Resenha: TRILOGIA O SENHOR DOS ANÉIS (Blu-ray)


Produção: 2001 – 2003
Duração: 550 min.
Direção: Peter Jackson
Elenco: Elijah Wood, Ian McKellen, Viggo Mortensen, Sean Astin, John Rhys-Davies, Andy Serkis, Cate Blanchett, Miranda Otto, Bernard Hill, David Wenham, Liv Tyler, Hugo Weaving, Christopher Lee, Sean Bean, John Noble
Vídeo: Widescreen Anamórfico 2.35:1 (1080p/VC-1)
Áudio: Inglês (DTS-HD Master Audio 5.1), Português (Dolby Digital 2.0, Dolby Digital 5.1)
Legendas: Português, Inglês
Região: A, B, C
Distribuidora: Warner / New Line
Discos: 3
Lançamento: 20/07/2010
Cotações: Som: ****½ Imagem: ***½ Filmes: ***** Extras & Menus: ** Geral: ***½

SINOPSE
O SENHOR DOS ANÉIS: A SOCIEDADE DO ANEL – Com a ajuda de uma corajosa sociedade de amigos e aliados – o mago Gandalf, o humano Aragorn, o elfo Legolas, o anão Gimli e os hobbits Sam, Pippin e Merry -, Frodo Bolseiro parte na arriscada missão de destruir o lendário Um Anel. À caça de Frodo estão os servos de Sauron, Senhor das Sombras, o criador do Um Anel. Se Sauron recuperar o Um Anel, toda a Terra-média estará condenada. Vencedor de quatro Oscars.

O SENHOR DOS ANÉIS: AS DUAS TORRES – A Sociedade do Anel se rompeu, mas a saga para destruir o Um Anel continua. Frodo e Sam são obrigados a confiar na criatura Gollum para conseguirem chegar a Mordor. À medida que o exército de Saruman se aproxima, os membros sobreviventes da Sociedade, juntamente com outros povos e criaturas da Terra-média, preparam-se para a batalha de suas vidas. Vencedor de dois Oscars.

O SENHOR DOS ANÉIS: O RETORNO DO REI – A batalha final pela Terra-média inicia. Frodo e Sam, guiados por Gollum, continuam sua perigosa missão em direção ao fogo de Mordor para destruir o Um Anel. Aragorn luta para completar seu legado quando lidera seus inúmeros seguidores contra o poder crescente de Sauron, para que o portador do Um Anel possa completar sua missão. Vencedor de onze Oscars.

COMENTÁRIOS
Mesmo que você nunca tenha lido um livro sequer do escritor inglês J.R.R. Tolkien, já deve pelo menos ter ouvido falar de sua obra mais conhecida, O SENHOR DOS ANÉIS. É simplesmente um clássico da literatura mundial, e as aventuras vividas nos reinos da Terra-média serviram de inspiração para vários filmes de fantasia, entre os quais O DRAGÃO E O FEITICEIRO e WILLOW – NA TERRA DA MAGIA, e até mesmo sagas de ficção científica como STAR WARS e BABYLON 5. No entanto, foi necessário que mais de cinco décadas se passassem até que um abnegado diretor neozelandês convencesse um estúdio (a New Line) a investir US$ 300 milhões não em um, mas em três filmes rodados simultaneamente, que estivessem à altura da grandeza da obra de Tolkien. Com eles o diretor Peter Jackson conseguiu um feito raro – consagrar-se perante o público e a crítica mais exigente. Fator decisivo para isso foi o grande carinho e o cuidado que Jackson e sua equipe dedicaram ao material, realizando três filmes ímpares entre os blockbusters de Hollywood.

Há uma grande ênfase nos personagens, roteiro e diálogos são os mais fiéis possíveis ao texto do autor, e os efeitos visuais, ao invés de serem o fator principal, estão lá principalmente para ajudar a contar a história. Além disso, uma feliz conjunção de fatores também ajudou o projeto. Há ótimas interpretações do elenco, desde novatos à época como Elijah Wood (Frodo) e Orlando Bloom (Legolas), até os mais conhecidos Christopher Lee (o mago do Mal Saruman), Ian Holm (Bilbo), Sean Bean (Boromir), Ian McKellen (excepcional como o mago do Bem Gandalf), Viggo Mortensen (Aragorn), Cate Blanchett (Galadriel), e por aí vai. O desenho de produção, a deslumbrante fotografia das paisagens da Nova Zelândia (onde a trilogia foi rodada), as emocionantes e premiadas trilhas originais de Howard Shore, são alguns dos fatores que se combinaram perfeitamente para dar vida à melhor saga de fantasia de todos os tempos. Por outro lado, apesar de todo o respeito de Jackson ao texto de Tolkien, mudanças foram necessárias para tornar a trilogia um verdadeiro evento cinematográfico, e não apenas uma transposição quase literal do livro para o filme, como ocorreu em HARRY POTTER E A PEDRA FILOSOFAL.

