Top 20 Trilhas dos Últimos 20 anos


Por Viviana Ferreira

Em homenagem aos vinte anos de aniversário do IMDB, o mais popular site sobre cinema da web, decidi fazer uma lista com as minhas 20 trilhas favoritas dos últimos 20 anos, que além de serem belas são primordiais para seus respectivos filmes. Segue abaixo meu top 20:

1. Alexandre DesplatDesejo e Perigo:
Não há duvidas de que Alexandre Desplat foi o compositor desta década. Tendo o primeiro trabalho de destaque em Hollywood em 2003 (embora já tivesse na Europa mais de 50 scores), hoje em dia o francês assume o posto de compositor mais importante do mundo, alem de ser o mais requisitado. Considero Desejo e Perigo seu principal trabalho, bem como o melhor trabalho de uma trilha dos últimos 20 anos justamente por tratar-se de um longa cuja música consegue ser um componente essencial para que a trama se desenvolva, sendo também ponto fundamental para a tensão sexual entre os personagens principais. “Wong Chia Chi’s Theme” se releva uma obra prima, e “Dinner’s Waltz” é uma peça em piano que capta todo o tom dramático da narrativa. Por causa de sua trilha, assistir Desejo e Perigo se torna uma experiência que desafia os sentidos, eleva o espírito e aquece o coração. É por esses e outros motivos que ela ocupa a primeira posição deste top 20.

2. Yann TiersenO Fabuloso Destino de Amélie Poulain:
Ano de 1999, o diretor francês Jean Pierre Jeunet estava a todo vapor envolvido com o processo de produção e gravação do filme “O fabuloso destino de Amelie Poulain”. Um dia, ao pegar um táxi, Jean ouve uma música no carro que lhe chama a atenção: é um misto de sentimentos, instrumentos e emoções. A canção que estava tocando era “Monochrome” faixa de sucesso do álbum “Le Phare” do multi instrumentista Yann Tiersen. Jeunet ficou maravilhado, procurou Tiersen, comprou os direitos autorais de todos os seus cds e ainda de quebra contratou Tiersen para compor uma trilha sonora especial para o filme. O resultado foi uma das trilhas mais queridas pelo público e Tiersen ficou conhecido no mundo todo. Também pudera, “La Valse d’Amelie” é uma obra prima assim como toda trilha, que pincela de modo verdadeiro o lúdico a alma da protagonista titulo. Uma obra inesquecível.

3. John Williams Memórias de Uma Gueixa:
Não há duvidas que John Williams é o compositor mais importante da história do cinema. Vencedor de 5 Oscars e responsável por clássicos como E.T., Star Wars e Tubarão, John, embora continue imbatível, diminuiu bastante seu ritmo de trabalho, hoje trabalhando basicamente apenas com Steven Spielberg. Memórias de Uma Gueixa, um trabalho que teria a direção de Spielberg, claro, também contaria com Williams na composição da trilha. Quando Spielberg teve que abandonar a direção, ficando apenas na produção do longa, muitos pensaram que Williams iria querer sair do projeto. Mas, pela paixão ao livro, Williams topou numa boa continuar no filme, e trabalhou pela primeira vez com Rob Marshall, que tinha acabado de dirigir o vencedor do Oscar Chicago. E Williams não só deu de presente ao publico uma trilha de tirar o fôlego, mas também nos deu uma de suas melhores criações, onde através das notas nostálgicas e suaves do cello de Yo Yo Ma e do violino de Itzhak Pearlman, conseguiu compor a alma de Sayuri de uma maneira única e inexplicável. É uma obra magnífica, que só não rendeu mais um Oscar ao compositor, porque no mesmo ano ele também foi indicado com outra trilha, a do longa Munique, este sim dirigido por Spielberg, o que acabou gerando uma divisão de votos. Mas independente de qualquer premiação, o score de Memórias de Uma Gueixa é uma das trilhas mais lindas já compostas para um filme.

