LOST: Seguindo em Frente


Salvo imprevistos desdobramentos futuros, é isso. Acabou. Após seis temporadas, 121 episódios, vários especiais e uma pioneira divulgação viral via web, Lost chegou ao fim no último domingo nos EUA, e ontem na TV paga brasileira. Independentemente do que alguém possa hoje achar do seriado, principalmente à luz do que foi visto nos episódio final (apropriadamente chamado “The End”), é inegável que a criação de J. J. Abrams, Damon Lindelof, Carlton Cuse, Jack Bender e Bryan Burk conquistou um lugar especial na história da TV mundial.

Com um caro – mais de 10 milhões de dólares – episódio piloto que, na minha opinião, é um dos mais instigantes e notáveis já filmados, a série iniciou em 2004 uma carreira que a transformou em um fenômeno pop e de audiência que, na sci fi televisiva, possui poucos precedentes. Os mistérios semanais que eram oferecidos aos espectadores, a partir da queda do vôo Oceanic 815, geraram inúmeras discussões e teorias: estariam os sobreviventes na verdade mortos? A Ilha seria uma espécie de Purgatório ou mesmo o Inferno? Os sobreviventes não seriam cobaias de uma experiência científica? Tudo o que víamos não passaria de ilusão, como em Matrix? A elas os realizadores respondiam com evasivas ou negações diretas. Aliás, em diferentes momentos eles afirmaram categoricamente que a série não era ficção científica ou sobrenatural, apesar de investir pesado em monstros de fumaça, viagens no tempo,  pessoas que não envelhecem, sussurros incorpóreos, universos paralelos, uma luz mística que deve ser protegida do Mal, etc., etc.     

Tendo ou não as respostas que desejava, hoje você poderá estar sentindo-se enganado pelos produtores, que também afirmaram que sempre souberam o final de Lost desde o primeiro episódio. Será? E sim, a série em determinado momento saiu dos eixos, introduzindo personagens aparentemente caídos do céu (como Paulo, vivido pelo brasileiro Rodrigo Santoro), sem nenhuma outra função que não a de “encher linguiça” e que tiveram de ser descartados de forma patética. Mas então você começa a pensar em personagens principais como Jack (Matthew Fox), Locke (Terry O’Quinn), Kate (Evangeline Lilly), Sawyer (Josh Holloway), Sayid (Naveen Andrews), Hugo (Jorge Garcia) e Ben (Michael Emerson), além de tantos outros recorrentes memoráveis como Desmond (Henry Ian Cusick) e Juliet (Elizabeth Mitchell), desenvolvidos de forma única ao som dos acordes por vezes inquietantes, quase sempre tocantes do compositor Michael Giacchino, e então passa a ver o real valor e propósito de Lost.

Mais do que responder a todos os enigmas e questionamentos lançados em suas seis temporadas, a série os usou para intensificar o drama humano de personagens que conquistaram como poucos a audiência, e que por ela sempre serão lembrados com carinho. O fato é que dificilmente o final de uma série, que mexeu com tantos espectadores em todo o mundo, seria uma unanimidade positiva. Mas dada a complexidade e a quantidade das subtramas desenvolvidas ao longo das seis temporadas de Lost, esse final merece da minha parte menção honrosa. Os enigmas principais foram solucionados, mas na impossibilidade (ou talvez mesmo desnecessidade) de que tudo recebesse uma resposta, os produtores investiram pesado na emoção e, neste aspecto, foi um dos finais de séries mais memoráveis da história da TV.

Sim, Lost acabou mas, como seus personagens, segue em frente. O lançamento em DVD e Blu-ray da sexta temporada, previsto para agosto nos Estados Unidos, trará entre outros extras um especial de vinte minutos onde Damon Lindelof e Carlton Cuse oferecerão aos fãs respostas a questões adicionais que eles não conseguiram incluir no último episódio. Mera estratégia de marketing para vender DVDs ou uma iniciativa necessária para complementar a série? Deixo a resposta para você. Para mim tanto faz, Lost já fez história.

Jorge Saldanha

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