Resenha: HALLOWEEN (Blu-ray)


Produção: 1978
Duração: 91 min.
Direção: John Carpenter
Elenco: Donald Pleasence, Jamie Lee Curtis, Nancy Kyes, P.J. Soles, Charles Cyphers, Kyle Richards, Brian Andrews, John Michael, Graham
Vídeo: Widescreen Anamórfico 2.40:1 (1080p/AVC MPEG-4)
Áudio: Inglês (DTS-HD Master Audio 5.1)
Legendas: Português
Região: A, B, C
Distribuidora: Spectra Nova
Discos: 1
Lançamento: 09/12/2010
Cotações: Som: **½ Imagem: **** Filme: ****½ Extras & Menus: *** Geral: ***½

SINOPSE
Numa fria noite de Halloween na pequena cidade de Haddonfield no Illinois, após flagrar sua irmã adolescente fazendo sexo com o namorado, o garoto de seis anos Michael Myers a assassina brutalmente. O menino é internado em um sanatório, onde fica sob os cuidados do Dr. Sam Loomis (Donald Pleasence), um psiquiatra experiente e a única pessoa que consegue ver o demônio escondido na alma do menino. Quinze anos depois, agora um rapaz, Michael consegue fugir do sanatório. Após testemunhar sua fuga o Dr Loomis ruma para Haddonfield, onde ele sabe que na noite de Halloween o monstro vai matar novamente. Michael começa a seguir três adolescentes, Laurie Strode (Jamie Lee Curtis) e suas amigas Annie (Nancy Kyes) e Lynda (P. J. Soles). Com a ajuda do xerife da cidade Loomis inicia sua caçada esperando colocar um final nessa onda de horríveis e sangrentos assassinatos.

COMENTÁRIOS
HALLOWEEN – A NOITE DO TERROR (HALLOWEEN, 1978) é um dos longas independentes de maior sucesso da história do cinema, e lançou John Carpenter como um dos maiores diretores de filmes de horror e ficção científica. Além disso, seu vilão Michael Myers abriu o caminho para toda uma nova geração de memoráveis assassinos que inclui Jason Voorhees (SEXTA-FEIRA 13), Freddy Krueger (A HORA DO PESADELO) e até mesmo o endiabrado boneco Chucky (BRINQUEDO ASSASSINO). Com um criativo roteiro filmado sob um orçamento modesto mas muito bem empregado, utilizando o mínimo de efeitos especiais e um elenco onde o único nome conhecido era Donald Pleasence, Carpenter levou ao espectador um conto de horror repleto de referências a Alfred Hitchcock (Jamie Lee Curtis, revelada aqui, é filha de Janeth Leigh, estrela do clássico PSICOSE), empregando uma série de situações que acabaram tornando-se clichê nos filmes do gênero.

A grande diferença entre HALLOWEEN e muito do que veio depois está na forma magistralmente precisa com que Carpenter constrói sua história: desde a sequência inicial, onde sob o ponto de vista do garoto Myers, o vemos esfaquear várias vezes sua irmã, passando anos depois por sua fuga do manicômio, pela longa introdução e desenvolvimento da personagem de Laurie até chegarmos à noite de Halloween, o início das mortes e, finalmente, ao confronto do monstro com sua vítima, o diretor demonstra todo o seu talento ao empregar as tomadas de câmera, os cenários e as locações para criar um permanente senso de terror e ameaça – mesmo nas cenas à luz do dia, sabemos que Myers está ali, à espreita.

O filme hoje pode não impressionar tanto, já que posteriormente foi muito imitado, não é particularmente violento e nem tem o ritmo das produções atuais. Contudo, ainda se destaca como exercício de suspense e exemplo da diferença que faz um criador no auge de sua perícia atrás das câmeras. Meticuloso, Carpenter encarregou-se também de compor a memorável trilha sonora eletrônica, empregada no filme de forma similar à clássica partitura de Bernard Herrmann para PSICOSE. Os temas, repetitivos e crus, refletem no espectador toda a melancolia de Laurie e a determinação assassina do aparentemente imortal Myers. Aliás, uma das grandes sacadas de Carpenter foi insinuar a natureza sobrenatural do assassino, com o rosto quase sempre coberto por uma máscara de borracha que imita os traços de William Shatner (o capitão Kirk de JORNADA NAS ESTRELAS). Ao final do filme Myers, personificação do lendário Bicho-Papão e o Mal encarnado, entrou para a história do cinema e garantiu seu lugar em várias continuações e refilmagens. Nada, contudo, capaz de fazer sombra a uma obra-prima que, em 1978, mudou para sempre o cinema de horror.

