Resenha: BASTARDOS INGLÓRIOS (Blu-ray)


Produção: 2009
Duração: 153 min.
Direção: Quentin Tarantino
Elenco: Brad Pitt, Eli Roth, Til Schweiger, Daniel Brühl, Christoph Waltz, Melanie Laurent, B.J. Novak, Michael Fassbender, Jacky Ido, Mike Myers, Rod Taylor, Diane Kruger
Vídeo: Widescreen Anamórfico 2.35:1 (1080p/AVC MPEG4)
Áudio: Inglês (DTS-HD Master Audio 5.1), Português, Russo, Checo, Húngaro, Espanhol, Polonês, Tailandês (DTS 5.1)
Legendas: Português, Inglês, Búlgaro, Croata, Checo, Grego, Hebraico, Húngaro, Islandês, Espanhol, Polonês, Romeno, Tailandês
Região: A, B, C
Distribuidora: Universal
Discos: 1 (50GB)
Lançamento: 31/12/2010
Cotações: Som: ****½ Imagem: ****½ Filme: **** Extras & Menus: ***½ Geral: ****

SINOPSE
Durante a Segunda Guerra Mundial, um grupo de soldados norte-americanos de sangue judeu, conhecido como “Os Bastardos”, é selecionado para espalhar medo entre aqueles que impuseram as duras regras do Terceiro Reich. A missão do grupo, liderado pelo visceral tenente Aldo Raine (Brad Pitt), é escalpelar e exterminar brutalmente os nazistas, sem medir consequências. Dirigido por Quentin Tarantino (KILL BILL, PULP FICTION), BASTARDOS INGLÓRIOS remonta ao intempestivo período do nazismo alemão sob o ponto de vista de um grupo de soldados um pouco diferente dos demais. Eles são sanguinolentos, frios, pragmáticos, expressivos – enfim, personagens típicos de Tarantino.

COMENTÁRIOS
Como bom rato de videolocadora, o diretor Quentin Tarantino, ao longo de sua carreira solo ou em parceria com o amigo Robert Rodriguez, vem prestando suas homenagens aos gêneros que mais lhe agradam: policiais, terror trash, artes marciais blaxploitation, filmes de estrada… Em 2009 ele lançou sua visão da Segunda Guerra Mundial, este BASTARDOS INGLÓRIOS (INGLORIOUS BASTERDS), com o elenco sendo encabeçado por um astro no auge da carreira (Brad Pitt) – fato raro em seus filmes, que via de regra buscam destacar atores coadjuvantes ou que estavam esquecidos e, graças ao cineasta, voltaram a chamar a atenção de Hollywood (John Travolta, por exemplo, após estrelar PULP FICTION saiu do limbo em que estava).

Tarantino tomou emprestado o título original de seu filme de uma aventura de guerra italiana de 1978, no Brasil chamada O EXPRESSO BLINDADO DA SS NAZISTA, de um dos seus diretores europeus favoritos, Enzo G. Castellari. A trama, contudo, é completamente diferente e dividida em capítulos (como KILL BILL), além de ser composta por três histórias que, na conclusão, irão se juntar: a do implacável e irônico caçador de judeus, Coronel Hans Landa (o excelente Christoph Waltz); a do Tenente Aldo Raine (Pitt, em desempenho inspirado) e seus Bastardos matadores de nazistas, interpretados por, entre outros, Eli Roth (o diretor de O ALBERGUE) e Til Schweiger; e a da jovem francesa Shosanna (Melanie Laurent), que após sobreviver ao massacre de sua família por Landa foge e torna-se dona de um cinema em Paris – que será o palco de um explosivo desfecho no qual o diretor, com violência e humor, simplesmente reescreve o final da Segunda Grande Guerra.

Tarantino presta tributo ao THE INGLORIOUS BASTARDS original dando pontas ao diretor Castelari e ao ator Bo Svenson, mas também homenageia um de seus ídolos, Rod Taylor, da versão original de A MÁQUINA DO TEMPO e do clássico de Hitchcock OS PÁSSAROS. Taylor está irreconhecível como o Primeiro-Ministro Winston Churchill, assim como o comediante Mike Myers (da trilogia AUSTIN POWERS), que sob pesada maquiagem interpreta um militar da inteligência britânica. O elenco ainda conta com ótimos nomes contemporâneos, como Michael Fassbender e Diane Kruger.

