Produção: 1987
Duração: 107 min.
Direção: John McTiernan
Elenco: Arnold Schwarzenegger, Carl Weathers, Elpidia Carrillo, Bill Duke, Jesse Ventura, Shane Black, R. G. Armstrong, Kevin Peter Hall
Vídeo: Widescreen Anamórfico 1.85:1 (1080p/AVC MPEG-4)
Áudio: Inglês (DTS-HD Master Audio 5.1), Português, Espanhol (Dolby Digital 5.1)
Legendas: Português, Inglês, Espanhol
Região: A, B, C
Distribuidora: Fox
Discos: 1
Lançamento: 21/07/2010
Cotações: Som: **** Imagem: **½ Filme: **** Extras & Menus: **** Geral: ***½

SINOPSE
Recrutados pela CIA para resgatar reféns mantidos pelos guerrilheiros em um país da América central, Arnold Schwarzenegger e seus homens encontram um inimigo muito mais mortal do que qualquer outro sobre a face da Terra: um alienígena caçador, contra quem suas mais eficazes armas são inúteis.

COMENTÁRIOS
Continuando uma série de sucessos que incluíram CONAN, O BÁRBARO (1982) e O EXTERMINADOR DO FUTURO (1984), Arnold Schwarzenegger estrelou em 1987 O PREDADOR, indiscutivelmente um de seus melhores filmes. Ele interpreta o major “Dutch” Schaefer, líder de um grupo de comandos de elite que, em uma missão de resgate nas selvas sul-americanas, vê-se face a face com um alienígena cujo esporte é caçar seres humanos. Esperando encontrar guerrilheiros convencionais, os comandos acabam tendo de enfrentar a astúcia e a camuflagem do Predador. O filme é uma grande perseguição na selva que culmina no antológico duelo entre o caçador alienígena e o seu troféu humano – “Dutch”, o único que demonstra possuir mais cérebro que músculos, e por isso é capaz de enfrentar a criatura.

Vários fatores fazem de O PREDADOR um cult dos filmes de ficção científica e ação, sendo um deles a exemplar direção de John McTiernan, que graças a ele se tornaria um nome respeitado pela indústria de Hollywood, realizando posteriormente filmes como DURO DE MATAR (1988) e CAÇADA AO OUTUBRO VERMELHO 1989). Outro mérito da produção é seu roteiro preciso e enxuto que não tenta ser profundo ou dar significado a acontecimentos ou personagens, apenas estrutura com perfeição os eventos que conduzem a história, deixando Schwarzenegger à vontade no papel. Um dos aspectos interessantes da história é o modo como os soldados são retratados: no início, estereótipos do machão, confiantes em sua força, mas conforme eles vão sendo eliminados um a um, humilhantemente, as coisas mudam de figura e surge até mesmo a insinuação de um relacionamento homossexual entre dois deles…

Merece destaque o elenco de “durões” que inclui, além de Arnold, Carl Weathers (ROCKY), Bill Duke e o ex-fuzileiro, ex-lutador e ex-governador Jesse Ventura. Shane Black, roteirista de DURO DE MATAR, interpreta um dos integrantes dos comandos de Dutch, e Jean-Claude Van Damme, antes da fama, interpreta o Predador em algumas cenas sem ser creditado (quem leva todo o crédito é o gigante Kevin Peter Hall, que faleceu após filmar PREDADOR 2). Outros grandes méritos da produção são os econômicos, mas excelentes (para a época) efeitos especiais, em especial a caracterização do Predador, criada pelo também já falecido mestre Stan Winston, e a “musculosa” trilha sonora de Alan Silvestri, baseada em metais e percussão.

Apesar de ser um filme cultuado, O PREDADOR gerou uma franquia irregular: teve uma boa continuação em 1990 estrelada por Danny Glover, mas que não fez muito sucesso na época, e o caçador alienígena retornou às telas apenas no século 21, nos dois medíocres crossovers ALIEN VS. PREDADOR. Vamos ver se, com o novo PREDADORES, ele volte a ter um filme à altura.

SOBRE O BD
O PREDADOR já havia sido lançado em Blu-ray nos EUA pela Fox em 2008, em uma edição muito criticada principalmente por sua qualidade irregular de imagem, caracterizada por alta granulação, artefatos e danos de película. Já este relançamento da Fox, que chegou aqui quase simultaneamente à estreia nos cinemas do novo PREDADORES, usa a mesma transferência em alta definição da recente “Ultimate Hunter Edition”, que buscou retificar problemas da versão anterior, mas criou outros. De acordo com a distribuidora o filme foi totalmente restaurado, e isso se nota facilmente na nova e brilhante transferência anamórfica 1080p/AVC MPEG-4, que manteve a proporção original de tela 1.85:1. Como méritos esta transfer apresenta boa nitidez em várias tomadas da selva, onde a vegetação é mostrada com detalhes. Em seus melhores momentos, as texturas de uniformes, os traços faciais dos personagens e o próprio Predador são bem reproduzidos, e as cores são saturadas, naturais e firmes.