SOBRE O BD
HALLOWEEN chega ao Brasil por cortesia da independente Spectra Nova, de reputação não muito boa em DVDs. Mas sua entrada no mercado de alta definição, pelo menos no que se refere à apresentação técnica do filme, superou minhas expectativas. A base deste lançamento é o Blu-ray lançado nos EUA pela Anchor Bay em 2007, dele utilizando a mesma transferência anamórfica 1080p/AVC MPEG-4 na proporção original de tela 2.40:1. Apesar de ser a mesma transfer HD de uma edição em DVD lançada dois anos antes, fiquei surpreendido com sua qualidade de imagem. Tendo assistido a HALLOWEEN nos cinemas e já possuído o filme em VHS e DVD, neste Blu-ray a sensação que tinha era a de estar vendo-o pela primeira vez.

Para um filme de catálogo esta transferência se destaca pelos detalhes, altos níveis de brilho e contraste e, principalmente, por suas cores vivas, naturais e firmes, principalmente nas cenas diurnas onde vemos Laurie caminhando pelas ruas arborizadas de Haddonfield. Alegadamente nela foram feitas “correções” de problemas de cores que, na verdade, eram decisões criativas de Carpenter e do diretor de fotografia Dean Cundey, e isso lhe rendeu algumas avaliações negativas. Mas o fato é que HALLOWEEN nunca teve uma imagem tão bonita e com um senso de profundidade tão acentuado. Há um mínimo de granulação, perceptível principalmente nas tomadas mais escuras, e o olhar mais atento notará eventualmente mínimos danos de película, além de um pequeno desfoque nos cantos da tela em algumas sequências, decorrente de problemas com as lentes empregadas nas filmagens. Mas são pecados facilmente aceitáveis em um filme de baixo orçamento com mais de 30 anos, e dificilmente algum fã deixará de ficar totalmente satisfeito com esta apresentação visual.

A única faixa de áudio disponível é inglês DTS-HD Master Audio 5.1, que apesar de lossless possui qualidade medíocre. Ela reproduz muito bem o famoso tema musical do filme, e cria uma ótima ambientação na cena da fuga de Myers do manicômio em uma noite tempestuosa. Mas na maior parte do tempo as deficiências da captação de áudio em 1978 são mais do que evidentes – a fidelidade geral do som deixa a desejar, os graves são discretos e os canais surround são pouco empregados. Mas os diálogos estão bem equilibrados na mixagem, e sempre é bom lembrar que o áudio original é mono e tem mais de 30 anos, e qualquer remasterização, por melhor que seja, não conseguirá fazer milagres. O que talvez se deva realmente criticar é a falta de mais opções de faixas de áudio, já que quem não possui um home theater capaz de reproduzir pelo menos DTS 5.1 lossy apenas ouvirá o som em PCM 2.0, e além disso certamente haverá quem reclamará da ausência de dublagem em português. As opções de legendas também são mínimas, já que as únicas disponíveis são as do nosso idioma. Os menus principais (animados) e pop up são básicos, e estão em português.

EXTRAS
Lançando no Brasil em disco de camada simples (BD-25) um Blu-ray originalmente lançado nos EUA em disco de camada dupla (BD-50), era óbvio que a Spectra Nova teria de sacrificar algum conteúdo para não comprometer a qualidade de som e imagem de HALLOWEEN. Assim, além de oferecer as opções mínimas de áudio e legendas, a maior parte dos extras do BD original da Anchor Bay foram eliminados, sendo a perda maior a elogiada faixa de comentários em áudio com John Carpenter, Jamie Lee Curtis e a produtora Debra Hill, gravada originalmente para uma versão em laserdisc de HALLOWEEN lançada nos EUA em 1995.