BASTARDOS INGLÓRIOS é um filme difícil de descrever ou comentar, já que apenas assistindo-o, enriquecido pelas interpretações repletas dos diálogos típicos do diretor e acompanhadas por músicas extraídas de outros filmes (destaque para a canção de David Bowie “Cat People (Putting Out Fire)”, do filme A MARCA DA PANTERA), é que o espectador fará ideia do que ele representa. A opinião do diretor, ele mesmo nos dá na última cena do filme, quando Brad Pitt olha para a câmera e diz “Acho que esta é a minha obra-prima”. Particularmente ainda prefiro KILL BILL, mas sem dúvida BASTARDOS INGLÓRIOS é o filme mais refinado de Tarantino.

SOBRE O BD
Dentre as majors a Universal continua sendo a que menos disponibiliza seus títulos em Blu-ray no Brasil. No final de 2010 ela lançou um pacote que incluiu este BASTARDOS INGLÓRIOS, porém em 2011 ela parece ter voltado ao padrão dos lançamentos minguados. Pelo menos no que se refere à qualidade técnica deste filme de Tarantino, a distribuidora fez um trabalho exemplar. Tirando o aspecto da embalagem (os colecionadores sentem falta aqui das edições mais caprichadas disponíveis lá fora, em steelbook, digibook, etc.), este é um lançamento com muitos méritos – ainda que haja espaço para melhorias em futuros relançamentos.

BASTARDOS INGLÓRIOS possui uma fotografia impecável, que é belamente reproduzida por uma transferência anamórfica 1080p/AVC-MPEG4, na proporção de tela original 2.40:1. O nível de detalhes é muito elevado, como podemos constatar nos figurinos, cenários, imagens de fundo, etc. As cores são propositadamente um pouco esmaecidas, exceto a vermelha, que surge deslumbrante em bandeiras nazistas e, principalmente, no batom e vestido de Shosanna e, por último mas não menos importante, no sangue. Os tons de pele são naturais, e os pretos são fortes e profundos. Exceto por poucos momentos em que notei leves halos nos contornos, nada há que indique a aplicação de filtros digitais. Danos de película e artefatos de compressão simplesmente inexistem.

A faixa lossless DTS-HD Master Audio 5.1, em inglês, está à altura da alta qualidade do vídeo. Mesmo em um filme dominado por diálogos, sempre cristalinos em vários idiomas, temos sequências de ação explosivas que exploram toda a potencialidade da mixagem em alta definição. Na longa cena da taverna (“Operação Kino”), os canais surround criam uma ambientação perfeita, com conversações de fundo envolventes. E mais adiante, quando as coisas ficam realmente “feias”, os sons de balas, esguichos de sangue e estilhaços nos atingem em cheio. As músicas selecionadas por Tarantino para a trilha sonora soam espetaculares no áudio sem compressão, ainda que a qualidade das fontes empregadas seja variável. Também estão disponíveis dublagens lossy (DTS 5.1) e legendas em português e vários idiomas. Os menus animados seguem a padronização de bom gosto da Universal, com cenas do filme e música da trilha sonora de fundo.

EXTRAS
O Blu-ray de BASTARDOS INGLÓRIOS possui uma coleção robusta mas convencional de extras, que não explora a interatividade do formato Blu-ray. De qualquer maneira, eles dificilmente deixarão de agradar aos fãs do filme e de Tarantino. Os vídeos estão em alta definição (HD) ou definição standard (SD), com legendas em português:

  • Cenas Estendidas e Alternativas (HD, 12 min.) – Temos duas cenas que são versões estendidas de sequências que estão no filme, e uma versão alternativa que antecede a premiére de “Orgulho da Nação” – o filme que será exibido no cinema de Shosanna;
  • Orgulho da Nação – Longa Metragem (SD, 6:10 min.) – Versão “integral” do divertido filme em preto e branco dentro de BASTARDOS INGLÓRIOS, que na trama foi produzido por Goebbels como peça de propaganda nazista. A direção ficou a cargo de Eli Roth, que interpreta um dos Bastardos;
  • Mesa-Redonda com Quentin Tarantino, Brad Pitt e Elvis Mitchell (HD, 30:45 min.) – Um bate papo ao mesmo tempo casual e altamente informativo entre o diretor Quentin Tarantino e seu astro Brad Pitt, mediada pelo crítico de cinema Elvis Mitchell. É um dos melhores (senão o melhor) extras do disco;
  • Bastidores de O Orgulho da Nação (HD, 4 min.) – Making of fictício de “Orgulho da Nação”, que inclui depoimentos do diretor do filme, Alois von Eichberg (Eli Roth), do Ministro da Propaganda do Reich Joseph Goebbels (Sylvester Groth), da atriz/amante de Goebbels Francesca Mondino (Julie Dreyfus), e do astro/herói de guerra Fredrick Zoller (Daniel Brühl). Hilário;
  • O Inglorious Bastards Original (SD, 7:39 min.) – Featurette que presta homenagem ao filme de Enzo G. Castellari, apresentando os membros do elenco original que fizeram pontas no longa de Tarantino;
  • Uma Conversa com Rod Taylor (HD, 6:43 min.) – Outro destaque entre os extras, temos aqui uma boa conversa com o veterano, afetuoso e divertido Rod Taylor, que fala sobre como foi interpretar Winston Churchill e sua relação com Tarantino;
  • Rod Taylor fala sobre Victoria Bitter (HD, 3:19 min.) – Nesta extensão da conversa anterior, Taylor conta como Quentin Tarantino lhe trouxe sua cerveja favorita, entre outros comentários;
  • O Anjo da Câmera de Quentin Tarantino (SD, 2:42 min.) – Montagem de cenas com a espirituosa garota da claquete de BASTARDOS INGLÓRIOS;
  • Saudações a Sally (SD, 2:09 min.) – Coleção de momentos em que o elenco e a equipe do filme dizem Olá à montadora do filme, Sally Menke. Menke acompanhou Tarantino desde o início de sua carreira e faleceu em setembro de 2010, meses após o lançamento do BD de BASTARDOS INGLÓRIOS nos EUA;
  • Tour da Galeria de Cartazes de Filmes com Elvis Mitchel (SD, 11 min.) – Featurette onde Elvis Mitchell retorna para nos apresentar a coleção de cartazes de filmes (reais e fictícios) que vemos em BASTARDOS INGLÓRIOS;
  • Galeria de Cartazes de Inglorious Basterds – Seleção de cartazes de BASTARDOS INGLÓRIOS feitos para vários países – Brasil incluído;
  • Trailers (HD, 8 min.) – Além do teaser, temos os trailers norte-americano, internacional e japonês de BASTARDOS INGLÓRIOS.

Jorge Saldanha

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11 opiniões sobre “Resenha: BASTARDOS INGLÓRIOS (Blu-ray)”

  1. A melhor crítica que já li… A melhor descrição de extras que já li… Acabo de comprar o BRD de “Bastardos Inglórios”. Parabéns ao Jorge Saldanha! Sua crítica faz com que desejemos rever este grande filme.

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  2. O Aristeo Foloni Jr. disse tudo.
    Saldanha, você é o ‘cara’. Aprendi a “assistir” filme lendo suas resenhas. Parabéns!!!
    Como bem disse o nosso amigo Aristeo, ‘sua crítica faz com que desejemos rever este grande filme.’

    Pode até parecer “estrando” ou sei lá o quê, mas gostaria muito de ler ‘comparações’ das faixas lossless e lossy.

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    1. O autor agradece! Bem, de um modo geral, uma faixa comprimida (lossy) tem menos peso e fidelidade que uma faixa sem perdas (lossless). Esta possui um som mais encorpado, “redondo”, potente, com mais brilho e clareza. Mas essa percepção vai depender muito do equipamento que você utiliza. Mesmo que ele decodifique o áudio HD, a potência, chipset e conjunto de caixas influenciam no resultado final. É comum que nesses HT “in-a-box”, com conjunto de caixas discreto e potência mediana, a diferença entre os formatos de áudio seja quase imperceptível. E se forem empregados apenas os alto falantes da TV, aí sim é que não se notará diferença alguma.

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  3. Obrigado pela resposta. Não gosto dos HT in-a-box, prefiro um home com receiver, onde eu possa montar o sistema do meu jeito.

    Uma curiosidade, já vi filmes em blu-ray que além da faixa lossless, há mtas faixas lossy em outros idiomas. Essa grande quantidade de faixas lossy pode comprometer na qulidade do filme?

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    1. Isso dependerá de quanto espaço disponível restar para o filme. Normalmente num BD-50 (dupla camada) há espaço suficiente para que o filme, as várias faixas de áudio e alguns extras tenham um bom bitrate.

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