Tyler Bates
Tyler Bates

Viviana Ferreira realizou outra ótima entrevista, desta vez com o compositor Tyler Bates (300, Watchmen), cuja música possui um timbre próprio que atrai diretores visionários que buscam realizar filmes de apelo comercial diferenciados. Boa leitura!

Viviana Ferreira – Quando você realmente percebeu que queria ser um compositor?

Tyler Bates – Eu voltei para a minha cidade natal Los Angeles em 1993, para escrever canções e produzir discos. No processo, fui convidado para compor a trilha sonora de um filme de baixo orçamento, e isso deu origem a 15 trilhas em 3 anos. Com a minha banda, Pet, assinei um contrato com a Atlantic Records, e a experiência de compor para o filme Sem Limite (The Last Time I Committed Suicide), para o diretor Stephen Kay, eram minhas metas a longo prazo como músico e compositor. Após fazer turnês por uns 2 anos, senti mais falta de compor e gravar diariamente do que de me apresentar ao vivo para as plateias do continente. Quando voltamos da nossa última turnê em 1997, decidi direcionar minha energia para a música de cinema, além de aprender tudo o que pudesse sobre a realização de filmes. Naquela altura não tinha mais volta para mim.

VFComo foi o início de sua carreira como compositor de trilhas sonoras?

TB – O começo da minha carreira foi um pouco estressante devido à minha falta de experiência no ramo cinematográfico, e também por não conhecer a mim mesmo como um compositor de trilhas sonoras da maneira que eu me conhecia como um compositor de canções e músico. Demorei quinze filmes até fazer um trabalho respeitável que realmente representasse quem eu era como artista na época. Tive muitos altos e baixos ao longo do caminho, mas no geral, eu realmente amo o processo de colaboração com as grandes pessoas com quem tive a sorte de trabalhar ao longo dos anos. Eu me sinto como se ainda estivesse no início da minha carreira.

VFAlém do seu trabalho como compositor de cinema, como foi a experiência na banda chamada Pet, que você formou com a compositora Lisa Papineau?

TB – Houve muitas coisas boas sobre a experiência na Pet. Ela realmente me fez entender o que eu queria da música como um todo. Lisa Papineau e eu tivemos uma química intensa como parceiros criativos, que às vezes, foi realmente emocionante. Ambos crescemos muito a partir desse momento em nossas vidas. Lisa cantou no meu score para Watchmen, o que nos levou a recomeçar a escrever músicas juntos. Estamos muito perto de completar nosso primeiro novo trabalho em conjunto. É muito diferente da música que costumávamos tocar, e estamos agora muito mais em condições de apreciar nosso processo colaborativo de criação do que antes.

VFEm 2004, você compôs a trilha sonora de Madrugada dos Mortos (Dawn of the Dead), atraindo a atenção de fãs (deste tipo de filme) e críticos. Desde então você está compondo trilhas mais para este tipo de filme. Qual é a sua inspiração para compor a trilha sonora de um filme de suspense / horror?

TB – A visão do diretor para o filme é o primeiro aspecto que me guia no desenvolvimento do conceito do score, especialmente em filmes de gênero. A qualidade textural do filme e a forma como várias cenas são enquadradas pela fotografia são fatores muito reveladores do estilo do diretor, o que geralmente é uma melhor informação do que discutir trilhas ou músicas específicas. Os atores em seus papéis também determinam uma abordagem, em certa medida. Por exemplo, no filme de Rob Zombie Rejeitados pelo Diabo (The Devil’s Rejects), a qualidade da imagem é granulada e muito dos tons azuis foram retirados, criando uma predominância dos tons de terra, o que me sugeriu que as músicas deviam refletir o ambiente quente e empoeirado das tomadas externas feitas de dia. Com isso, eu trabalhei com sons análógicos e distorcidos que foram criados no meu estúdio. O objetivo era tornar a música uma grande extensão do próprio filme, o quanto fosse possível. A natureza perversa dos personagens e dos seus diálogos abriu a porta para criar sons extremamente perturbadores no contexto de seu ambiente natural.

