Resenha: GUERRA DOS MUNDOS (Blu-ray)


Produção: 2005
Duração: 116 min.
Direção: Steven Spielberg
Elenco: Tom Cruise, Dakota Fanning, Justin Chatwin, Miranda Otto, Tim Robbins, Rick Gonzalez, Yul Vazquez
Vídeo: Widescreen Anamórfico 1.85:1 (1080p/MPEG-4)
Áudio: Inglês (DTS HD Master Audio 5.1), Espanhol, Português, Francês (Dolby Digital 5.1)
Legendas: Português, Inglês, Espanhol, Francês
Região: A, B, C
Distribuidora: Paramount
Discos: 1
Lançamento: 22/06/2010
Cotações: Som: ***** Imagem: **** Filme: **** Extras & Menus: ***½ Geral: ****

SINOPSE
A ex-esposa de Ray Ferrier (Tom Cruise) deixa com ele os filhos Rachel (Dakota Fanning) e Robbie (Justin Chatwin), para passarem o fim de semana. Uma estranha tempestade de raios é o prenúncio da invasão alienígena, cujo início Ferrier testemunha quando uma enorme máquina de destruição emerge do solo em plena cidade e passa a pulverizar pessoas e construções. Ferrier foge de carro com seus filhos, mas logo descobre que as máquinas trípodes estão por toda a parte. Lutando pela sobrevivência dos filhos, Ferrier tem de ser o pai que nunca foi.

COMENTÁRIOS
Steven Spielberg e Tom Cruise gostaram tanto de trabalhar juntos em MINORITY REPORT – A NOVA LEI (2003), que se comprometeram a repetir a experiência assim que possível. A oportunidade perfeita pareceu surgir quando a Paramount decidiu filmar uma nova versão da clássica novela de ficção científica de H. G. Wells, Guerra dos Mundos. Afinal Spielberg, o maior diretor do cinema comercial americano atual, consolidara sua fama exatamente com dois filmes sobre alienígenas – CONTATOS IMEDIATOS IMEDIATOS DO TERCEIRO GRAU (1977) e E. T. – O EXTRATERRESTRE (1982), e Cruise era o astro perfeito para atrair o público. Spielberg colocou a Dreamworks como parceira do projeto, que necessitou ser concluído num prazo curto (para um filme destas proporções) a fim de que ele pudesse ser encaixado nas agendas do diretor e do astro.

O resultado é este GUERRA DOS MUNDOS (WAR OF THE WORLDS, 2005), que presta suas homenagens à versão cinematográfica de 1953, produzida por George Pal e dirigida por Byron Haskin (inclusive, no final há pontas do seu casal de protagonistas, o falecido Gene Barry e Ann Robinson), mas aborda a invasão alienígena de um modo mais próximo ao do livro de Wells. A trama é toda contada através do ponto de vista de um sujeito comum, no caso um trabalhador da classe média baixa americana, não dando espaço a cientistas, militares ou políticos. Deste modo, Spielberg evitou as cenas de destruição de monumentos e grandes cidades ao redor do mundo, mostradas em outros filmes já feitos sobre o tema, em especial INDEPENDENCE DAY (1996), que foi uma adaptação não assumida de Guerra dos Mundos. Esta visão mais intimista de um ataque alienígena torna o filme por vezes semelhante ao subestimado SINAIS (2002), de M. Night Shyamalan.

Obviamente muitos conceitos do livro e do filme original foram revisados – por exemplo, os aliens (aliás, agora muito parecidos com os de INDEPENDENCE DAY) não são mais identificados como marcianos – e Spielberg incluiu na realização muitos dos temas que lhe são caros, como o núcleo familiar e a busca pela figura paterna. Mas a essência do livro de Wells está lá, inclusive o final, algo que chegou a ser muito criticado. De fato, hoje nos parece muito ingênuo que inteligências avançadas do espaço planejem uma invasão por séculos e, chegando aqui, ajam de forma tão descuidada. É certo que, ao atualizar alguns conceitos e deixar intocados outros, o roteiro de David Koepp criou lacunas que prejudicam um pouco a trama. Provavelmente, se houvesse mais tempo disponível para a produção, isso poderia ser melhorado. De qualquer forma, com a ajuda de colaboradores habituais como o diretor de fotografia Janusz Kaminski, o compositor John Williams e a empresa de efeitos visuais ILM, Spielberg criou uma série de sequencias memoráveis. Os Tripods, se comparados às Máquinas de Guerra Marcianas da versão de 1953, ganharam “personalidade” graças à concepção visual mais fiel àquela imaginada por Wells, e a efeitos sonoros fantásticos. O som que eles emitem, parecido com o de uma vuvuzela gigantesca, é genuinamente assustador (por outro lado, é uma pena que não foram utilizados, para seus raios de calor, os mesmos sons do antigo filme, simplesmente antológicos). Apesar de vermos apenas de relance os combates do exército com os invasores, o filme apresenta algumas cenas de destruição fortes, onde Spielberg demonstra, mais uma vez, a excelência formal que lhe é típica.