Boa parte da trama de A SOCIEDADE DO ANEL é colocada em um prólogo de nove minutos, que resume a história do Um Anel até que este chega às mãos de Bilbo Bolseiro. O enfrentamento de Frodo com Laracna, que acontecia em AS DUAS TORRES, foi transferido para O RETORNO DO REI. Personagens foram omitidos ou tiveram sua participação diminuída; outros foram expandidos ou até mesmo criados para aumentar a dramaticidade em certas sequências. Trechos do livro e muitas canções escritas por Tolkien também foram eliminados. Mas todas foram alterações necessárias, e que se mostraram acertadas para a exibição nos cinemas. Isso, no entanto, não impediu que Jackson relançasse os filmes em versões estendidas, que a eles agregaram mais elementos dos livros, como a entrega dos presentes de Galadriel, o embate via Palantír entre Aragorn e Sauron, o confronto de Gandalf com o Rei Bruxo de Angmar, o romance entre Faramir e Éowyn e o destino de Saruman e Gríma. Hoje, para os fãs, as versões estendidas (ainda inéditas em DVD por aqui na época desta resenha) são as definitivas.

A trilogia O SENHOR DOS ANEIS representa, acima de tudo, uma vitória pessoal de Jackson que, como um hobbit em uma jornada de dificuldades aparentemente intransponíveis, realizou o que muitos duvidavam, e ainda por cima conquistou 17 Oscars – 11 deles, incluindo os de Melhor Filme e Melhor Diretor, apenas com O RETORNO DO REI, que igualou o número de prêmios da Academia de Artes e Ciências de Hollywood conquistados por BEN HUR e TITANIC. Um feito sem precedentes para uma obra de fantasia.

SOBRE O BD
O aguardado lançamento em alta-definição da trilogia O SENHOR DOS ANÉIS, já desde seu anúncio inicial, gerou um grande estardalhaço mundo afora – uma pena que pelas razões erradas. Primeiramente, foi uma decepção saber que a Warner / New Line lançaria apenas as versões de cinema dos filmes, já que a maioria dos fãs, após conhecer os cortes estendidos, passou a considerá-los definitivos. E de fato, sob este ponto de vista, este é um lançamento desnecessário, já que mesmo em DVD existem lá fora edições que incluem ambas as versões de cada filme para contentar hobbits e orcs. Em segundo lugar, muitos criticaram a qualidade de imagem da trilogia, que estaria muito abaixo do padrão do Blu-ray. Tendo conhecimento dessas polêmicas aqui no Brasil, assim como muitos eu havia decidido aguardar para assistir à trilogia em Blu-ray apenas no dia em que fizessem o obséquio de lançarem as versões estendidas. Mas essa decisão durou apenas até o momento em que, pela primeira vez após ter aderido ao Blu-ray, fui rever meus preciosos e luxuosos DVDs importados, via upscaling do meu BD player. Santa desilusão… a imagem dos DVDs, que antes achava espetacular, revelou-se sem vida, sem detalhes, e o som, comprimido e sem brilho. Resumindo: como provavelmente as versões estendidas só sairão em Blu-ray no dia em que a primeira parte de O HOBBIT chegar aos cinemas (isso lá no final de 2011 ou de 2012), decidi encarar já o box nacional, que diferentemente do norte-americano e europeu traz legendas e áudio em português.