4. Dario Marianelli – Orgulho e Preconceito:
O ano de 2005 realmente foi especial para as trilhas. Além da trilha de Memórias… o score de Orgulho e Preconceito, de Dario Marianelli, foi uma obra extremamente especial, onde o italiano conseguiu transpor de modo extremamente romântico e clássico a historia de amor escrita por Jane Austen. É uma trilha dinâmica, elegante, emotiva e bem preparada, que consegue ser certeira ao narrar a historia de Elizabeth e Darcy com delicadeza e suavidade. Uma obra fantástica e apaixonante.Espaço

5. Alexandre Desplat – O Despertar de Uma Paixão:
Foi em 2006 que Desplat conquistou de vez Hollywood com dois belíssimos trabalhos: A Rainha, que lhe rendeu a primeira indicação ao Oscar de melhor trilha, e  este O Despertar de Uma Paixão, filme de John Curran que rendeu a ele o Globo de Ouro de melhor trilha musical. “The Painted Veil” é um trabalho extremamente bem arquitetado e conta a história de amor e perdão de Kitty e Walter, este médico, que vai para os confins da China cuidar de uma epidemia de cólera e leva Kitty, sua esposa junto pelo fato desta ter traído ele. E lá, ambos amadurecem e descobrem o amor verdadeiro, através das belas paisagens e da trilha magnífica do francês, que fez um trabalho de gênio ao contar esta historia de amor através de um score encantador, inteligente e intenso. Mais uma prova da genialidade do compositor francês.

6. Alan Menken – Aladdin:
A década de 1990 foi dominada pelo magnífico compositor norte-americano Alan Menken, que colocou as animações da Disney em um nível mais alto – no patamar de comédias musicais. Por seus trabalhos Menken faturou 8 Oscars, e 2 deles (trilha e canção) pelo seu trabalho em Aladdin, onde incorporou elementos musicais da década de 1930 misturados a arranjos árabes, que criaram uma combinação perfeita e original para contar a história de Aladdin de modo divertido e afetuoso. É o melhor score de Menken e merece muito estar no top 20.

7. Zbigniew Preisner – A Fraternidade é Vermelha:
O polonês Zbigniew Preisner em parceria com Kristof Kieslowski compôs seus melhores trabalhos, embora seu trabalho mais conhecido seja o do filme “O jardim secreto”. Em “A fraternidade é vermelha” Zbigniew está no auge do seu talento, com uma trilha que algumas vezes lembra o bolero de Ravel e por outras à de um balé de Tchaikovsky. É um trabalho estupendo, muito bem composto, onde as peças são do nível dos maiores compositores clássicos da historia, assim como o filme, é uma obra indispensável pra quem gosta ou tem interesses em trilhas sonoras.

8. John Barry Chaplin:
John Barry é um dos compositores mais importantes do cinema, também tem 5 Oscars e clássicos no seu currículo como A História de Elza, as trilhas do 007 e o score de Dança com Lobos, entre tantos outros. Com Chaplin, John Barry teve sua última indicação ao Oscar de melhor trilha e compôs um dos scores mais bonitos de sua carreira. Incorporando algumas partes da música de Chaplin para Luzes da Ribalta e um score próprio criado para delinear a vida do ícone cinematográfico, a trilha consegue ter uma nostalgia bela, e ser um dos pontos altos desta incrível obra de Richard Attenborough.

9. Jan A. P. Kaczmarek – Em Busca da Terra do Nunca:
Considero esta obra de Kaczmarek a última a ter ganho justamente um Oscar de melhor trilha (Oscar 2005), onde o polonês Jan Kaczmarek conquistou Hollywood e nos deu de presente uma obra belíssima, lúdica e inocente, perfeita para um filme tão doce e verdadeiro quando Em Busca da Terra do Nunca, a história de James Barrie e de como ele criou seu maior sucesso: “Peter Pan”. O auge desta trilha são os solos de piano, que conseguem toda explosão de emoções dos personagens principais. Trilha etérea, sensível e eterna.

10. Johan Söderqvist – Deixa Ela Entrar:
Este filme incrível filme sueco, que conta a triste história de amizade entre um garoto de 12 anos e de uma jovem vampira, necessitava de uma trilha que fosse sensível e marcante. Johan Söderqvist, compositor sueco famoso, conseguiu um feito: o de criar a melhor trilha do ano de 2008 e uma das trilhas de horror mais bonitas de todos os tempos. Seu trabalho em Deixa Ela Entrar lembra e muito as peças românticas feitas por Jerry Goldsmith em momentos mais suaves de A Profecia, e o próprio filme consegue fazer com que nos concentremos no relacionamento de Oskar e Eli e acabarmos nos afeiçoando pela jovem vampira, até mesmo aceitando o fato de ela ter que matar pessoas para sobreviver. E quando toca “Eli’s Theme”, sentimos tanta falta da personagem quanto Oskar. Tanto o filme quanto sua partitura são simplesmente magníficos.

