Produção: 1991
Duração: 156 min.
Direção: James Cameron
Elenco: Arnold Schwarzenegger, Linda Hamilton, Edward Furlong, Robert Patrick, Joe Morton
Vídeo: Widescreen Anamórfico 2.40:1 (1080p/VC-1)
Áudio: Inglês (DTS-HD Master Audio 6.1), Português (DTS 5.1), Espanhol, Italiano (DTS-HD 5.1), Castelhano (Dolby Digital 2.0)
Legendas: Português, Inglês, Espanhol, Italiano, Castelhano, Alemão, Norueguês, Finlandês
Região: A, B, C
Distribuidora: Universal
Discos: 1
Lançamento: 22/11/2010
Cotações: Som: **** Imagem: **** Filme: **** Extras & Menus: ***½ Geral: ****

SINOPSE
Anos após ter sobrevivido ao ataque do cyborg vindo do futuro, que tinha por missão matar a mãe daquele que será o líder da rebelião dos humanos contra as máquinas, Sarah Connor (Linda Hamilton) está internada numa clínica psiquiátrica. Agora, é seu filho John (Edward Furlong ) que está em perigo: um novo modelo de Exterminador, capaz de assumir a forma de qualquer objeto ou ser vivo, veio do futuro com a missão de matá-lo. Contudo, ao descobrir que outra máquina foi enviada ao passado, desta vez para matá-lo, o John do futuro envia o Exterminador série T-800 (Arnold Schwarzenegger), para que seja seu protetor contra o letal T-1000 (Robert Patrick). John e o T-800 resgatam Sarah da clínica, e passam a fugir dos ataques do T-1000. Sarah decide matar o cientista que está desenvolvendo o chip que dará origem à rede de computadores que, em poucos anos, provocará o devastador ataque das máquinas contra a humanidade.

COMENTÁRIOS
Digam o que disserem de James Cameron, mas “O Rei do Mundo” tem o dom de inovar e fazer história em Hollywood. Este O EXTERMINADOR DO FUTURO 2: O JULGAMENTO FINAL (TERMINATOR 2: JUDGMENT DAY, 1991), dadas as devidas proporções, foi à época do seu lançamento tão (ou quase) impactante tecnicamente como AVATAR o foi em 2009. Com um orçamento de Us$ 100 milhões, o filme de Cameron foi o primeiro em que a pós-produção digital foi largamente empregada. Os elaborados e à época inovadores efeitos visuais pavimentaram o caminho para a criação de personagens realistas totalmente gerados em computador, dos quais o Gollum da trilogia O SENHOR DOS ANÉIS e os próprios Na’vis de AVATAR são hoje os maiores exemplos. E graças às transformações do T-1000, o efeito morphing virou uma febre que contaminou desde videoclipes até outros filmes e séries de TV, que passaram a mostrar transmorfos e shapeshifters de todos os tipos.

Por outro lado, conceitualmente T2 (como o filme ficou conhecido nos EUA) não está à altura do original realizado por Cameron de 1984, que apesar de ser uma modesta produção influenciou muito mais a moderna ficção científica cinematográfica. Para a continuação, Cameron fez algumas concessões a fim de viabilizar a participação de Arnold Schwarzenegger, cujo Exterminador foi destruído no filme original. Naquele os Exterminadores eram unidades de infiltração que se misturavam aos rebeldes para descobrirem suas bases e, lá chegando, provocavam grande destruição. Em um flashforward inclusive vimos um destes cyborgs infiltrados em ação, e ele não tinha as feições do Schwarzenegger. Já neste T2 fica claramente estabelecido que todos os T-800 são iguais ao “Schwarza”, e ponto final. E ele até já chega ao presente com cabelo espigado e tudo (no original ele só ficou assim depois de ter passado por labaredas que lhe chamuscaram os cabelos).

Também, para desagrado de muitos fãs do original, o T-800 foi humanizado: de fria máquina assassina ele virou o “paizão” de John Connor. Na verdade essa foi uma sugestão de Schwarzenegger a Cameron, que para variar queria fazer o papel do mocinho e deixar toda a vilania a cargo do letal T-1000 (Robert Patrick, que mais tarde virou o agente Doggett de ARQUIVO X).

