Resenha: X-MEN – PRIMEIRA CLASSE (Filme em Destaque)


X-MEN: PRIMEIRA CLASSE (X-Men: First Class, EUA, 2011)
Gênero: Ficção Científica
Duração: 132 min.
Elenco: James McAvoy, Michael Fassbender, Alice Eve, Kevin Bacon, Nicholas Hoult, Jennifer Lawrence, January Jones, Rose Byrne, Jason Flemyng, Oliver Platt
Compositor: Henry Jackman
Roteiristas: Jane Goldman, Jamie Moss
Diretor: Matthew Vaughn

A franquia X-MEN, a exemplo de outras como HOMEM-ARANHA, QUARTETO FANTÁSTICO e MOTOQUEIRO FANTASMA, é daquelas que não está sob o controle direto da Marvel Studios, que a partir de HOMEM DE FERRO (2008) dedicou-se por inteiro aos filmes dos super-heróis que participarão do longa OS VINGADORES, a ser lançado ano que vem. Por isso, não deixa de ser uma surpresa o fato de que este X-MEN: PRIMEIRA CLASSE (2011) seja tão bom. De fato, é o melhor longa da franquia, e possivelmente seja até a melhor adaptação de personagens da Marvel para o cinema.

Talvez tenha ajudado para isso a volta à série de Bryan Singer, que dirigiu os dois primeiros X-MEN, ainda que apenas como um dos produtores. Porém, o fato concreto é que o filme de Matthew Vaugh (que após o interessante KICK ASS – QUEBRANDO TUDO teve aqui a oportunidade de dirigir uma produção com super-heróis “verdadeiros”) tem uma ótima história, que combina fatos reais da Guerra Fria (em especial a Crise dos Mísseis de Cuba) com elementos típicos dos primeiros filmes de 007 (que aliás, nasceram em plena Guerra Fria) e de ficção científica, e que é ao mesmo tempo respeitosa aos personagens dos quadrinhos.

Ao contar a origem dos personagens que formarão o núcleo da primeira geração dos mutantes conhecidos por X-Men (especialmente Charles Xavier/Professor X e Erik Lensherr/Magneto, em ótimos desempenhos, respectivamente, de James McAvoy e Michael Fassbender), esta prequel/reboot aborda com eficiência os temas que sempre foram caros à série: a intolerância e o preconceito da sociedade contra os “diferentes”, no caso os mutantes, e as maneiras opostas de lidar com o problema defendidas pelos dois principais protagonistas.

O personagem mais rico devido à sua complexidade e, na verdade, incoerência, é Magneto. Tendo sofrido na infância a opressão do III Reich, ele aqui ainda é o braço direito de Xavier na luta contra o mal, mas acredita no emprego pelos mutantes de métodos similares aos dos nazistas contra o resto da humanidade, que ele considera uma raça inferior. E isso, todos sabemos aonde vai dar. Boa atenção também é dedicada a outros personagens, mesmo que criando algumas “liberalidades”, como o fato de Xavier e Raven/Mística (Jennifer Lawrence) terem sido criados como irmãos. E também há falhas, do tipo utilizar Azazel (Jason Flemyng), uma das criaturas mais poderosas e míticas dos gibis, como mero capanga do vilão. Isso é simplesmente um desperdício.

A ação não foi esquecida, e novamente temos duas facções de mutantes em confronto – a liderada por Xavier e a comandada pelo vilão Sebastian Shaw (Kevin Bacon, em pleno modo “vilão de James Bond”). O filme tem excelentes valores de produção, como seu elenco afiado, os caprichados efeitos visuais supervisionados por John Dykstra (que em 1977 revolucionou a tecnologia dos efeitos com um pequeno filme então chamado apenas GUERRA NAS ESTRELAS) e um colorido desenho de produção, que destaca o período em que se passa. Mas ao final, relevadas as poucas falhas, é a dedicação e o carinho aos principais personagens da saga  que conquistarão e emocionarão os fãs. Atenção às referências aos filmes anteriores e à hilária ponta do mutante mais carrancudo que já existiu.