Comparação entre as versões: antiga transferência (OR) e a atual, lançada no Brasil (UHE) [via BJC]

Por outro lado, a granulação sempre foi um fator inerente à fotografia do filme, e a Fox não se contentou apenas em reduzi-la – ela praticamente eliminou a granulação original da película através do uso do nefasto DNR – Digital Noise Reduction. Como resultado, em várias sequências não foi apenas a granulação que sumiu, mas também os detalhes finos, tornando a imagem artificial e por vezes enevoada. O pior exemplo disso é a cena onde Dutch e Dillon se encontram no início do filme. Os rostos dos atores, principalmente o de Carl Weathers, têm uma aparência artificial, lisa, sem detalhes faciais, como se fossem bonecos de cera. Após esse exemplo desastroso de uso do DNR, a coisa volta a piorar principalmente nas cenas noturnas perto do final, que seriam naturalmente granuladas, mas além de não o serem, carecem de detalhamento e de sombras mais fortes, sinal de que o contraste foi alterado para clarear a imagem, enfraquecendo o nível da cor preta. Para complicar, de vez em quando notamos halos típicos de edge enhancement. Enfim, em termos de vídeo, esta nova edição de O PREDADOR é um típico exemplo de manipulação digital que altera significativamente as características da fotografia original – algo que certamente deve ser evitado pelos estúdios e, felizmente, vem se tornando cada vez mais raro.


Gráfico de bitrate da edição antiga [via AVS Forum]


Gráfico de bitrate da edição mais recente [via AVS Forum]

Menos sujeita a críticas é a faixa de áudio lossless em inglês DTS-HD Master Audio, que se não é de demonstração pelo menos reproduz adequadamente a mixagem que esperaríamos de um filme com quase 25 anos. Comparado ao áudio de filmes contemporâneos, notamos a falta de graves mais sólidos nos momentos de ação, e a ambientação sonora criada pelos canais surround, nas cenas da selva, poderia ser mais consistente. Mas os diálogos são sempre claros, mesmo nas cenas mais barulhentas, e a fidelidade é muito boa, o que se nota principalmente quando ouvimos o antológico score de Alan Silvestri. Há também opções de dublagem Dolby Digital 5.1 em português e espanhol, e legendas, entre outros idiomas, em português, inglês e espanhol. Os menus animados e pop-up são atraentes, com os comandos nos mesmos idiomas das legendas, porém inicialmente escritos na língua do Predador.

EXTRAS
Este BD nacional de O PREDADOR replica os extras da “Ultimate Hunter Edition” lançada em junho nos EUA, que agregam pouca coisa em relação ao material suplementar da antiga Edição Especial em DVD duplo. Fora dois featurettes criados para promover o novo filme, PREDADORES, e um trailer em resolução HD (1080p), todos os vídeos estão em SD (480p), com áudio em inglês 2.0 e legendas em português. Como de praxe na maioria dos DVDs e BDs da Fox, os comentários em áudio e texto não foram legendados ou traduzidos.

  • Uma Espiadinha em PREDADORES (HD, 2 min.) – O produtor Robert Rodriguez apresenta uma pequena prévia do novo filme, incluindo algumas cenas de bastidores e depoimentos. Típico material de divulgação;
  • O PREDADOR: A Evolução de Uma Espécie (HD, 11 min.) – Este novo featurette nos dá uma rápida e geral visão ha história de O PREDADOR, e de como o filme influenciou os realizadores do novo PREDADORES, trazendo depoimentos dos produtores John Davis, Robert Rodriguez e do diretor Nimród Antal;
  • Comentários em Áudio – Faixa onde o diretor John McTiernan nos fornece detalhes sobre as decisões criativas tomadas, e divide conosco suas lembranças sobre a produção e o elenco. Faixa por vezes monótona, prejudicada pela falta de legendas;
  • Comentários em Texto – Além dos comentários em áudio, podemos assistir ao filme acompanhado de texto (legendas em inglês) do historiador de cinema Eric Lichtenfeld, com base em entrevistas dele com membros da equipe de produção. Com muitas informações sobre as filmagens, a produção e os personagens, achei esta opção mais interessante que a do diretor McTiernan;
  • Se Sangra Podemos Matá-lo: O Making de O PREDADOR (SD, 29 min.) – Sem dúvida este é o melhor extra, que nos dá ótima uma retrospectiva sobre toda a produção através de muitas cenas de bastidores e depoimentos de realizadores e equipe, gravados na época das filmagens e em 2001, quando o documentário foi feito;
  • Bastidores de O PREDADOR (SD, 31 min.) – Seção composta de sete segmentos, cada um deles dedicado a diferentes aspectos da produção. Um deles presta tributo a Kevin Peter Hall, falecido em 1991;
  • Efeitos Especiais (SD, 4 min.) – Cinco segmentos bem curtos, mostrando os testes dos efeitos visuais da camuflagem do Predador;
  • Tomadas Curtas (SD, 10 min.) – Mais quatro segmentos, focados respectivamente no diretor John McTiernan, no ator Jesse Ventura, em Stan Winston e nos perigos de se beber água no México;
  • Cenas Excluídas (SD, 5 min.) – Quatro pequenas cenas excluídas da montagem final, que apesar de estarem com qualidade de imagem ruim são uma curiosidade para os fãs;
  • Galeria de Fotos (HD) – Galeria de fotos que inclui imagens da produção e de divulgação;
  • Perfil do Predador – Não passa de uma foto do predador, com alguns textos explicando suas armas e equipamentos;
  • Trailers – Dois trailers de cinema, sendo um de O PREDADOR (HD) e o outro de PREDADOR 2 (SD).

Jorge Saldanha

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