Ao contrário da coleção lançada lá fora, com seis discos (três BDs e três DVDs de extras), a nossa edição contém apenas três BDs 50 (dupla camada), cada um trazendo o filme e trailers. Cada disco (que pode ser comprado separadamente) está em um estojo padrão de BD, sendo os três acondicionados em um estojo de cartolina. Quanto à polêmica da qualidade da imagem, é bom ressaltar que se tratam de filmes lançados há quase uma década, e alguns alegados problemas das transferências em alta definição (1080p/VC-1, preservando a proporção original de tela 2.35:1) originam-se, de fato, na forma como originalmente foram rodados e à composição de cenas de efeitos visuais. De todos o que possui a imagem menos atraente é A SOCIEDADE DO ANEL, com algumas sequências embaçadas e outras, noturnas, onde há uma perceptível inconsistência da cor preta. Além disso os tons das cores não são tão naturais, e há alguns artefatos que percebemos nas tomadas de céu azul que combinam atores e efeitos. Obviamente que a Warner / New Line poderia ter caprichado mais em termos de aprimoramento da imagem, porém certamente está reservando o maior investimento para o futuro lançamento das versões estendidas. Dito isto, mesmo a imagem do primeiro e mais problemático filme não é a catástrofe que dizem por aí. Sim, nele é mais aparente o uso, em determinados momentos, de redução de ruído (DNR) e edge enhancement, mas nada que chegue perto, por exemplo, do primeiro BD de GLADIADOR ou do recente relançamento de O PREDADOR em Blu-ray. A reprodução de detalhes e cores, em várias cenas, é ótima. Assista em DVD às coloridas imagens externas passadas no Condado, ou ao confronto de Gandalf com o Balrog nas Minas de Moria, e depois reveja tudo em Blu-ray: a diferença é enorme. Já em AS DUAS TORRES e O RETORNO DO REI, e especialmente neste, há uma perceptível melhora no nível de detalhes e na saturação e tons das cores. Essa melhoria, por outro lado, faz com que determinadas cenas de efeitos visuais já não pareçam tão convincentes, especialmente as que combinam os pequenos hobbits com os humanos de estatura normal.

Enfim, ainda que nenhum dos filmes possua uma imagem que vá servir de demonstração para o formato Blu-ray, até em razão de efeitos colaterais dos métodos originalmente empregados em sua produção, todos representam um considerável upgrade de imagem em relação aos antigos DVDs, como se constata nas capturas que ilustram esta resenha. E se isso é verdade em relação à qualidade do vídeo, mais ainda o é no que se refere às faixas de áudio lossless DTS-HD Master Audio 5.1 originais em inglês. Por certo hoje temos exemplos melhores de áudio HD, mas são de filmes recentes; e mesmo assim a mixagem da trilogia iguala ou até mesmo supera a experiência auditiva experimentada quando exibidos nas salas de cinema. O áudio DTS-HD MA ajuda e muito a dar vida às paisagens da Terra-média, seja na criação de uma ótima ambientação, seja nas estrondosas batalhas, onde os efeitos surround são agressivos e envolventes. Os graves são sólidos e potentes, e o mero som do Um Anel caindo sobre a mesa de Bilbo lhe dará a sensação de que uma enorme rocha caiu em sua sala. Os diálogos estão perfeitamente equilibrados na mixagem, soando claros mesmo em meio aos efeitos sonoros, e a música de Howard Shore soa majestosa e cristalina. Cada filme também traz uma dublagem lossy em português – Dolby 2.0 em A SOCIEDADE DO ANEL e Dolby 5.1 nos demais. As legendas estão disponíveis em português e inglês, sendo que os menus (principal e pop-up) estão apenas em inglês.

EXTRAS
Se lá fora reclamam de que os extras da trilogia O SENHOR DOS ANÉIS em Blu-ray são “requentados” dos DVDs das versões de cinema, o que diremos nós, que nem isso recebemos? A Warner simplesmente eliminou em cada filme o segundo disco, um DVD com os extras em resolução SD (480p). Sobrou para nós apenas os trailers em HD (1080p) dos filmes (incluindo um “supertrailer” de seis minutos com cenas da trilogia) e do game “Aragorn’s Quest”, que estão nos discos respectivos – o do jogo é repetido em todos eles. Ou seja, se você possui os antigos DVDs duplos da Warner e faz questão de material suplementar, mesmo comprando os BDs vai ter que guardá-los. Mas espere, já ia me esquecendo da invenção mais inútil da história do home video: a cópia digital. Como é praxe nos lançamentos da Warner, em cada BD há um encarte com um código que permitirá que você baixe uma cópia digital do filme em resolução SD, para assisti-lo no PC ou em dispositivos móveis.

Jorge Saldanha

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14 comentários sobre “Resenha: TRILOGIA O SENHOR DOS ANÉIS (Blu-ray)

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  5. Valeu pela sua resenha. Apesar de ser um hiper fã da trilogia O Senhor dos Anéis, não gastarei meu suado dinheiro nessa edição tosca ao extremo. Esperarei pelas ed. estendidas em BD pra comprar e espero que a Warner realmente relance com qualidade de imagem muito superior, digna de se chamar de Blu-Ray e alta definição.

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