Resenha: SHERLOCK HOLMES (Blu-ray)


Título Original: Sherlock Holmes
Produção: 2009
Duração: 128 min.
Direção: Guy Ritchie
Elenco: Robert Downey Jr., Jude Law, Rachel McAdams, Mark Strong, Eddie Marsan, Robert Maillet, Geraldine James, Kelly Reilly
Vídeo: Widescreen Anamórfico 1.85:1 (1080p/VC-1)
Áudio: Inglês (DTS HD Master Audio 5.1), Espanhol, Português, Francês (Dolby Digital 5.1)
Legendas: Português, Inglês, Espanhol
Região: A, B, C
Distribuidora: Warner
Discos: 1
Lançamento: 13/05/2010
Cotações: Som: ****½ Imagem: ****½ Filme: **** Extras & Menus: ****½ Geral: ****½

SINOPSE
Robert Downey Jr. e Jude Law personificam de maneira memorável Holmes e Watson nesta audaciosa releitura que faz do lendário detetive um arrojado homem de ação e com intelecto incomparável. Pistas desorientadas, impecáveis deduções – dignas de Holmes -, réplicas ágeis, cenas de tirar o fôlego uma atrás da outra… O diretor Guy Ritchie mantém um ritmo empolgante à medida que apresenta o maior detetive de todos os tempos. Conheça o novo Sherlock Holmes. 

COMENTÁRIOS
Quando o projeto SHERLOCK HOLMES foi finalmente levado às vias de fato, eu fiquei logo na torcida pelo longa, principalmente por ser Robert Downey Jr. o escolhido para interpretar o personagem principal. E ocorrem duas situações possíveis quando temos uma expectativa alta demais em relação a um filme- ou ele nos frustra, ou ele realmente corresponde aos nossos anseios. Neste caso felizmente devo dizer que o longa me agradou muitíssimo e até agora estou encantada com o filme, que soube adaptar de modo inteligente e inovador as aventuras do investigador mais querido do mundo da literatura.

Aqui vemos Sherlock não só como o investigador lógico, mas também como um lutador, aventureiro, perspicaz e esperto. O filme começa com Sherlock e Watson resgatando uma jovem de um ritual de magia negra que é praticado por Lorde Blackwood. O Lorde é preso e condenado ao enforcamento, mas “ressuscita” e volta a amedrontar os habitantes de Londres. Para resolver essa situação, Sherlock contará também com a ajuda da ardilosa Irene Adler (que aqui está a mando do Professor Moriarty, já mostrando que haverá continuação do longa pois aqui o arquiinimigo de Holmes não aparece), na verdade uma paixão sua, e muitas situações vão se desenrolar ao longo da trama que é marcada pelas sacadas inteligentes e belas cenas de ação.

Devo dizer que o elenco foi escolhido de modo genial. Rachel McAdams está ótima como Irene, e Jude Law hilário como Watson. O inspetor Lestrade é interpretado por Eddie Marsan, Kelly Reilly faz Mary Morstan (noiva de Watson) e Marc Strong mais uma vez mostra que sabe desenvolver ótimos vilões ao interpretar Lorde Blackwood. Mas o show aqui é de Robert Downey Jr. Em uma das grandes atuações de 2009 e uma das melhores de sua carreira (eu sou apaixonada por ele desde CHAPLIN), aqui ele faz um Sherlock divertido e excêntrico, concentrado e ágil. Meu sonho era ter visto ele indicado ao Oscar por este papel este ano, mas ele ganhar o Globo de Ouro comédia/musical deste ano por si só já foi algo muito positivo.

A parte técnica do filme também é incrível. A direção de Guy Ritchie é ótima, conduzindo de modo preciso e certeiro a trama, sem torná-la cansativa (para mim é a melhor direção de sua carreira até agora) e o roteiro é de Anthony Peckham (que também assina o roteiro de INVICTUS). A fotografia é de Phillipe Rousselot, a direção de arte de Sarah Greenwood (que foi indicada ao Oscar e que para mim foi a direção de arte do ano) e os figurinos são de Jenny Beavan (ótima como sempre), mas o grande destaque é mesmo a trilha de Hans Zimmer (também indicado ao Oscar este ano por esta trilha) que consegue compor um score originalíssimo e delicioso, único e criativo. A mixagem de som também é excelente (me lembrou a mixagem de AMÉLIE POULAIN) e os efeitos também são muito bons.

É um filme pipoca, que por sua qualidade conseguiu sobreviver a AVATAR em seu lançamento nos cinemas (conseguindo arrecadar 518 milhões de dólares no seu total) e que terá uma seqüência. Se for assim tão divertido, charmoso e adorável, estarei esperando ansiosamente por essa franquia.