Apesar disso Cameron criou um filme que fez ainda mais sucesso graças à ação intensa, efeitos visuais que, apesar de hoje ultrapassados, servem bem à trama, e a um final comovente. O EXTERMINADOR DO FUTURO 2 venceu o Oscar nas categorias de Som, Maquiagem, Edição de Efeitos Sonoros e Efeitos Visuais (desenvolvidos pela Industrial Light & Magic, de George Lucas), e como outros filmes do diretor acabou recebendo uma versão estendida, com 16 minutos adicionais em relação à original de cinema. Entre os acréscimos, temos Sarah sendo espancada pelos seguranças da clínica, as visões que ela tem de Kyle Reese (Michael Biehn, reprisando seu personagem do filme de 1984), mais diálogos e maior interação entre John e o T-800 – em uma cena engraçada, por exemplo, vemos o garoto ensinando o Exterminador a sorrir. Mas ainda há uma terceira versão um pouco mais longa, com 156 minutos, que possui um final alternativo que, se levado em consideração, torna totalmente sem sentido o filme seguinte, O EXTERMINADOR DO FUTURO 3: A REBELIÃO DAS MÁQUINAS (2003), no qual Cameron não teve qualquer envolvimento. Para assistir a essa terceira versão, acesse o menu de escolha da versão do filme e digite no lugar dos asteriscos o código 82997 – que é a data, em formato inglês, do “Julgamento Final”: 29 de agosto de 1997. Boa diversão!

SOBRE O BD
E segue a “odisseia” de O EXTERMINADOR DO FUTURO 2 em home video. Após lançamentos precários em DVD no Brasil, e várias edições disponibilizadas no exterior por Artisan, Lionsgate e Studio+Canal, finalmente chega por aqui a versão em Blu-ray da “Skynet Edition”, tida por muitos como uma das melhores já lançadas em qualquer formato. Apesar de, sinceramente, esperar mais desta edição – que aqui não foi identificada como Skynet, apesar de possuir arte de capa (mas não a embalagem, aqui uma simples HD-Case padrão) e conteúdo idêntico à norte-americana e europeia, com a adição de legendas e dublagem PT-BR, é indiscutível que, apesar de manter a infame parceria Universal/Studio+Canal, ela é superior em todos os aspectos ao DVD lançado há alguns anos (leia a resenha AQUI). Em um Blu-ray de dupla camada (BD-50) com mais extras e sem os problemas da conversão PAL/NTSC, nossa “Skynet Tupiniquim” agradará aos fãs principalmente por trazer três versões do filme, sendo que a mais longa (o código para acessá-la já coloquei mais acima) agrega 20 minutos à originalmente lançada nos cinemas – a única que até agora estava disponível no Brasil.

Após selecionar nosso país no pré-menu, os menus principais, animados, surgem no “padrão Skynet”, com as opções de navegação situadas na parte superior da tela. Ali, entre outras coisas, podemos selecionar qual a versão do filme será assistida via seamless branching (com as cenas adicionais ou alternativas sendo inseridas na versão original de cinema de forma imperceptível). A transferência anamórfica 1080p/VC-1, que preserva a proporção original de tela 2.40:1, representa uma formidável melhoria em relação ao que já vimos anteriormente em DVD, e creio que por muito tempo não veremos este filme com uma apresentação superior. Obviamente não espere uma qualidade de vídeo do nível do novíssimo EXTERMINADOR DO FUTURO 4 – A SALVAÇÃO, contudo, a imagem em alta definição finalmente faz justiça à fotografia Super-35 empregada por Cameron.

A primeira diferença que notamos, em comparação a outras versões em DVD e Laserdisc (sim, já tive esse filme em todos os formatos de home video imagináveis) é a limpeza da imagem, livre de riscos, sujeiras e outros defeitos inerentes à fonte. A granulação de película está preservada, ainda que em breves momentos a imagem pareça um pouco “lavada”, principalmente nas tomadas com efeitos CGI – ao que tudo indica, característica da master original. Mas de modo geral a transferência é de alto nível, sem artefatos aparentes, com pretos bem fortes, ótimo contraste e cores ricas e firmes (cuja tonalidade mantém o tom meio azulado original). O nível de detalhes é alto, como podemos constatar nos close ups e nas texturas gerais, sendo que a imagem como um todo transmite um bom efeito dimensional. Exceto pelo final alternativo da versão mais longa, que apresenta cores mais saturadas e nitidez levemente inferior, as cenas adicionais integram-se perfeitamente à montagem da versão original, sem diferenças relevantes em relação às demais.