VFVocê trabalha com frequência com o diretor Zack Snyder… compondo a música para Madrugada dos Mortos, 300, Watchmen… o que você tem a dizer sobre a parceria nesses projetos?

TB – Eu não tenho palavras para dizer o quanto eu gosto de trabalhar com Zack e toda a equipe de pessoas que ele reuniu ao longo dos anos. Levamos nosso trabalho muito a sério, mesmo assim nos divertimos muito mesmo nas circunstâncias mais estressantes. Zack inclui uma cultura de arte e experimentação como parte do processo para dar vida a todos os seus filmes. Ele tende a ser muito aberto sobre a maneira como algo é colocado musicalmente, assim como no sound design. Somos fãs do trabalho um do outro, portanto há uma grande camaradagem entre nós. É ótimo trabalhar com o Zack!

VF – Falando sobre Watchmen, seu score para este filme é considerado por muitos como um dos melhores de 2009. Como você se sente por ter participado de um projeto tão importante?

TB – Fico lisonjeado quando o público ou os meus colegas apreciam meu trabalho. Embora, sinceramente, eu nunca fui motivado pela bajulação em qualquer nível. Meu primeiro objetivo é criar a melhor trilha sonora de que sou capaz, para cada projeto que faço. Claro, eu quero que o diretor e os produtores fiquem satisfeitos com ela. E, quando chegamos a esse ponto, fico feliz por alguns minutos, então analiso o meu trabalho e aprendo com meus erros e os momentos em que realmente funcionou bem, e levo isso para o meu próximo projeto. Estou muito grato pela oportunidade de trabalhar com ótimas pessoas. Eu acho que esse é o aspecto mais gratificante do meu trabalho.

VFVocê também compõe para a série Californication. Como é a experiência de trabalhar em uma série de TV?

TB ­- Californication é diferente da maioria dos programas de televisão. A música é um pouco crua e imprudente por vezes, no espírito do personagem principal, Hank Moody, interpretado por David Duchovny. Há também muitos momentos de emoção que são musicados no estilo de uma canção, ao contrário da trilha incidental tradicional, o que é realmente refrescante para fazer. Eu venho de uma experiência de estar em bandas, de escrever, produzir e gravar as canções, de modo que esta abordagem é uma segunda natureza para mim. Obviamente a série é muito popular e divertida, o que torna ainda melhor estar nela. A melhor parte de fazer a série é a oportunidade de trabalhar com o meu bom amigo, Tree Adams, e para  Tom Kapinos, o criador do programa, que é simplesmente o melhor!

VFQuem é o seu compositor favorito do cinema? E qual sua trilha sonora predileta?

TB -­ Devo dizer que Jerry Goldsmith e Bernard Herrmann são meus compositores favoritos. Adoro O Planeta dosd Macacos (Planet of The Apes) de Jerry Goldsmith, e também sua trilha para No Limite (The Edge). Tudo que Bernard Herrmann compôs foi inspirador para mim. As partituras de Don Ellis para os filmes Operação França (The French Connection) foram ótimas. Adoro a dissonância deliberada da orquestra. O efeito geral funcionou muito bem nas sequências de ação do filme.

VFE para terminar, quais projetos de Tyler Bates serão lançados em 2010?

TB ­ – A trilha sonora do videogame Army of Two: 40th Day, foi lançada em meados de janeiro. Ela foi muito bem recebida. A trilha do videogame Transformers Origins será lançada em abril. Quanto aos filmes, estou trabalhando no momento em dois projetos, e vou começar outro em março. Mas por enquanto não posso falar mais sobre eles. Parece que vai ser um bom ano!

Nossos agradecimentos especiais ao Sr. Tyler Bates pela entrevista.

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