Pelo menos a nossa edição preservou o making of “Um Corte Acima de Tudo”, com 87 minutos e legendas em português, que mescla parte do EPK (Electronic Press Kit) feito para o lançamento de HALLOWEEN – 20 ANOS DEPOIS com entrevistas mais atuais com Carpenter e integrantes da equipe de produção e do elenco. Os fãs apreciarão especialmente os mais de 10 minutos de cenas de bastidores feitas por uma equipe da televisão britânica, que incluem o falecido Donald Pleasence. Ainda assim, para economizar espaço em disco, o documentário foi incluído em resolução standard, enquanto no Blu-ray norte-americano ele está em 1080i. O que, no final das contas, não faz tanta diferença assim, já que na maior parte do tempo são empregadas fontes originais 480i.

Jorge Saldanha

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6 comentários sobre “Resenha: HALLOWEEN (Blu-ray)

  1. Olá, senhor Jorge Saldanha. Eu sou do time que prefere somente os seis primeiros filmes desta série do Myers, talvez pela presença do eterno Donald Pleasence. Mas óbvio que respeito quem gosta de “H20” e “Halloween – A Ressureição”.
    -] Gostaria de saber se há chances de lançarem para nós os demais Michael Myers de minha preferência, de H2 à H6, e se há chances de conhecermos a chamada “H6 – Producer’s Cut”.
    -] Quem poderia lançar-nos em alta definição a versão definitiva de “1492 – A Conquista do Paraíso”, que foi lançada aqui em dvd, contendo extras?
    -] O telefilme “O Aniquilador (Annihilator, 1986)” foi lançado em dvd ou blu-ray em algum país?
    -] Há alguma coisa contra lançarem aqui em Blu-ray as outras obras de John Carpenter, especialmente “O Enigma de Outro Mundo”? De acordo com os dvds que vimos por aqui, a minha sugestão para a Universal seria lançar em blu-ray e relançar (sem idiomas studio canal) o que eu chamaria “Coleção John Carpenter”, contendo os títulos:
    “A Bruma Assassina”, “Fuga de Nova York”, “O Enigma de Outro Mundo”, “O Príncipe das Sombras” e “Eles Vivem”. Esse seria um pacote que só não compra quem não tem grana. Mas em tempos de Alien Anthology…
    -] Não há chance de alguém relançar em dvd e lançar em Blu-ray por aqui a outra grande obra de John Carpenter, “Assalto à 13º DP (Assault On Precinct 13)?”
    -] Quem poderia nos lançar em dvd e blu-ray “Corrida da Morte – Ano 2000, clássico estrelado por David Carradine?
    Obrigado.

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    • Poucas perguntas, hein Rafael?
      Infelizmente, a maioria pode ser respondida assim: não sabemos. Exceto pelos filmes de Carpenter da Universal / Studio+Canal, os demais foram distribuídos em home video por aqui por distribuidoras independentes (e muitos não saíram nem em DVD aqui, que dirá Blu-ray). Talvez o que estivesse mais próximo de sair seja O Enigma de Outro Mundo, mas como a Universal é extremamente desleixada em seus lançamentos nacionais em Blu-ray, só Deus sabe quando sairá por aqui (talvez quando a prequel atualmente em produção chegue aos cinemas, mais para o final do ano). Recomendo importar o Blu-ray inglês de The Thing, que é região livre e possui legendas em português de Portugal (inclusive nos extras).

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  2. Olá, senhor Jorge Saldanha. Só uma (1) perguntinha agora: os dvds “A Noite dos Mortos-vivos”, lançado aqui pela Cinemagia, e “Caverna do Dragão”, lançado aqui por uma empresa que nem colocou símbolo ou nome na capinha, valem o investimento, principalmente em termos de som e imagem qualitativos? Desde já obrigado e desculpe a dúvida por atacado do comentário anterior. Sucesso para vocês!

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