No aspecto áudio, a configuração default é a dublagem em português DTS 5.1, sem legendas, na versão de cinema (nas cenas adicionais o áudio é em inglês, com legendas), porém ao contrário do DVD anterior ela pode ser modificada facilmente, para que utilizemos todas as opções de som e legendas disponíveis. O destaque vai para a faixa lossless em inglês DTS-HD Master Audio 6.1, que fará tremer suas paredes. T2 foi o primeiro filme que teve captação e mixagem sonora totalmente digital, e por muito tempo foi referência nas demonstrações de home theater, com seu profícuo uso dos canais surround e graves impactantes. Claro que hoje o que ouvimos já não impressiona tanto, afinal estamos falando de uma produção prestes a fazer 20 anos; mas o agressivo sound design, o competente envolvimento sonoro, os diálogos sempre claros, os graves robustos e a ótima fidelidade geral, que integra perfeitamente a clássica trilha sonora de Brad Fiedel (a melhor da série, sem dúvida) fornece uma experiência auditiva superior à de muitos BDs de títulos (do gênero) bem mais recentes. Também temos mixagens em inglês para fones de ouvido (Dolby 2.0), italiano, espanhol (DTS-HD 5.1) e castelhano (Dolby 2.0), e legendas em português, inglês, espanhol, italiano, castelhano, alemão, norueguês e finlandês.

EXTRAS
Após assistir aos longos e excelentes documentários da ALIEN ANTHOLOGY criados por Charles de Lauzirika, fico pensando quando o mais popular filme da franquia O EXTERMINADOR DO FUTURO receberá um making of do mesmo nível. Será que isso acontecerá ano que vem, quando T2 completar 20 anos? Porque este nosso BD traz sim extras, mas nada apresentado de modo tão extensivo e compreensivo, sendo que o principal material está disperso nos módulos interativos acessíveis – de modo nem sempre amigável – durante a Edição Especial do filme. Tudo que está ali foi extraído das versões anteriores em DVD, lançadas no exterior – o que significa dizer que, pelo menos para o mercado brasileiro, são extras inéditos.

  • Comentários em Áudio – Temos duas faixas de comentários, com legendas em português de Portugal – e creio que nem dá para reclamar disso, porque a maioria das distribuidoras nem legendam este tipo de extra. A primeira foi gravada por James Cameron e o co-roteirista William Wysher para o DVD “T2 Extreme Edition”, e é excelente. Os dois trazem muitas informações sobre a produção, desde sua concepção até o lançamento, e Cameron se destaca pela concisão e empolgação. Para mim, é o melhor extra do BD. Já a segunda faixa consiste de trechos de depoimentos em áudio – gravados separadamente – de nada menos que 26 integrantes da equipe e do elenco, como Arnold Schwarzenegger, Linda Hamilton, Edward Furlong, Stan Winston, etc. Apesar de inferior à faixa de Cameron, e até por ser também legendada, ela igualmente se destaca entre o material suplementar;
  • Dados Adicionais (HD) – Nesta seção temos teaser e dois trailers de cinema, a vinheta THX criada originalmente para o DVD “Special Edition”, duas cenas eliminadas da versão de cinema (“Finalização dos Dados”) mas que estão inseridas nas demais versões presentes no BD (numa o T-1000 faz uma busca na casa de John, e a outra é o final alternativo com Linda Hamilton envelhecida pela maquiagem – ambas podem ser assistidas com comentários de membros da equipe e elenco) e os créditos do Blu-ray. Nada disso é legendado;
  • Módulos Interativos – Utilizando o modo BonusView (Profile 1.1), é possível selecionar nada menos que oito modos interativos para assistir à Edição Especial de 152 minutos com acesso a uma série de informações adicionais de produção em texto, imagens, vídeos de bastidores de filmagens e storyboards animados em PIP, o roteiro completo do filme, testes de perguntas e respostas e mini-jogos. Infelizmente não há marcadores para identificar quais capítulos apresentam determinado tipo de material, os menus de navegação nestes módulos são confusos (é comum você acionar um módulo que não corresponde ao que você quer), nada recebeu tradução, e quando este modo é acionado ele suspende as legendas do filme e dos comentários;
  • Acesso Skynet (BD-Live) – O disco utiliza a conectividade do reprodutor (Profile 2.0) para acessar a um portal que, em tese, contém suplementos adicionais. Como não espero encontrar grandes coisas por lá, nem tentei. Mas se você quiser experimentar, boa sorte.

Jorge Saldanha

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