Produção: 1985
Duração: 100 min.
Direção: George A. Romero
Elenco: Lori Cardille, Terry Alexander, Joseph Pilato, Jarlath Conroy, Anthony Dileo Jr., Richard Liberty
Vídeo: Widescreen Anamórfico 1.85:1 (1080p/AVC)
Áudio: Inglês (PCM 5.1, Dolby Digital 5.1), Português (Dolby Digital 2.0)
Legendas: Português
Região: A, B,C
Distribuidora: NBO
Discos: 1
Lançamento: 15/09/2010
Cotações: Som: **½ Imagem: ***½ Filme: ***½ Extras & Menus: ***½ Geral: ***½

SINOPSE
Os mortos-vivos dominam a Terra e apenas um pequeno grupo de humanos conseguiu resistir. Estes sobreviventes, entre soldados e cientistas, refugiaram-se em um abrigo militar subterrâneo, mas o estoque de alimentos está baixando e a munição e os medicamentos estão cada vez mais escassos. A sobrevivência deles só poderá ser garantida se eles conseguirem chegar a um refúgio distante e inacessível, além de descobrir se há uma forma de combater os mortos vivos e mandá-los de volta às suas sepulturas. A solução talvez esteja nas pesquisas do Dr. Logan, um excêntrico cientista., contudo a tensão entre civis e militares fica insustentável e as criaturas estão cada vez mais perto de invadir a base. O resultado é o mais negro dos dias de horror que o mundo já conheceu.

COMENTÁRIOS
George A. Romero é o pai do moderno filme de zumbis. Ele praticamente definiu o gênero com a trilogia A NOITE DOS MORTOS VIVOS (1968), ZOMBIE – O DESPERTAR DOS MORTOS (1978) e este DIA DOS MORTOS (1985). A partir de seus filmes, tudo o que se realizou sobre zumbis seguiu, em maior ou menor grau, o padrão estabelecido pelo cineasta, inclusive a nova série de TV THE WALKING DEAD, de Frank Darabont. A diferença é que muitas dessas produções se prenderam apenas ao aspecto “trash” da obra do diretor – entenda-se: cabeças de zumbis explodindo, humanos sendo eviscerados pelos mortos-vivos, etc. Porém, o que sempre diferenciou as realizações de Romero foram a ironia e o comentário social por ele empregados, abordando temas como o racismo no primeiro filme, o materialismo / consumismo no segundo, e por fim o militarismo no terceiro.

Quando estreou em 1985, DIA DOS MORTOS, que da trilogia é o preferido de Romero, não foi bem recebido nem mesmo pelos fãs, que estranharam a falta de humor e, principalmente, de personagens humanos capazes de criar empatia com o público. De fato, seja entre os “bons” e os “maus”, nenhum personagem cativa, para o que possivelmente colaborou o desempenho medíocre, para dizer o mínimo, do elenco. Já do lado dos zumbis, Bub, a cobaia do Dr. Logan (Richard Liberty), é quem concentra as atenções e merece a torcida do espectador. De qualquer modo, o que para muitos é uma falha vem ao encontro da proposta do cineasta: ao mostrar um grupo isolado de civis dominados pela tirania militar, a mensagem do filme fica bem clara: o pior inimigo dos humanos são eles mesmos.

Apesar de ser a produção mais refinada de Romero até então, o longa mostra seus problemas a partir de um roteiro sem inspiração, prejudicado que foi pela mudança de rumos que o filme tomou. Originalmente ele seria bem mais ambicioso e o roteiro era bem mais longo, porém os cortes de orçamento limitaram bastante as pretensões de Romero, que teve de fazer várias alterações na história. Também não ajudaram o elenco de segunda linha e a troca de uma trilha sonora inspirada, como a de Goblin para O DESPERTAR DOS MORTOS, por um equivocado score de sintetizadores (ao invés de satírica, a música de John Harrison é pura e simplesmente ruim). A crítica ao militarismo fica esvaziada pela caracterização clichê e caricata dos soldados, o que até poderia funcionar se o filme não se levasse tão a sério.

Problemas à parte, um filme de Romero sempre terá algo para agradar a quem curte o gênero, e para isso colaboram e muito os excelentes efeitos de maquiagem criados pelo magistral Tom Savini, que não economizou no uso de tripas bovinas para criar algumas das mais memoráveis – e nojentas – cenas já mostradas no gênero. E ao final, quando vemos o zumbi Bub (Howard Sherman) perseguir a tiros o despótico Capitão Rhodes (Joseph Pilato), não temos como deixar de pensar que mais uma vez o Mestre, ainda que aos trancos e barrancos, deixou o seu recado.