11. Angelo Badalamenti Eterno Amor:
Badalamenti é um dos compositores mais queridos do meio, sendo parceiro habitual do mestre David Lynch e também de Jean Pierre Jeunet, colaborando com as trilhas dos filmes Ladrões de Sonhos e Eterno Amor – com certeza o seu melhor trabalho desta parceria, que lhe rendeu o World Soundtrack Awards de melhor compositor. A trilha de Eterno Amor é dramática e triste, mas ao mesmo tempo esperançosa e bela, sendo um grande reflexo da própria história do filme. É uma grande obra que merece ser reconhecida e apreciada.

12. John Corigliano – O Violino Vermelho:
Corigliano é um dos compositores clássicos mais respeitados dos Estados Unidos, e quando ele aceitou a tarefa de compor o score de O Violino Vermelho, toda a classe cinematográfica ficou em polvorosa. E com razão, a trilha além de belíssima se adequa perfeitamente à historia e “Anne’s Theme” se tornou um clássico no mundo erudito, e claro, Corigliano acabou levando o Oscar de melhor trilha sonora em 2000. Um novo e grandioso clássico.Espaço

13. Stephen Warbeck – Shakespeare Apaixonado:
Shakespeare Apaixonado é um sucesso do final da década de 1990 que conta a historia fictícia de uma paixão de Shakespeare que inspirou seu maior clássico – “Romeu & Julieta”. O filme, que mistura doses de romance e comédia, tem uma trilha linda, bem adaptada à época e com peças magníficas, onde os violinos brilham e o classicismo impera lindamente. Já considero esse score um clássico, bem como o filme.

14. James Horner O Menino do Pijama Listrado:
É engraçado citar Horner nesta lista por um filme tão diferente de Titanic. E embora eu goste muito da trilha de Titanic (que é o maior sucesso do compositor e vendeu 26 milhões de cópias em todo o mundo, além de lhe render 2 Oscars- de melhor trilha e canção), para mim é em O Menino do Pijama Listrado que Horner entrega seu melhor trabalho em uma trilha que precisa ser “degustada” para ser realmente apreciada. O filme tem muitas peças de piano, que são delicadas e tristes ao mesmo tempo, dando o tom perfeito para a história de um garoto, filho de um general nazista, que fica amigo de um menino judeu dentro de um campo de concentração. O muro de arames os separam, mas a inocência e beleza das crianças irão prevalecer sob suas diferenças. E com a trilha espetacular de Horner, temos um pequeno grande filme, que brilha ainda mais com este score certeiro.

15. Alan Menken – A Bela e a Fera:
Embora não seja o melhor score de Menken, A Bela e a Fera é o seu clássico, e é a sua obra mais tradicional, mais romântica e musical. A canção tema do filme é um clássico até hoje, e a animação, que foi a primeira na história a concorrer ao Oscar de melhor filme, em uma época que não existia a categoria de melhor animação, foi transposta posteriormente para a Broadway, ficando em cartaz mais de 10 anos, e conquistando o público também nos palcos. É uma trilha emotiva e sensível, que tem lindas canções e faixas instrumentais.

16. Rachel Portman – A Duquesa:
A historia da duquesa de Devonshire, Georgianna Cavendish, foi lindamente transposta para as telas em 2008, onde, com uma produção afinada vimos Keira Knightley interpretar a personagem titulo ao som do score assustador de Rachel Portman, que tem aqui seu melhor trabalho e que compõe com o coração. As faixas são belíssimas, e a trilha, com destaque para as cordas, é romântica e saudosista. Rachel Portman atingiu o ápice da poesia através de seu score, e conseguiu transpor todo o lirismo do filme.

17. Paul Cantelon – A Outra:
O violinista Paul Cantelon surgiu em meados de 2004 com a trilha de “Uma vida iluminada”, mas foi em 2007, com a trilha de “O escafandro e a borboleta” que ele chamou atenção em Holywood e foi convidado para compor a trilha de “A outra” adaptação do best seller de Phillipa Gregory que tem um outro foco sob a historia de Ana Bolena. Com uma trilha dramática e poderosa, Cantelon fez a sua grande obra através destra trilha, que é passional e forte. Com certeza, um grande triunfo.

18. Clint Mansell – A Fonte da Vida:
Parceiro habitual do diretor Darren Aronofosky, Clint Mansell compôs belíssimas trilhas nesta década passada. Mas nenhuma foi mais amada, mais preparada, mais dramática e mais apaixonante que a trilha de A Fonte da Vida, obra máxima de Arenofosky que conta uma história de amor e morte e dos mistérios após a vida. A trilha de Mansell é digna a ser estudada, por ser tão filosófica e cheia de detalhes. É uma obra estupenda, que colocou Clint no patamar dos compositores mais importantes de Hollywood. Simplesmente maravilhosa.