O elenco é firmemente conduzido pelo diretor, e ao contrário do que muitos poderiam temer, o astro Cruise esteve genuinamente empenhado em convincentemente passar-se por um trabalhador e pai de família fracassado. E Dakota Fanning se reafirmou como a melhor atriz infanto-juvenil em atividade à época. Enfim, GUERRA DOS MUNDOS ocupa um lugar interessante na filmografia de Spielberg, formando com os já citados CONTATOS IMEDIATOS DO TERCEIRO GRAU e E. T. uma memorável “trilogia alienígena”. Ironicamente os esforços do diretor nos dois primeiros filmes, para mudar a imagem dos aliens (tradicionalmente mostrados como criaturas ameaçadoras), cai por terra com esta nova versão do filme que exatamente deu origem à sua “má fama”. Se no filme de 1953 os invasores personificavam a ameaça dos comunistas “comedores de criancinhas”, em pleno século 21 eles explicitamente evocam os terroristas e a tragédia do 11 de setembro. Ou seja, continuam sendo o mal encarnado.

SOBRE O BD
A Paramount relança GUERRA DOS MUNDOS num bem produzido BD-50 (50Gb), com seu habitual padrão de qualidade. O filme é apresentado no seu formato original anamórfico 1.85:1, em uma transferência 1080p/AVC MPEG-4 de ótima qualidade (a taxa média de bitrate é da melhores, perto de 32Mbps, sendo que o filme ocupa perto dos 30Mb de espaço – mas pode haver problemas decorrentes da duplicação por aqui, pela Videolar, em alguns players). Ela só não é melhor em função de decisões artísticas de Spielberg e seu diretor de fotografia, Janusz Kaminski, que para dar um tom “real” filmaram as sequências mais claras com um tom embaçado, esbranquiçado, que enfraquece o nível de detalhes. Outras decisões estilísticas incluem granulação forte e alteração das cores, que se já não deixavam o filme com um aspecto muito bonito em DVD, muito menos ainda em Blu-ray. Mas nota-se um claro ganho na solidez dos pretos, na clareza e na nitidez, nesta transferência em alta definição que cumpre sua principal função: ser fiel ao visual pretendido pelo cineasta.

Este é mais um BD da Paramount que, a exemplo de O RESGATE DO SOLDADO RYAN, traz dublagem em português Dolby Digital 5.1, além de mixagens similares em espanhol e francês. Contudo, é a faixa lossless DTS-HD Master Audio 5.1 em inglês que merece atenção: simplesmente arrasadora, ela é demo do áudio em alta definição. O filme tem um excelente sound design, seja nos momentos mais calmos e nos de ação, que é admiravelmente reproduzido pela faixa DTS-HD MA. O áudio possui grande clareza e fidelidade, com os canais traseiros constantemente envolvendo o espectador com sons ambientais incrivelmente reais. E nos momentos de ação, como nas cenas da tempestade elétrica que marca a chegada dos invasores, ou quando as máquinas emergem do chão ou emitem seu som peculiar, graves monstruosos poderão colocar em risco a integridade de seu subwoofer e talvez de você mesmo, caso vizinhos enraivecidos descubram a verdadeira causa do tremor que sacudiu as paredes do prédio. Realmente espetacular.

Os menus animados e pop-up, como de hábito nos BDs da distribuidora, estão apenas em inglês, e as legendas HD, brancas, estão disponíveis em português, inglês, espanhol e francês.