Após um longo recesso Romero retornou ao mundo dos zumbis em 2005 com TERRA DOS MORTOS, e de lá para cá também realizou DIÁRIO DOS MORTOS (2007) e SURVIVAL OF THE DEAD (2010), sendo que estes dois últimos foram lançados diretamente em vídeo em quase todo o mundo. Sinal de que Romero deixou de fazer filmes considerados revolucionários? Acredito que sim, até pelo simples fato de que ele já os fez…

SOBRE O BD
Este ano está saindo no exterior uma edição especial de 25 anos de DIA DOS MORTOS, porém este legítimo lançamento “de banca” da NBO, originalmente encartado na revista “Blu-ray News” nº 2, baseia-se no Blu-ray lançado pela Anchor Bay nos EUA em 2007, sendo praticamente idêntica a ela em termos de (boa) qualidade técnica e conteúdo. A transferência anamórfica 1080p/AVC traz o filme em sua proporção de tela original 1.85:1 e possui um razoável bitrate, rodando na maior parte do tempo em 26/28 kbps. A introdução do filme deixa a desejar, com uma aparência filtrada e com carência de detalhes finos. Felizmente após uns três minutos a imagem melhora significativamente, tornando-se bem nítida e detalhada. Não podemos esquecer que esta é uma produção de baixo orçamento com 25 anos, e a qualidade do vídeo certamente está longe de ser uma referência, porém possui cores estáveis, bom nível do preto e baixo índice de danos de película. Eu, particularmente, nunca vi DIA DOS MORTOS com vídeo de tamanha qualidade (não dá nem para comparar com a antiga versão em DVD lançada por aqui, também “de banca”).

No áudio, destaca-se a faixa original em inglês lossless PCM, remixada para 5.1 canais, sendo que o BD da Anchor Bay disponibiliza também o áudio original mono. Mesmo sendo sem compressão e multicanal, o áudio possui um uso discretíssimo dos efeitos surround, e a desejável ambientação nos túneis onde se passa a maior parte da ação praticamente inexiste. Além disso, os sons de baixa frequência raramente colocarão seu subwoofer em ação. Pelo menos a fidelidade é boa, e os diálogos sempre são claramente reproduzidos. Há também uma faixa em inglês Dolby Digital 5.1, e para quem faz questão há a opção de dublagem em português (2.0). Temos legendas disponíveis apenas em português. O menu animado traz cenas e imagens do filme, e está em português. Fico feliz ao constatar que a NBO está mantendo um bom padrão de qualidade em seus lançamentos, com os filmes em adequada apresentação técnica e acompanhados por extras integralmente legendados em português. Sem dúvida, é um exemplo a ser seguido pelas distribuidoras independentes nacionais, que insistem em lançar filmes em Blu-ray com imagem mutilada, som comprimido (e muitas vezes apenas 2.0) e sem extras.

EXTRAS
No que se refere ao material suplementar este Blu-ray de DIA DOS MORTOS é uma grata surpresa, e uma referência até para algumas grandes distribuidoras, que normalmente optam por não legendar os comentários em áudio. O detalhe é que aqui temos não uma, mas duas faixas de comentários traduzidas para o português. Os vídeos estão todos em resolução 480i/p (SD), e também eles foram legendados (inclusive trailers e comerciais de TV).

  • Comentários em áudio de George A. Romero, Tom Savini, Cletus Anderson e Lori Cardille – Faixa interessante e por vezes divertida, reunindo respectivamente o diretor/roteirista, o criador dos efeitos de maquiagem, o produtor e a atriz principal. E é exatamente ela, Lori Cardille, que se revela o elemento distoante do animado grupo, mas que pelo menos não compromete;
  • Comentários em áudio de Roger Avary – Avary, roteirista de filmes como PULP FICTION e TERROR EM SILENT HILL não teve qualquer participação em DIA DOS MORTOS, porém obviamente é fã do filme e por isso foi convidado para gravar esta faixa. Mas ele pouco tem a dizer, e isso resulta em longos silêncios entre suas intervenções;
  • Os Muitos Dias de Dia dos Mortos (40 min.) – Ótimo documentário que reúne entrevistas do diretor e integrantes do elenco e equipe. Destaco os depoimentos de Romero e de Tom Savini, este dando detalhes sobre a criação dos efeitos;
  • Por Trás das Câmeras (29 min.) – Aqui neste documentário vamos mais fundo no trabalho de Tom Savini e sua equipe, através de gravações feitas em vídeo. Vemos uma série de testes de olhos animatrônicos, membros cortados, cabeças explodidas, maquiagem dos zumbis e bastidores de cenas com efeitos;
  • Entrevista em áudio com Richard Liberty (15 min.) – O falecido ator Richard Liberty (Dr. Logan) gravou esta entrevista menos de um ano antes de sua morte, e nela fala sobre sua participação no filme, desde como se envolveu no projeto (ele já trabalhara com Romero em O EXÉRCITO DO EXTERMÍNIO), como se preparou para o papel, as dificuldades para filmar sua cena final, o relacionamento entre Logan e Bub, etc. A qualidade é medíocre, com muitos ruídos de fundo, porém vale a pena conferir até porque a entrevista, mesmo sendo apenas de áudio, também recebeu legendas;
  • Trailers – Completam os extras três trailers do filme e três comerciais de TV.

Jorge Saldanha

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