Resenha: HARRY POTTER AND THE DEATHLY HALLOWS PART 1 – Alexandre Desplat (Trilha Sonora)


Música composta por Alexandre Desplat
Selo: WaterTower Music
Catálogo
: 39212
Lançamento: 16/11/2010
Cotação: ****

Os fãs de John Williams tiveram uma efêmera alegria quando, há algum tempo, surgiu o boato de que o veterano compositor retornaria à cinessérie Harry Potter para compor a trilha sonora do último capítulo da saga de J. K. Rowling – HARRY POTTER E AS RELÍQUIAS DA MORTE (Harry Potter and the Deathly Hallows). A alegria deles acabou quando foi anunciada a contratação de Alexandre Desplat, que sucede o próprio Williams, Patrick Doyle e Nicholas Hooper na franquia. O compositor francês já firmou presença em Hollywood, porém até bem recentemente se limitava a compor inspiradas partituras para dramas e romances.

Isso começou a mudar recentemente, quando ele assumiu as trilhas de A BÚSSOLA DE OURO e LUA NOVA, este o segundo filme da saga açucarada de vampiros CREPÚSCULO. Naquele trabalho Desplat simplesmente ignorou o trabalho que lhe antecedeu, e a curiosidade em saber qual seria sua abordagem em relação a AS RELÍQUIAS DA MORTE era grande. Felizmente, apesar de estabelecer suas próprias ideias musicais, Desplat demonstrou ter plena ciência da herança musical herdada, e seu score pode ser considerado uma evolução lógica do que os seus antecessores produziram.

Mas não espere ouvir aquele clima de magia infantil que permeava os scores iniciais de John Williams, até porque a própria série de livros / filmes cresceu juntamente com o trio de protagonistas, adotando um tom mais sombrio e dramático, conforme foi se aproximando o confronto final de Harry e Voldemort. Isso já fora sentido principalmente nas trilhas de Hopper, e a própria assinatura musical da série, o mágico “Hedwig’s Theme” de Williams, é praticamente ignorada, sendo ouvida de forma muito esparsa (no CD, em apenas três faixas), em curtíssimos trechos melancólicos e tristes. Para compensar, temos referências ao estilo de Williams, especialmente na escrita para metais e cordas, como em “Polyjuice Potion”. Já o material de ação de Desplat – do qual pouco conhecíamos até agora – não faria feio em filmes de franquias como STAR WARS e JURASSIC PARK, que receberam icônicas partituras de Williams. Teria sido esta a maneira do francês reverenciar Williams e fazer as pazes com seus admiradores?

De concreto temos que, apesar de não ter criado aqui um tema principal mais marcante, como em LUA NOVA, Desplat apresenta um consistente material temático recorrente, como o motivo associado a Harry, Ron e Hermione, presente em várias faixas, além do sinistro tema que é introduzido na segunda, “Snape to Malfoy Manor,” e que retorna em pelo menos mais quatro que remetem às ameaças das forças do Mal, que incluem “Death Eaters” e “The Locket” – sendo que esta se refere a uma das Horcruxes na qual Voldemort colocou uma parte de sua alma. Desplat não abandonou a música emotiva que sempre caracterizou seus trabalhos, e que ouvimos em vários momentos deste álbum. Temos melodias gentis e pungentes em faixas como “Harry and Ginny” (que inicia com um belo piano para depois entrarem as cordas, que soam quase como soluços de choro), além das bonitas e tristes “Ron Leaves”, “Godric’s Hollow Graveyard” e “Farewell to Dobby”.

A mais leve e esperançosa “Ron’s Speech”, onde uma harpa acompanha a melodia interpretada pelos violinos, quebra um pouco do clima sombrio da trilha sonora. Já “Hermione’s Parents”, a faixa mais longa do álbum, apesar de um início tristonho e sentimental, traz ao ouvinte um senso de esperança – como se a dor de Hermione, ao eliminar sua existência das memórias de seus pais, acabasse sendo compensada pela compreensão de que aquela era a única forma de garantir a segurança deles. Também merecem destaque faixas onde o compositor emprega sonoridades étnicas – “Lovegood”, dedicada ao pai da garota Luna, traduz a excentricidade do personagem através de ritmos repetitivos interpretados por pratos, percussão e cordas do Oriente Médio; já a primeira metade de “Captured and Tortured”, que acompanha a captura de nossos heróis pelos Comensais da Morte e a tortura de Hermione por Belatriz Lestrange, soa sinistra, com o uso de percussão japonesa no estilo Taiko Drums.

Como avaliação final, e aqui devo destacar que se trata, eminentemente, de uma questão de gosto pessoal, considero que o score de Alexandre Desplat para esta primeira parte de HARRY POTTER E AS RELÍQUIAS DA MORTE é dos melhores que já foram compostos para a saga, ficando quase à altura dos três primeiros, de autoria de John Williams. O francês já foi confirmado para retornar na segunda parte, que estreia em meados de 2011, e para a qual se espera um trabalho de maior escala épica, já que o filme trará mais ação e a conclusão das aventuras do jovem bruxo. Talvez então seja possível fazer uma avaliação mais definitiva da contribuição de Desplat para a franquia, mas é inegável que este primeiro trabalho me deixou com uma alta expectativa quanto ao que está para vir.

Faixas

1. Obliviate
2. Snape To Malfoy Manor
3. Polyjuice Potion
4. Sky Battle
5. At The Burrow
6. Harry And Ginny
7. The Will
8. Death Eaters
9. Dobby
10. Ministry Of Magic
11. Detonators
12. The Locket
13. Fireplaces Escape
14. Ron Leaves
15. The Exodus
16. Godric’s Hollow Graveyard
17. Bathilda Bagshot
18. Hermione’s Parents
19. Destroying The Locket
20. Ron’s Speech
21. Lovegood
22. The Deathly Hallows
23. Captured And Tortured
24. Rescuing Hermione
25. Farewell To Dobby (03:44)
26. The Elder Wand

Duração: 73:56

Jorge Saldanha

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13 comentários sobre “Resenha: HARRY POTTER AND THE DEATHLY HALLOWS PART 1 – Alexandre Desplat (Trilha Sonora)

  1. Não vou negar que Desplat arrasou e compôs uma belíssima trilha para HP7 Part1, mas eu prefiro a trilha de Williams, e acho que ele pecou em não resgatar o tema de HP em mais músicas do score assim com fizeram seus antecessores Hooper e Doyle. Não dá a HP uma continuidade musical, como vejo em Star Wars e Crônicas de Nárnia que marca uma saga tendo um tema base. HP é magia, e mesmo em tempos sombrios, como o retorno de Lorde Voldemort, há ainda essa Magia.

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    • Mas não dá para esquecer que há outras franquias cinematográficas, como Alien, em que há vários compositores envolvidos e que definitivamente não tem uma continuidade musical, ainda que a trilha ou o tema de determinado filme acabe identificando a franquia. Além disso, quando entram no páreo compositores diferentes, não são todos que tem a humildade de empregarem material prévio de seus colegas, como John Debney fez intensamente em Predadores com as composições de Alan Silvestri.

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