Resenha: THOR – Patrick Doyle (Trilha Sonora)


thor_CDMúsica composta por Patrick Doyle
Selo: Buena Vista Records
Catálogo: D001365602
Lançamento: 03/05/2011
Cotação: ****

Muitos dos scores de hoje para filmes de super-heróis simplesmente erram o alvo. Raramente somos presenteados nessa arena com trabalhos de natureza substancial, já que essas trilhas sonoras são tipicamente serviçais mas falham em atingir a grandeza. Elaborar uma trilha de super-herói como se ela fosse de um filme de ação comum é um grande erro, que afasta o que poderia tornar esses projetos especiais. Com Thor, tenho de dar crédito a Patrick Doyle por pelo menos ter tentado dar ao gênero o que ele merece.

A primeira coisa que capturou minha atenção já desde o início foi o estabelecimento de um adequado tema principal para este herói e seu ambiente. Eu quase me belisquei. Há muitos anos não chegava um score de super-herói com um tema principal respeitável, e aqui finalmente temos um para cantarolarmos. De fato, esta é a primeira vez em muito tempo que reprisei na minha cabeça um tema após tê-lo ouvido em uma trilha sonora. Palmas para Doyle, este me pegou.

Plenamente interpretado nas faixas cinco e seis, o primeiro dos temas proeminentes de Thor mergulha em uma área melódica que o colocará firmemente dentro da experiência auditiva. Quando os Gigantes de Gelo entram em cena na faixa oito, você já estará a caminho de uma gratificante aventura sinfônica há muito adiada. Foi preciso Doyle estar por trás dela para torná-la memorável. Temos aqui um veterano do ramo que adicionou uma nova persona, digamos assim, a seu repertório. O score soa moderno na execução mas também tradicional em seu propósito, no que certamente é uma interessante combinação.

Elogios à parte, esta trilha sonora tem alguns problemas. O que mais se destaca é a duração do álbum, que passa desnecessariamente dos 70 minutos. É simplesmente demais para um score deste tipo, que não tem força suficiente para se sustentar por tanto tempo (na verdade há poucos que merecem tal duração). Ao invés de enxutos 50 minutos que agradariam aos ouvintes em um nível maior, há alguns blocos de música pelos quais você terá de passar que simplesmente amortecem de um modo geral a experiência. Não que essas faixas sejam desnecessárias ao filme, mas simplesmente prejudicam o efeito que seria obtido se algumas delas fossem eliminadas do produto final.

A outra crítica que tenho é que achei a potência da orquestra um pouco diminuída. Por alguma razão, este score não tem o som épico que esperava dele, especialmente porque é a London Symphony Orchestra (LSO) que o interpreta. Fico curioso em ouvir o que pode ser feito numa futura regravação do material temático (talvez em uma coletânea da Silva).

Contudo, ao final me agradou o que Doyle atingiu com Thor. Claro, há algumas críticas construtivas a serem feitas, mas o impacto final que o score teve em mim foi positivo, e espero que seja um sinal de chamada para mais trabalhos nessa linha. Afinal de contas, filmes baseados em quadrinhos chegaram para ficar, e seria maravilhoso se outros dos meus heróis da composição como Doyle pudessem se juntar à diversão.

Faixas:

1. Chasing The Storm
2. Prologue
3. Sons Of Odin
4. A New King
5. Ride To Observatory
6. To Jotunheim *
7. Laufey
8. Frost Giant Battle *
9. Banishment
10. Crisis In Asgard
11. Odin Confesses
12. Hammer Found
13. Urgent Matter
14. The Compound
15. Loki’s Lie
16. My Bastard Son
17. Science And Magic
18. The Destroyer
19. Forgive Me
20. Thor Kills The Destroyer
21. Brothers Fight
22. Letting Go
23. Can You See Jane?
24. Earth To Asgard

* Clipes de áudio

Duração: 71:55

Tom Hoover

13 opiniões sobre “Resenha: THOR – Patrick Doyle (Trilha Sonora)”

  1. Salve, Jorge: muito boa esta sua preocupação com o futuro das trilhas, especialmente na linhagem dos super-heróis (de onde já surgiram obras-primas eternas, como “Batman” e “Superman”)! Ainda não fico tão otimista quanto você, mas também espero que, com todo este ‘boom’ de adaptações de HQs para as telas, voltem a surgir pérolas do gênero que realmente nos levem voando junto aos poderes de cada super-herói… Abração!

    P.S.: perdoe pelo “comercial”, mas, em sobrando um tempinho e caso interessar possa, elaborei “Minhas (pouco mais de) 100 melhores trilhas sonoras de todos os tempos” em meu blogue: http://www.osmorcegos.blogspot.com

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  2. Olha, sinceramente não gostei muito desta trilha sonora! O Patrick Doyle tem muito mais capacidade do que ele entregou para este filme… parece que pediram-lhe que fizesse uma partitura que soasse ao estilo da Remote Control.

    Vou esperar pelas trilhas do Alan Silvestri para o Capitão América e do James Newton Howard para o Lanterna Verde.

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  3. Olá, gostaria de saber o nome da musica que toca no final do filme.. Na hora q sobem os créditos mesmo. Se souber me conta?
    Valeu! ;)

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  4. Bela resenha. Concordo plenamente quando você diz que faltava uma trilha épica para um super-herói – algo que devo desconsiderar com os dois últimos Batman já que a proposta é bem diferente. Mas ouso dizer que no terceiro filme dos X-Men, John Powell conseguiu a proeza de realizar algo que os filmes anteriores sequer tinham chegado perto: uma música menos melodiosa, mais “pesada” e extremamente dinâmica, que tem função na trama.

    É claro que peca em alguns momentos, pois o filme é um pouco irregular, contudo os temas ligados à Fênix são de deixar coração na mão de tão bem orquestrados e emocionantes quando se espera isso deles em cenas cruciais como a da batalha de mentes na casa de Jean e o final em Alcatraz.

    Gostei do blog. Visitarei mais. Abraço.

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