Viviana Ferreira

SOBRE O BD
SHERLOCK HOLMES foi o primeiro Blu-ray replicado pela Videolar que resenhei, e sabedor dos problemas relatados em alguns títulos da empresa para a Paramount, foi com uma certa apreensão que o coloquei no meu player – um bravo e confiável Playstation 3. Felizmente o BD carregou normalmente e logo estavam sendo exibidas as várias prévias que antecedem o menu. Aliás, parece que finalmente a Warner está abandonando em seus BDs o sistema de reprodução direta, o que faz com que tenhamos que fazer as configurações de áudio e legendas já em pleno filme. Pelas características técnicas do lançamento, onde inclusive os menus (estáticos) não foram traduzidos, deduzo que apesar de replicado por aqui o BD é um port direto da edição norte-americana, que já traz legendas e dublagem em português do Brasil.

Quanto à avaliação técnica do Blu-ray, em primeiro lugar é necessário frisar que Guy Ritchie, como já notamos nos cinemas, optou por um visual bem estilizado, por vezes escuro, “sujo” e com cores esmaecidas. E neste sentido a transferência 1080p/VC-1, no aspect ratio original 1.85:1, faz uma reprodução bem fiel do retrato imaginado pelo diretor da Londres do final do século 19. Pretos são profundos, e a fotografia busca fazer um jogo de sombras não apenas em ambientes, mas também nos personagens. Uma forma, provavelmente, de dar um ar mais misterioso ao filme, compensando o lado “herói de ação” deste novo Holmes. Sombras e tons escuros à parte, as, cores, quando necessário, são vívidas e sólidas. A imagem é muito detalhada, especialmente em texturas e rostos. Isto, aliado à inexistência de ruídos ou artefatos dignos de nota, ou ainda de halos e a aparência “lavada” típicos da aplicação de filtros digitais, faz com que SHERLOCK HOLMES tenha uma refinada apresentação em alta definição – ainda que possa não agradar aos olhos de muitos.

Inquestionável é a mixagem lossless em inglês DTS-HD Master Audio 5.1, que sempre propicia diálogos cristalinos no canal central. O filme possui um elaborado sound design, que faz uso de todos os canais disponíveis. Os graves são fortes, fazendo com que até a trilha musical de Hans Zimmer retumbe no subwoofer. Os surrounds criam uma envolvente ambientação nas cenas das ruas da cidade, e na cena do estaleiro temos uma excelente dinâmica sonora que desafiará seu home theater. Temos também disponíveis dublagens Dolby Digital 5.1 em português, espanhol e francês, e legendas em português, inglês e espanhol.

EXTRAS
Sem dúvida há outros lançamentos em Blu-ray que trazem maior quantidade e variedade de extras que SHERLOCK HOLMES, porém a qualidade do que temos, e ainda por cima o fato de tudo estar em HD com legendas em português, merece que este lançamento receba destaque. Os extras são, sem tirar nem pôr, os mesmos da edição norte-americana:

  • Maximum Movie Mode (HD, 132 min.) – Recurso disponível em outros títulos em alta definição da Warner, como 300 e a versão do diretor de WATCHMEN (disponível apenas nos EUA, aqui no Brasil, onde o filme foi distribuído pela Paramount, recebemos apenas a versão de cinema), ele pode ser considerado uma evolução dos comentários em áudio e das faixas PIP surgidas no DVD. Você é colocado dentro da produção do filme de um modo que nenhum documentário é capaz. Acionada a função, vemos Guy Ritchie entre dois grandes monitores, que sob o comando do diretor exibem artes conceituais, comparações de storyboards com as cenas do filme, cenas de bastidores, featurettes, entrevistas, etc. É um exame detalhado, extenso e divertido sobre a produção do filme, conduzido e comentado por seu próprio criador. Vale cada segundo gasto, é um excelente extra que até dispensaria os demais, e não custa relembrar: tem legendas em português;
  • Focus Points (HD, 31 min.) – Caso você prefira uma visão mais convencional dos extras, esta seção de meia hora reúne boa parte da informação presente no Maximum Movie Mode, dividida em oito featurettes: “Drawbridges and Dollies” (a recriação do visual da velha Londres), “Not a Deerstalker Cap in Sight” (figurino), “Ba-Ritsu” (sobre a arte marcial empregada por Holmes), “Elementary English” (Downey Jr. criando seu sotaque inglês), “The One That Got Away” (a influência feminina no filme), “Powers of Observation and Deduction” (as referências que serão reconhecidas pelos fãs do personagem), “The Sherlockians” (painel de discussão sobre as histórias e personagens de Arthur Conan Doyle) e “Future Past” (sobre como Ritchie e sua equipe fizeram da velha Londres um dos personagens do filme);
  • Sherlock Holmes: Reinvented (HD, 14 min.) – Featurette típico de divulgação, onde equipe e elenco dão seus depoimentos sobre seu trabalho, tudo entremeado por muitas cenas do filme. Sem dúvida, é o extra mais dispensável do pacote;
  • BD Live – Como outros BDs que possuem esta funcionalidade ele permite acessar, via internet, ao portal da Warner com novidades sobre seus lançamentos em alta definição.

Jorge Saldanha 

6 comentários sobre “Resenha: SHERLOCK HOLMES (Blu-ray)

  1. O site de vocês é excelente, as críticas sobre as trilhas sonoras e os filmes em blu-ray também estão excepcionais! Meus parabéns, e continuem com o ótimo trabalho! :)

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