THOR foi um bom início para a temporada 2011 da Marvel, mas este X-MEN: PRIMEIRA CLASSE já é outra – e melhor – história. Com base na ótima recepção de público e crítica, podemos considerar o longa de Matthew Vaughan como o primeiro capítulo de uma nova trilogia.

Cotação: ****
Jorge Saldanha

Não deixa de ser uma bela surpresa o fato de X-MEN – PRIMEIRA CLASSE (2011) ter conseguido conseguir trazer de volta a dignidade para a franquia, depois do ridículo filme solo do Wolverine. Assim como acontece com os três filmes originais, é preciso relevar as mudanças radicais entre quadrinhos e cinema. Como desde o primeiro filme dirigido por Bryan Singer (X-MEN, 2000) a cronologia e os personagens foram todos zoados em relação aos quadrinhos, não se poderia mesmo querer fidelidade nesta prequel, passada quase que totalmente na primeira metade dos anos 1960.

Aliás, curioso vermos heróis da Marvel envolvidos em fatos históricos. Tudo bem que não é inédito: temos o caso do Capitão América na Segunda Guerra Mundial e do Justiceiro como ex-combatente do Vietnã, mas a Marvel sempre tentou driblar o efeito do tempo. Como explicar, por exemplo, o fato de Nick Fury ter lutado na Segunda Guerra Mundial e ainda não ser um velhinho caquético? Mas isso faz parte do aspecto épico dos quadrinhos Marvel (e DC). O fator tempo interfere muito pouco na história dos seus personagens, que precisam ser eternizados e renovados aos novos tempos sempre que necessários.

Por isso é interessante vermos os jovens Charles Xavier e Magneto juntos no período da Guerra Fria e da crise dos mísseis em Cuba. Essa década curiosamente representa a criação dos X-Men originais por Stan Lee e Jack Kirby. Pena que sobraram poucos heróis interessantes da formação original, já que os roteiristas da franquia queimaram no primeiro e nos filmes seguintes o Ciclope, a Jean Grey, o Anjo e o Homem de Gelo. Dessa formação original, sobrou apenas o Fera para explorarem. E até que foi bem explorado. Ao mesmo tempo, aproveitaram para trazer uma personagem bem interessante, mas já surgida na fase Chris Claremont/John Byrne: Emma Frost, um tanto deslocada na pele de January Jones, que muito provavelmente só foi escolhida por ter ficado famosa em MAD MEN, a aclamada série sobre os Estados Unidos na década de 60.

Como os personagens principais são Xavier e Magneto, nota-se que o esqueleto original do roteiro abortado do filme sobre Magneto está lá. Assim, a maior ênfase está justamente na origem de Magneto (muito bem representado por Michael Fassbender). O fato de ele e sua mãe terem sido levados para os campos de concentração e isso ter provocado a sua raiva devoradora contra a humanidade funcionou muito bem. A cena do pequeno Magneto explodindo de raiva e mostrando a extensão de seus poderes é uma das mais interessantes desse início.

Além do mais, é muito bom ver um filme de super-heróis cuja base esteja mais nos diálogos e na construção narrativa do que em efeitos especiais e pirotecnia. E por isso deve-se dar os parabéns a Mathew Vaughn por ter conseguido fazer uma obra bem construída e bem amarrada e com elementos que remetem aos antigos James Bond. Tudo funciona muito bem pelo menos até perto do final, quando nota-se uma pressa para acabar logo com o fio principal da trama. Por isso é no final que o filme mais se aproxima dos genéricos de ação. Mas parece que isso é quase impossível de se fugir nos dias de hoje, embora não custasse tentar.

Cotação: ***½
Ailton Monteiro

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7 comentários sobre “Resenha: X-MEN – PRIMEIRA CLASSE (Filme em Destaque)

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