SD, 20 min.) – Onze cenas eliminadas ou estendidas que, com justiça, não sobreviveram à tesoura do montador;
  • Theatrical Trailer (SD) – O trailer original de cinema de SUPERMAN III.

Disco 6

  • Comentários em Áudio – O roteirista Mark Rosenthal faz algumas críticas sinceras ao filme e ao envolvimento da finada Cannon Films, que assumiu a produção de SUPERMAN IV. É fácil notar a decepção do roteirista com o resultado final, principalmente porque o longa fora concebido para ter 130 minutos e as restrições orçamentárias, entre outros problemas, fez com que ele fosse reduzido para meros 90 minutos;
  • Superman 50th Anniversary Special (SD, 48 min.) – O comediante Dana Carvey apresenta este divertido especial para a TV de 1988, feito para comemorar o 50º aniversário do super-herói, onde ele trata Superman como se fosse um personagem real e até mesmo visita Metrópolis. Além de depoimentos dos realizadores, inclui atores em papéis fictícios falando sobre Superman;
  • Deleted Scenes (SD, 31 min.) – Quinze cenas eliminadas, algumas mostrando a primeira criação de Lex Luthor – felizmente elas foram cortadas na edição final, já que são o maior mico nas carreiras de Christopher Reeve e Gene Hackman, e com elas o filme seria ainda pior;
  • Trailer (SD) — Trailer de cinema de SUPERMAN IV.

Disco 7

  • Requiem for Krypton: Making Superman Returns (SD, 173 min.) – Longo documentário dividido em cinco partes, que se aprofunda em informações sobre o processo criativo de Singer e todas as fases da produção de SUPERMAN – O RETORNO. Mostra que houve, desde o início, a preocupação do diretor em documentar o que fosse possível, e isso foi feito de forma criativa e, não raro, divertida;
  • Bryan Singer’s Video Journals (SD, 82 min.) – Coleção dos diários em vídeo do diretor, originalmente disponibilizados em seu blog, focando diversos estágios da produção;
  • Resurrecting Jor-El (SD, 4 min.) – Pequeno vídeo que mostra a modificação digital e a utilização de uma cena de Marlon Brandon como Jor-El;
  • Deleted Scenes (HD, 16 min) — 13 cenas que ficaram de fora da edição final, incluindo a da comentada abertura original do filme, chamada “Retorno a Krypton”, que mostra ao que Clark se referia quando descreveu Krypton como “um cemitério”;
  • Trailers (SD) – Um teaser e um trailer de cinema de SUPERMAN – O RETORNO.

Disco 8

  • Look, Up in the Sky! The Amazing Story of Superman (HD, 111 min.) – Longo e detalhado documentário sobre o Homem de Aço, que inclui depoimentos de atores, historiadores e especialistas. Com narração de Kevin Spacey, que interpretou Lex Luthor em SUPERMAN – O RETORNO, o documentário aborda a evolução do personagem nas diversas mídias, lembrando com carinho os atores mais associados ao papel na TV e no cinema – George Reeves e Christopher Reeve. Um dos melhores extras de todo o box;
  • You Will Believe: The Cinematic Saga of Superman (SD, 90 min.) – Já este outro documentário em cinco partes, como seu nome sugere, é focado nos filmes estrelados por Christopher Reeve. O maior tempo é dedicado aos dois primeiros, e as tensões entre Richard Donner e os produtores são abordadas, bem como o fracasso dos dois últimos filmes estrelados por Reeve; SUPERGIRL, malogrado filme derivado de 1984, também não foi esquecido;
  • The Mythology of Superman (SD, 20 min.) – Este documentário mais curto trata Superman como um mito cultural sério, e traz depoimentos de especialistas em quadrinhos, cineastas, escritores e acadêmicos;
  • The Heart of a Hero: A Tribute to Christopher Reeve (SD, 18 min.) – Merecido e carinhoso tributo ao falecido Christopher Reeve, composto por depoimentos de pessoas que o conheciam, trabalharam com ele e admiravam seu trabalho, tanto no cinema como em atividades filantrópicas;
  • The Science of Superman (HD, 51 min.) – Especial da National Geographic de 2006, onde especialistas em Superman e cientistas tentam explicar muitos dos seus poderes através das leis da física e da biologia;
  • The Adventures of Superpup (SD, 22 min.) – Piloto não aprovado de um programa de TV, onde todos os personagens são bonecos de cães. Foram utilizados os mesmos cenários da série de TV com George Reeves.

Jorge Saldanha

7 opiniões sobre “Resenha: THE SUPERMAN MOTION PICTURE ANTHOLOGY (Blu-ray UK)”

  1. Adquiri o box da Amazon UK, mas ainda não assiti nem a metade do box. Vi apenas a versão estendida do 1º e o 2º filme, primeiro na versão de Richard Donner e depois na de Richard Lester. E confesso que continuo achando o filme de Lester o melhor dos três, bem como o melhor da série. O filme de Lester flui mais fácil, tem um leve humor e situações mais convincentes. Não gostei de várias partes da versão de Donner, como Lois Lane já desconfiando que Clark é o Super Homem logo no início, como a cena de Brando recuperando os poderes do Superman e principalmente a nova volta ao tempo ao final de tudo. Esta solução de Donner para tudo é péssima, pois qualquer coisa que aconteça o Superman pode voltar no tempo, mas só o que lhe interesse é que não volta a ocorrer. Não vou me alongar, mas posso dizer que preferi 90% das cenas de Lester em relação às de Donner.

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    1. Bem, o problema da versão de Donner é que ela não é uma versão perfeitamente finalizada, notam-se claros problemas de edição e continuidade, e no final ela apenas dá uma ideia do que seria a versão final do diretor. Quanto ao recurso da volta no tempo, ele originalmente seria utilizado apenas no final de Superman II, mas acabou aparecendo no I por pressão dos produtores. Para mim a versão perfeita de Superman II seria uma combinação do filme de Lester com o de Donner, com a substituição das cenas de Susannah York pelas do Marlon Brando.

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  2. Uma das melhores resenhas que já li a respeito de um box Blu-Ray/DVD. Aumentou ainda mais a minha vontade para assistir.

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