EXTRAS
O material bônus, com áudio 2.0 e legendado em português, é praticamente o mesmo do DVD duplo original de GUERRA DOS MUNDOS. Nada de conectividade via BD-Live, e exceto pelo trailer em 1080p (HD), os vídeos possuem resolução standard 480p (SD). Os extras cobrem praticamente todos os aspectos da produção e, apesar de sua abrangência, são documentários e featurettes um tanto burocráticos, que dificilmente serão vistos mais de uma vez. Infelizmente Steven Spielberg continua acreditando que seus filmes dispensam comentários em áudio, que certamente enriqueceriam o conjunto de extras.

  • Revisiting the Invasion (SD, 7:40 min.) – Featurette onde Steven Spielberg, a produtora executiva Paula Wagner, o roteirista David Koepp e Tom Cruise falam sobre a nova adaptação do clássico de H.G. Wells, com destaque para a decisão de evitar os clichês dos filmes do gênero;
  • The H.G. Wells Legacy (SD, 6:36 min.) – Temos aqui depoimentos de descendentes de H. G. Wells sobre a importância do legado do escritor, bem como sobre a adaptação radiofônica de Orson Welles de 1938, e sobre o filme de 1953. Spielberg também se faz presente;
  • Steven Spielberg and the Original ‘War of the Worlds’ (SD, 7:59 min.) – Neste featurette Spielberg, a figurinista Joanna Johnston e o supervisor de efeitos visuais Dennis Muren falam sobre a importância do filme de 1953. Os astros da versão de Georpe Pal, Gene Barry e Ann Robinson, comentam suas pontas no filme de 2005;
  • Characters: The Family Unit (SD, 13:22 min.) – Spielberg, o roteirista David Koepp, a figurinista Joanna Johnston e os atores Tom Cruise, Dakota Fanning, Justin Chatwin e Miranda Otto falam sobre os personagens. Os membros do elenco dão seu depoimento sobre a experiência de trabalharem com Spielberg;
  • Previsualization (SD, 7:43 min.) Featurette sobre o processo de pré-visualização do filme, que por sugestão de George Lucas consistiu na utilização de storyboards feitos em computação gráfica. Inclui depoimentos de Spielberg, do supervisor de pré-visualização Dan Gregoure e do produtor Colin Wilson;
  • Production Diaries (SD, 104 min.) – Documentário dividido em quatro segmentos: “Costa Leste – O Início”, “Costa Leste – O Fim”, “Costa Oeste – Destruição” e “Costa Oeste – Guerra”. É um completo making of com depoimentos do diretor, membros da equipe e elenco, abrangendo os 72 dias de filmagens em locação, a pré e a pós-produção, de como os efeitos visuais já estavam sendo desenvolvidos durante as filmagens, e muito mais;
  • Designing the Enemy: Tripods and Aliens (SD, 14:05 min.) – Extra onde Spielberg, a produtora Kathleen Kennedy e técnicos da ILM descrevem a criação dos alienígenas e suas máquinas, estas refletindo a anatomia das criaturas (três pernas), sendo fiéis ao conceito original de Wells;
  • Scoring ‘War of the Worlds’ (SD, 12 min.) – Spielberg, o produtor Colin Wilson e o compositor John Williams falam sobre a criação dos sons e da música do filme. Sempre é bom ver Williams na tela, trabalhando e falando sobre seu trabalho e a colaboração com Spielberg. De fato, foi o extra de que mais gostei, é informativo sem ser cansativo;
  • We Are Not Alone (SD, 3:15 min.) – Neste featurette Spielberg, Kathleen Kennedy e Tom Cruise falam sobre a “trilogia alienígena” do diretor, e dão suas opiniões sobre a existência de vida extraterrestre;
  • Galleries (SD) – Quatro galerias que incluem esboços e imagens da produção, figurino e fotos de bastidores;
  • Trailer (HD) – O teaser original de GUERRA DOS MUNDOS.

Jorge Saldanha

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6 comentários sobre “Resenha: GUERRA DOS MUNDOS (Blu-ray)

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  2. Otimo filme, eu e minha filha ja assistimos umas 4 vezes, so nao gostei dos dos invasores por nao aparentarem ser mais evoluidos que nos

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