19. Alexandre Desplat – Reencarnação:
Esta provavelmente é a trilha mais clássica de Desplat, que compõe toda a surreal trilha de Reencarnação como se estivesse compondo uma ópera. É obra incrível, que lida com o mistério da reencarnação (o filme conta a historia de um menino que afirma ser a reencarnação do marido falecido da personagem de Nicole Kidman) e a trilha sonora do filme é extremamente atemporal, e acredito que futuramente possa ser posta no rol de clássico no ramo das trilhas.

20. Adrian Johnston – Brideshead Revisited:
O filme Brideshead Revisited, baseado no best seller de Evelyn Waugh, não foi um sucesso de critica por causa da força da série baseada na mesma obra que se tornou um clássico na Inglaterra, e até hoje é a principal serie de época já feita no país. Mas, mesmo assim, além do filme ser muito bom e relembrar os clássicos de James Ivory, a trilha de Adrian Johnston é um achado, uma verdadeira jóia, muito sentimental e doce, mas sem exageros. É uma trilha que deixa uma sensação forte na alma, com um clima saudosista e ao mesmo tempo triste. É uma das trilhas mais belas que já ouvi, e talvez no futuro tenha seu valor reconhecido. Mas aqui no top 20, ela já tem o seu valor.

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10 comentários sobre “Top 20 Trilhas dos Últimos 20 anos

  1. Realmente estas trilhas são boas, mas eu não conseguiria deixar de lado Harry Potter e Senhor dos Aneis (não digo a obra como um todo, mas alguns movimentos são de arrepiar.) Once tem uma trilha ótima, também, mas é cantada, diferentemente dos temas postados. Moulin Rouge também é outra trilha muito bem feita pelo Baz Luhrmann. August Rush tem partes bem interessantes também.

    Parabéns pela iniciativa e vida longa às trilhas sonoras.

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    • De fato, incluir de John Williams Memórias de Uma Gueixa e ignorar os Harry Potter e Star Wars é discutível, assim como deixar de fora os magistrais scores de O Senhor dos Anéis, de Howard Shore, chega a ser criminoso rsrsrs. Mas, como a Viviana esclarece no início do artigo, são as 20 trilhas de sua preferência, ou seja, valeu principalmente o gosto pessoal da romântica autora.

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  2. Diogo fiquei com o coração na mão de não por Moulin Rouge, mas como voce pode ver, todas as trilhas aqui dão destaque às instrumentais, e, mesmo Aladdin e A bela e a Fera tem muitas faixas instrumentais. Moulin Rouge e August Rush são focados mais em canções, e embora sejam trilhas maravilhosas, meu foco foi mesmo pros scores.
    Já em relação à Harry Potter e o Senhor dos Aneis não os coloquei pelo simples fato de serem sagas, e principalmente o senhor dos aneis eu ammmmmmmmo a trilha de Howard Shore, só que eu não poderia colocar apenas um dos tres volumes, me sentiria culpada, entendes? Então ou eu colocava todos ou não colocava nenhum, e prefiri não colocar nenhum pra dar espaço à trilhas menores e que poucas pessoas ouviram como Brideshead Revisited de Adrian Johnston e A Outra de Paul Cantelon

    Em relação às sagas, só coloquei A fraternidade é vermelha na lista por tratar-se de uma trilogia cujos filmes sao independentes um do outro, bem como a sua trilha, diferente de O senhor dos Aneis e Harry Potter. Mas amooooo essas trilhas e fiquei com o coração na mao de não as ter colocado no top.

    beijocas,
    vivi

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    • Outro trabalho absolutamente monumental que não pode ficar de fora é Superman, de John Williams.

      Aliás, falando de John, sabemos que todas as trilhas de Guerras nas Estrelas são antológicas, mas quero destacar O Império Contra Ataca…simplesmente genial.

      abraços

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  3. Realmente vemos aqui de tudo um pouco, fica até difícil escolher quem é melhor entre tantos compositores de qualidade. Como o Dario Marianelli ficou em 4 com o Orgulho e Preconceito, gostaria de perguntar para Viviane se ela já ouviu a trilha que ele fez para o filme Jane Eyre? Eu achei ela fantástica, estou viciado no tema que ele compôs para o filme, é simplesmente maravilhoso. E claro agradecer pelo ótimo site e as resenhas de trilhas sonoras, nunca tinha visitado um site brasileiro sobre trilhas, a maioria são em inglês.
    Obrigado

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